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Histórico

Prelos e Casas novas

Durante essa semana, demos uma pausa nos preparativos da turnê de lançamento do Dois Irmãos na França. Depois de duas reuniões em Skype remarcadas devido a assuntos mais urgentes a serem resolvidos pelo pessoal da editora francesa, a Urban Comics, percebemos que, nessa semana, a França respira Quadrinhos, mas somente os Quadrinhos que passarão pelo Festival Internacional de Bande Dessinée de Angoulême.

“Podemos conversar da viagem a partir da semana que vem,” dissemos a François, nosso editor.

Nossa semana também tem outros assuntos que demandam nossa atenção.

Ontem passou aqui pelo estúdio a prova do prelo da edição nacional do Dois Irmãos. Tínhamos uma dúvida em relação a uma imagem do frontispício, como ficaria impresso, e recebemos algumas opções para decidir qual parecia funcionar melhor. Também ontem, nosso editor fechou conosco o texto da quarta capa. Escrever o texto da quarta capa não é tão fácil quanto pode parecer. Não é simplesmente fazer uma descrição da história. Não é, tampouco, uma introdução, um prefácio, uma opinião – essas ficam melhor no interior de um livro. Ano passado, escrevi uma introdução para um livro e uma quarta capa. Acho que ambos os autores que me convidaram queriam a mesma coisa, o mesmo tipo de texto, mas eu vi ali que não dava para falar de uma história e de seu autor da mesma forma dentro e fora do gibi. E acho que nossa quarta capa do Dois Irmãos funciona em sintonia com a capa da frente: incita a curiosidade do leitor, e o desafia a abrir o livro e mergulhar na história.

Falta pouco agora. Passada a última revisão do livro, para garantir que está tudo certinho, ele vai para a gráfica. Divulgaremos o lançamento em breve.

Nos Estados Unidos, nosso gibi Casanova voltou a ser publicado depois de uma “pausa” de dois anos. Nesse meio tempo, deixamos a Image Comics para publicarmos na Icon (um selo autoral da Marvel), e agora voltamos uma vez mais à Image. Nosso quarto arco de histórias volta a ser desenhado por mim (eu e o Bá alternamos arcos), mas dessa vez cada edição do gibi terá uma história curta no final, desenhada pelo Bá e escrita pelo romancista Michael Chabon. Os roteiros de Chabon são tão complexos quanto os do Matt, e igualmente difíceis de transpor em desenhos. A história contém o humor característico de suas histórias, que se encaixa muito bem no universo do Casanova. No final, acho que será divertido. O leitor não ficará desapontado.

Aqui vai uma página do caderno e a página do primeiro número com alguns novos personagens.

De volta à prancheta.

 



Escrito por Fabio Moon às 11h53
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Quase Nada 305

 

Quase Nada 305

 



Categoria: tiras
Escrito por Fabio Moon às 10h48
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Quase Nada 304

 

Quase Nada 304

 



Categoria: tiras
Escrito por Gabriel Bá às 11h57
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Meus queridos.

O estudante Brás Cubas beija Marcela em 1992, no segundo colegial (segundo ano do ensino médio), depois do sinal da saída ter tocado, e parte em direção ao dia, feliz pelo beijo roubado da garota que ele gostava. Essa história, chamada “Marcela”, que eu escrevi e o Bá desenhou, saiu no jornal da escola naquele ano, e foi a primeira vez que Machado de Assis influenciou o nosso trabalho. Já o primeiro quadrinho da história foi influenciado por uma capa da Liga da Justiça do Kevin Maguire mesmo.

– – –

Na reunião da semana passada na Companhia das Letras, enquanto deixava o carro no estacionamento, o manobrista olhou para nós com um olhar curioso enquanto digitava o nosso número de identidade e nos dava crachás. “Vocês são irmãos? Gêmeos?” perguntou. O sorriso tímido tomou conta do meu rosto e eu assenti com a cabeça antes de desviar o olhar.

Nos dirigimos ao elevador, subimos, e a reunião começou.

Na volta, o manobrista puxou papo novamente. "Na Bahia, durante um carnaval, viram dois gêmeos assim, que nem vocês, que faziam tudo juntos, andavam juntos, e encheram eles de porrada achando que eles eram homossexuais. Acho que eles estavam andando abraçados. Um deles morreu."

"Pois é," respondi, entrei no carro e fui embora.

Como é que eu não tinha ouvido isso antes? Aconteceu agora? (Não, foi em 2012) O Bá já tinha ouvido essa história, mas acho que eu estava com a cabeça em outro lugar naquela época.

– – –

André Conti é o editor do selo de Quadrinhos na Companhia das Letras. Ele é o editor no nosso novo livro, Dois Irmãos. E ele é uma das pessoas mais divertidas de se desenhar, em todas as suas possíveis variações:

- Com óculos, sem óculos.

- Com barba, sem barba.

- Gordinho, um pouco menos gordinho, um pouco mais gordinho, caricaturalmente gordinho.

- Careca.

(Desculpe, mas careca é a única opção para o André.)

Fiz esse desenho conosco e com o André depois da nossa reunião na semana passada e enviei para ele. Depois, no facebook, ele escreveu o seguinte:

"Segundo o Fábio Moon, a legenda é: ESCUTA AQUI, MEUS QUERIDOS. Reta final do "Dois Irmãos", reuniões, preparação extrema, ajustes e ansiedade. Que maravilha será ver esse livro na rua. Parabéns infinito aos dois, ficou sensacional."

O André já apareceu também em algumas tiras, na maioria das vezes como figurante, ou "interpretando" um papél que não era ele. Aliás, um número considerável de pessoas reais já inspirou ou passou pelas nossas tiras ao longo dos anos. Cada participação especial tem um movido, e uma história por trás.

Mas essa é uma outra história, e deverá ser contada numa outra ocasião.



Escrito por Fabio Moon às 10h50
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Quase Nada 303

 

Quase Nada 303

 



Categoria: tiras
Escrito por Gabriel Bá às 12h15
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Quase Nada 302

 

Quase Nada 302

 



Categoria: tiras
Escrito por Gabriel Bá às 15h47
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O nanquim silencioso

Essa semana, quase estraguei um pincel. Meu pote de nanquim estava acabando, e eu tenho alguns tubos de nanquim para repor o pote vazio. Fica mais barato e é mais prático comprar tubos, sejam os grandes ou os pequenos, pois são mais fáceis de carregar e armazenar (a tampa dos potinhos nunca é confiável depois de aberta e usada, já que o nanquim vai secando nas beiradas, criando uma crosta que prejudica o vedamento do pote). Fui pegar meu tubão de 990 ml da Talens, mas minha atenção acabou vendo um tubinho Yasumoto que eu tinha comprado em Los Angeles durante a minha última viagem para a Comic Con de San Diego. Acabei nem usando esse tubinho por lá, comprei por precaução, mas estava agora bem à mão já que eu tinha preparado um mini-kit de arte-final para trabalhar na praia. Meu pote de nanquim durou toda minha estadia na praia, mas agora era hora de enchê-lo novamente, e eu usei o nanquim Yasumoto.

Mais tarde no mesmo dia, fui passar arte-final numa página. Mergulhei o pincel no pote, passei a ponta pelo papel de apoio para preparar a ponta, e já reparei que a tinta não estava saindo muito, não aderia ao papel. Fiz alguns testes na página de quadrinhos, achando que o problema podia ser o papel vagabundo de apoio, mas com o mesmo resultado. Pensei que podia ser o calor apocalíptico que toma conta de São Paulo, me fazendo suar, engordurando o papel e tudo o mais à minha volta, mas depois de continuar desenhando um pouco mais, insistindo vagarosamente e prestando atenção na parte que mais gosto do desenho, acabei concluindo que o problema era o líquido alienígena que eu tinha introduzido ao meu ambiente de trabalho. O nanquim se agarrava no pincel e não queria sair. Pior, secava na velocidade que eu espero que nanquim seque, e logo começava a acumular ao redor do meu pincel como uma crosta vulcânica prestes a devorar as cerdas.

Peguei outro pote, enchi com meu nanquim tradicional, limpei o pincel com água e salão, removendo todos os resquícios do nanquim alienígena, e voltei ao trabalho.

E o pincel voltou a deslizar normalmente uma vez mais.

O pote com o nanquim estranho continua ali, fechado ao lado da minha mesa, me observando calado.

Ele espera, em silêncio, e planeja.



Escrito por Fabio Moon às 21h15
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Quase Nada 301

 

Quase Nada 301

 



Categoria: tiras
Escrito por Gabriel Bá às 16h01
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Quase Nada 300

 

Quase Nada 300

 



Categoria: tiras
Escrito por Gabriel Bá às 15h59
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O papel da escolha

A cafeteira ferve a água, e meu café está a caminho. É o tempo de colocar algumas ideias no papel. No final de semana, enquanto acompanhava as últimas provas e revisões do novo número do Casanova, que volta a ser publicado pela Image, percebi o quão mais atuantes seremos esse ano na parte gráfica das nossas publicações, quase como fazíamos durante a produção do fanzine 10 Pãezinhos, ou posteriormente das nossas últimas revistas independentes, 5, Pixu, ROCK’n’ROLL e Atelier. Eu não sou um especialista em impressão, em artes gráficas ou design, sei somente o que fui aprendendo aqui e ali, com um punhado de aulas de serigrafia e gravura na faculdade, e muita prática com as publicações independentes. Ainda assim, gosto de participar de todos os aspectos do processo de produção dos livros, pois acredito que existe algo nessa participação que chega até o leitor. Escrevemos histórias, desenhamos e criamos, mas a podemos ajudar a contar nossas histórias escolhendo o papel certo, pensando num projeto gráfico que combine e que acrescente ao mundo que estamos tentando criar. No caso do Casanova, cada página passa pelas decisões da equipe criativa, inclusive páginas de propaganda.

Aqui no Brasil, estamos acompanhando, sugerindo e, em alguns momentos, também trabalhando no projeto gráfico do nosso próximo livro, o Dois Irmãos. Na quinta-feira, temos uma reunião na Companhia das Letras com o nosso editor e com o departamento de arte para tentar bater o martelo no que falta da parte gráfica. Quando você trabalha com livros, com publicações, convive com milhares de exemplares que chamam sua atenção página após página, às vezes é mais fácil fazer com que seu livro tenha a cara dos livro que você conhece, que você gosta, e então pode ser mais difícil quando você quer que seu livro seja um pouco mais especial. Um design e projeto gráfico muito rebuscado pode chamar muito a atenção do leitor, desviando o foco no que mais importa: a história. O que tentamos fazer é encontrar o balanço certo para que isso não aconteça, e às vezes o ponto está simplesmente em escolher o tipo certo de papel.

O café ficou pronto, o aroma forte começa a tomar conta da sala e da cozinha. O céu continua cinzento, a garoa ainda não se decidiu se vai ou se fica. Encho minha xícara, tomo um gole, e fico pensando em papéis.



Escrito por Fabio Moon às 08h51
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