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O básico.

No Fórum do Quarto Mundo, autores e entusiastas do quadrinho independente atual discutem sobre os mais variados assuntos relacionados com o nosso pequeno porém crescente mercado de quadrinhos nacionais. Nem todas as discussões levam a algum lugar, mas é sempre assim. É importante trocar idéias, ver que, por todo Brasil, existem artistas e escritores querendo fazer quadrinhos e, através do fórum, todo mundo pode se conhecer e se ajudar. Se você desenha e não sabe que história contar, vá lá procurar escritores. Do mesmo modo, se você quer fazer quadrinhos, mas não sabe desenhar, o que não falta é desenhista sem roteiros para desenhar. A seção do fórum direcionada para essa procura se chama Classificados. Produzir Quadrinhos com parceiros que estão em outra cidade, outro estado ou mesmo outro país não é fácil, pois a comunicação fica limitada ao espaço virtual, ou à telefones, ou à cartas. Mesmo assim, não é impossível e, cada vez mais, existem possibilidades reais para conhecer outros autores e produzir quadrinhos se comunicando através da internet.
Na imagem acima, o rascunho de duas páginas da história que eu e o Bá estamos fazendo com a Becky e o Vasilis. Esse rascunho (chamado thumbnail nos EUA, pois normalmente é feito bem pequeno) é a parte mais importante do desenho. Aqui o artista define o ritmo da leitura e a composição da página. Pode parecer bobagem, mas é nesse estágio que dá para ver se a história está funcionando ou não. Se você resolver o storytelling, os ângulos e a composição no thumbnail, desenhar a página fica muito mais fácil e, muitas vezes, muito mais rápido.
Esse projeto, assim como o anterior (nossa revista independente 5), funciona por causa da internet. A Becky mora nos EUA, o Vasilis mora na Grécia e nós moramos aqui em São Paulo. Eu e o Bá só vemos os dois uma vez por ano, na convenção de San Diego, e nossa comunicação por emails, messengers e fórums de discussão possibilitou que fizéssemos projetos juntos, discutindo desde o roteiro, os personagens, o desenho (os desenhos, já que cada um desenha uma parte) o design do gibi, a gráfica, os pontos de venda, tudo.
Hoje em dia, a internet é tão básica para a comunicação entre os artistas como o thumbnail é basico para que uma história em Quadrinhos funcione. Começando pelo básico, nada é impossível. E as dificuldades do mundo dos quadrinhos se tornam um pouco mais fáceis.
Escrito por Fabio Moon às 13h42
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Você também viu?

Tudo bem, eu admito que foi divertido. Foi corrido, meio caótico, começamos atrasados (os artistas anteriores já estavam atrasados) e acabamos atrasados, mas no final das contas, gostei bastante da nossa participação na Jam Session que ocorreu na HQ Mix livraria durante a Virada Cultural. O nosso horário, no na virada do sábado para domingo, ajudou no clima, pois as ruas estavam lotadas e a praça Roosevelt bombava nas suas atividades teatrais, o que contribuia para o público que passava pela livraria. Ainda assim, tinha gente que foi só para assistir os "artistas no áquario", desenhando na vitrine de frente para a rua.
Existe um certo charme nessa idéia da história coletiva. Um desafio para o artista continuar uma história sem pé nem cabeça por somente uma página e sentir que acrescentou algo ao bolo. Muita gente nem olhava para as páginas anteriores, nem queria saber desse negócio de "história", e fazia sua página sem pensar no todo. Foi muito legal perceber quem se divertiu fazendo sua página, e mais ainda se você visse que a pessoa leu a história. Algumas páginas não tinham propósito, não tinham tesão e não andavam para lugar nenhum, mas isso faz parte de um projeto tão grande.
Como eu e o Bá estávamos dividindo o mesmo horário, chegamos sem saber se trabalharíamos na mesma página, e acabamos decidindo fazer uma página cada um. Acho que foi a decisão certa, nos divertimos mais e, com duas páginas, acabamos podendo criar uma "sequência" maior. O Shaal, que desenhou antes da gente (na realidade, desenhou ao mesmo tempo e nos contou o que ia desenhar pra que pudéssemos continuar o que ele estava fazendo), teve a idéia das correntes. Depois disso, era a nossa vez.

Escrito por Fabio Moon às 11h34
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Noites de papel branco
Na Europa, existem as noites brancas, fenômemo que ocasionalmente acontece quando, mesmo à noite, o sol não chega a se pôr totalmente, causando uma atmosféra onírica, e criando uma sensação de que o dia nunca acaba. Seguindo esse preceito de continuar noite adentro, foi criado um evento chamado "noite branca" (Nuit Blanche no original em francês) onde museus, galerias e outras instituições culturais mantém suas portas abertas gratuitamente para os visitantes, e onde eventos culturais acontecem durante toda a noite, da madrugada de sábado até a madrugada de domingo no primeiro final de semana de Outubro. O primeiro festival aconteceu em Paris em 2002, mas já se espalhou para várias outras cidades, como Roma, Madrid, Chicago e Toronto.
E São Paulo.
Em São Paulo, acontece agora neste final de semana a chamada Virada Cultural, onde shows, exposições, peças e diversas atividades culturais são realizadas durante o final de semana na região central da cidade. Tudo começa a partir das 18h do sábado e vai até as 18h do domingo.
Na praça Roosevelt, onde já acontecem várias apresentações e discussões teatrais nas casas teatrais Parlapatões, Satyros e Estúdio 184, fica localizada a HQ Mix Livraria (praça Roosevelt, 142), espaço onde acontece a maioria dos lançamentos atuais de Quadrinhistas nacionais. Livraria com ares de galeria, a HQ Mix resolveu participar da virada realizando uma Jam Session ininterrupta durante todo o final de semana. Continuando o projeto da história nacional em que cada autor desenha uma página e passa para o próximo, entitulada O crime do Teishouko Preto, 60 artistas desenharão durante 60 horas a continuação da história, ao vivo na livraria, durante uma hora cada, onde um termina e o próximo continua do ponto onde o outro parou.
Eu e o Bá gostamos da idéia da Virada Cultural, e provavelmente estaremos passeando pelo centro da cidade durante todo o final de semana, mas, a partir das 23h do sábado, estaremos na HQ Mix livraria para fazer a nossa parte da história. Nossa página precisa estar pronta até meia-noite, e aí então o domingo chega trazendo mais artistas e o resto do festival.
Na sexta, eu queria estar lá às 15h para ver o Gustavo Duarte desenhar e, às 17h, o Orlando Pedroso. No sábado, queria ver o coletivo do pessoal do Contínuo desenhando às 4h da madrugada, queria ver o Leonardo Pascoal fazer sua página às 9h. Como eu disse, nós começamos às 23h. No Domingo, devo ficar esperando o Fido, que começa sua página à 1h da madrugada e, logo em seguinda às 2h, o Kitagawa. Às 8h, tem o Tiago Judas e ao meio dia do Domingo, o Marcelo D'Salette.
Os desenhistas começam antes do almoço na sexta e só vão terminar depois das 19h no domingo, e durante cada hora tem um (ou um grupo) desenhando. Se você estiver por perto, apareça, e se você quiser aproveitar os outros eventos da virada cultural, lembre que, a qualquer hora, você pode descansar na HQ Mix, ler um bom gibi e ver um quadrinhista louco ficar desenhando ao vivo no meio de tudo aquilo, atravessando a noite de papéis brancos, nanquim e uma pitada de imaginação.

Escrito por Fabio Moon às 13h21
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O Tempo Livre.

Durante o caldinho de feijão, conversávamos sobre os projetos feitos e sobre os projetos futuros. Nesses momentos de empolgação, a vontade cresce e cada um tem vontade de fazer mil coisas - e mil coisas a mais do que as que já está envolvido - e a velocidade da mão que desenha perde feio para a do pensamento criativo. O importante nesse momento é saber frear, esperar o tempo de cada história, para não perder o rumo do presente pensando no futuro. Naquela noite, entretanto, o papo do futuro era imenso. Se o dia tivesse mais umas 15 horas, o Grampá já teria essa nova história que ele quer fazer pronta, essa que ele já se imagina fazendo, que ele já sabe até como termina, mas a história que ele está desenhando ainda não terminou e ele está lá, explodindo de energia na prancheta. Mas não naquela noite. Lá, ele também estava só aproveitando o momento comigo e com o Bá.
No dia seguinte, veio aquele balde de água fria para o artista preguiçoso. Talvez não tanto para o preguiçoso como para o reclamão, pois esse segundo abunda na cidade e se encontra em todo lugar. Fui à exposição do Orlando para tentar descobrir onde ele encontra o tempo. Ele aparece nos "eventos-cartunistas", como a Raquel chama, e ele se envolve em vários projetos profissionais além da contribuição regular para a Folha, e ainda assim ele desenvolve trabalhos completamente diversos -ainda que inconfundivelmente dele - usando as técnicas e formatos mais variados no "tempo livre", por conta própria. Por conta própria, ele publica praticamente um livro por ano, e tem feito ao menos uma nova exposição por ano, somente com material inédito, ou quase, que não sai em nenhum outro lugar. Ele simplesmente não se controla e transborda tudo em produção, mas mesmo o tudo ainda não o esgota e lhe sobra tempo para ter uma vida normal, com tempo para a mulher e as filhas.
Que fôlego.
Na mesma linha dele, tem o Galvão e o Samuel Casal se metendo em tudo um pouco, produzindo tanto que não sobra tempo para reclamar. Esses eu não vejo tanto já que moram longe, então fico só impressionado seguindo o trabalho.
Hoje em dia, eu estou mais satisfeito com o ritmo de produção aqui no estúdio. O quanto a gente escreve, o quanto a gente desenha e o quanto a gente se envolve em outras coisas para tentar ajudar as duas primeiras. Acho que a grande produção de outros nos ajuda, nos motiva, e fico esperando que motive outros artistas de quem tenho tanta vontade de ver mais coisas, como o Gustavo Duarte, de quem o mundo inteiro sonha com seus quadrinhos ainda não produzidos, e o Rafa Coutinho, de quem eu espero todos os dias uma narrativa mais longa para combinar com o que ele já mostra nas narrativas curtas que fez na Sociedade Radioativa e no álbum dos Irmãos Grimm. E vamos ver qual a próxima história que o Papito vai fazer agora que ele terminou o "Tequila Shots".
O panorama é muito maior do que isso, e as páginas que eu vi do Kako hoje mostram isso, mas o quadrinhista é um ser recluso que não aparece com frequência, um artista que às vezes não aparece para si mesmo, ocupado com outras preocupações mundanas. Mesmo assim, ainda existe esse "tempo livre", esse tempo que você cria para si mesmo, onde você é livre para trabalhar, para criar, para fazer mais e, depois, fazer novamente.
Escrito por Fabio Moon às 19h32
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Indicados aos Eisner Awards!
Hoje saiu a lista dos indicados aos Eisner Awards.
O Umbrella Academy foi indicado a melhor série limitada, além de receber por tabela as indicações do Dave Stewart (melhor colorista) e James Jean (melhor capista).
O Sugar Shock, que o Fábio fez com o Joss Whedon ano passado, foi indicado a melhor HQ digital (ou webcomic).

Mas a grande surpresa ainda está por vir.
O 5, a revista independente que fizemos com a Becky, Vasilis e Grampá, foi indicada a melhor antologia.

Escrito por Gabriel Bá às 12h48
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Réveillon
A sensação é a de que o ano acabou. A sensação de que o Bá teve ao terminar o Casanova no final de 2006, e que ele teve novamente ao terminar o Umbrella no final de 2007, é a sensação que eu tenho agora, de alguma forma atrasado para o final do ano, como o Carnaval que adia o começo do ano seguinte. Agora eu tenho a impressão de que o Carnaval acabou e que um novo ano vai começar. Nesses três primeiros meses de 2008, eu já desenhei muito e já comecei vários novos projetos, mas eu passei um ano desenhando o Casanova e, ontem, vestindo meu terno, esse ano finalmente terminou. No jantar, acendi uma vela. Um novo ano se aproxima e uma viagem muito diferente está prestes a começar.
Feliz ano novo.

Escrito por Fabio Moon às 12h04
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Um lindo dia.
"Hoje é um dia lindo para terminar uma história", pensei enquanto caminhava até a padaria para comprar pão. Ontem, quando fui dormir, já sabia que hoje só faltaria uma página para terminar o meu último número do Casanova e, sendo assim, hoje seria um dia especial.
Hoje é o dia do terno.
O sol, os passarinhos cantando e a brisa que entra pela janela aberta do estúdio só tornam o dia mais agradável, mais tranquilo e mais especial.
Virada essa página, uma história acaba. É hora de começar outra.
Escrito por Fabio Moon às 13h36
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por enquanto...

Escrito por Gabriel Bá às 14h21
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Novo estilo.
Faz mais de quatro meses que não se encontra o pincel que eu uso para comprar em parte alguma de São Paulo. Esgotou. Há duas semanas atrás, apareceu como disponível no site de uma loja, mas quando eu fui até lá, não tinha. O pincel não é barato, mas todas as unidades foram vendidas. Não tem mais jeito, vou mudar meu estilo e abandonar o pincel.
De agora em diante, eu só vou desenhar assim:

Escrito por Fabio Moon às 15h42
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Aperfeiçoando
Um médico tem sempre que estar estudando, se atualizando sobre novas técnicas, se aperfeiçoando. Da mesma forma, mesmo que você tenha um estilo definido e uma técnica preferida, é sempre uma boa idéia experimentar outros instrumentos que te ajudarão a conseguir resultados diferentes no seu trabalho.
Estou fazendo um curso de aquarela com o Cárcamo, não pensando em fazer álbuns pintados como os europeus, mas pra me aprimorar em um técnica que eu sempre apreciei, mas nunca tive domínio o suficiente pra usar profissionalmente.
Depois de pintar vários quadradinhos, misturar as pastilhas das cores e experimentar suas possibilidades, decidi ousar e fazer um desenho de verdade.

O resultado não ficou bom, mas serviu pra me mostrar tudo que ainda falta aperfeiçoar (minha mão treme, entre tantas outras coisas), o que é mais complicado do que parece e que, com duas aulas para o fim do curso, eu ainda tenho muito o que aprender.
Escrito por Gabriel Bá às 18h34
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