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Semana cheia.

Eu estranho quando vários eventos relacionados com quadrinhos acontecem num período curto de tempo, como foi o caso da semana passada. Em uma semana, fomos à vernissage da exposição de ilustradores, demos uma palestra, saímos para uma cerveja com vários ilustradores (entre eles o eterno mentor, Domingos Takeshita, o Tak), fomos à premiação do troféu Angelo Agostini no Senac da lapa e, terminando, fomos ao programa de TV na allTV no domingo pela manhã.

Ah, quase me esqueci do lançamento da nova MACMANIA, cheia de ilustradores, e do caldinho de feijão do Filial com o pessoal da faculdade de artes (apenas três, eu admito, mas de peso).

Passei muito tempo desenhando (ainda passo) sem me relacionar com o mercado de desenhistas. Hoje, acho essa relação muito saudável, muito enriquecedora e muito necessária: você precisa sair da toca de vez em quando para que as outras pessoas saibam que você existe, saibam o que você pensa e até qual cerveja você gosta. Caso contrário, as pessoas só conhecerão o seu trabalho, o que não é ruim para o trabalho, que deve sobreviver sozinho, mas é ruim quando alguém acha que você é somente o que você põe no seu trabalho, somente as histórias que conta, somente os desejos que você transporta para os quadrinhos.

Você é mais do que o que você faz, e encontrar pessoas as lembra disso. Algumas vezes, nós mesmos é que precisamos ser lembrados.

E para terminar...

O Márcio Baraldi, cartunista falador, o mais expansivo da categoria, foi o apresentador do programa que fomos no domingo pela manhã. Uma das constantes de seu programa é a charge que ele faz dos convidados da semana. aparentemente, foi assim que ele se envolveu com o programa, mas logo a falta de pessoal o colocou na poltrona do apresentador, na frente das câmeras, falando de tudo e de todos por duas horas. O que ele faz muito bem.

Pedi para que ele me mandasse a charge que fez de nós e da banda convidada, a até então desconhecida Pink Dolls, para colocar no site. Ele mandou, e aqui está:



Escrito por Fabio Moon às 19h11
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Quadrinhos na TV... bem cedo!

Existem vários tipos de histórias. Umas, você leva anos pra contar. Outras, você tem que contar bem rápida, como uma piada que, se você perder o timing, perderá a graça e todo o sentido. Então lá vai:

Para as poucas pessoas que se interessam por Quadrinhos que lêem este blog a essa hora e, dentre esses, os menos ainda que estarão acordados amanhã das 10 ao meio-dia, o Fábio e eu estaremos num programa na allTV, uma canal de TV pela internet. É ao vivo e aparentemente terá um CHAT onde os internautas poderão fazer perguntas.

Nós levaremos os nossos livros, sortearemos revistas e passaremos os dois curta-metragens que fizemos o ano passado e o video clipe no qual o Fábio trabalhou em 2000. Acho que pode ser divertido, pena ser tão cedo, espero não estar com muito sono. Eu nunca fui de assistir aos bons programas matinais de Domingo, mas espero que vocês sejam diferentes.

Escrito por Gabriel Bá às 23h16
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PRÊMIOS e mais prêmios!!

Neste sábado, acontece a entrega do prêmio Angelo Agostini. O evento acontecerá no SENAC LAPA, na rua Scipião 67, a partir das 12 horas, com palestras e exposições, além da premiação mesmo.

Domingo tem o Oscar.

E já começaram os preparativos para o HQ MIX, a grande premiação do Quadrinho Nacional. Com mudanças feitas de uns anos para cá, a organização pretende profissionalizar o prêmio e melhorar toda sua estrutura, desde a indicação, votação e premiação em si. E já começou.

Podem concorrer ao prêmio todas os trabalhos publicados entre 1º de janeiro e 31 de dezembro do ano passado, incluindo publicações independentes. Os interessados devem mandar no mínimo uma cópia de seus trabalhos (o ideal são 3 cópias) ou um CD, que possa ser lido em qualquer computador, para a comissão julgadora até o dia 10 de março de 2005. No regulamento do troféu você encontra todas as categorias e pode ver em qual o seu trabalho se encaixa. A Comissão de Organização também indicará lançamentos e trabalhos por conta própria, catalogados durante o ano, sem a necessária inscrição.

O endereço para a remessa de material é:

17º HQ MIX
R. Cardeal Arcoverde, 99 casa 5
05407-000 - Pinheiros
São Paulo SP


INSCRIÇÃO PARA FAZER PARTE DO CORPO DE VOTANTES
Podem fazer parte do corpo de votantes do troféu HQ MIX, profissionais da área de quadrinhos, humor gráfico e animação, professores, pesquisadores, estudiosos e jornalistas especializados no tema. Envie um questionário preenchido (abaixo) e cópias de seus trabalhos para hqmix@yahoo.com.br .
Data limite - 10 de março de 2005.

FICHA DE INSCRIÇÃO:

1-Nome:
2-Pseudônimo:
3-Data de nascimento:
4-Endereço: ( Rua, número,bairro, CEP, cidade, estado )
5-Telefone:
6-E-mail:
7-CPF:
8-RG:
9-Profissão:
10-Currículo resumido: (até cinco linhas)
11-Responda- Você também gostaria de se associar á ACB (Associação dos Cartunistas do Brasil)?

Pra mais informações ou pra ver o histórico da premiação, entre no site www.hqmix.com.br.

Escrito por Gabriel Bá às 10h19
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O mestre do magnetismo.




Existem várias formas de atrair o leitor numa história. Vocês pode criar personagens cativantes, pode expor um intricada trama que vai se resolvendo e que prende a atenção até o último segundo, você pode elaborar diálogos emocionantes que tocarão aquele canto mais profundo das pessoas. Ou você pode dar palestras e participar de eventos que falem de Quadrinhos com o público.

HAPPY HOUR DE QUADRINHOS HOJE!



Alguns dos atrativos desta exposição - Ilustrando em Revista - , que está acontecendo na FAAP, são as palestras, workshops e "happy hours" que acontecerão durante estas semanas por vir.

HOJE, o Fábio, o Bruno, o Franco e eu estaremos conversando com o público sobre o não-tão-complicado-assim-e-portanto-possível-jeito-de-fazer-Quadrinhos, explorando nossa experiências separadas e conjuntas e contando como tornamos possível um projeto como ROCK'N'ROLL.

O evento vai das 19:00 até às 20:30 e é de graça, aberto a TODOS que aparecerem por lá. Para os que ainda não conhecem o novo e rigoroso sistema de segurança ignóbil da FAAP, se te barrarem fale que vai à exposição de ilustração que devem te deixar passar.

Agora que o chamado já foi feito, espero não inverter os polos na hora e afastar todo mundo.

Escrito por Gabriel Bá às 09h52
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Para os interessados na minha bagunça.

Essa semana, a primeira página do site mostra a minha prancheta. A foto é da semana passada, então essa é a cara da minha prancheta ultimamente. Quando eu vejo uma prancheta de algum artista, fico reparando no que está lá, o que cada um usa, e como a bagunça em cima da mesa diz coisas sobre a pessoa que a utiliza. Pensando nisso, aqui vão algumas curiosidades da minha prancheta:

-No canto superior esquerdo, você vê um dos vários papeizinhos que eu uso para "domesticar" o pincel, regulando o tamanho do traço que eu vou usar.

-Tenho desenhado com lapiseira (aquela bege). Eu gosto de desenhar com lápiz azul (na régua central da prancheta, ao lado do vermelho), acho mais macio, mas o papel que estou usando não responde muito bem ao lápis azul, então acabei encontrando conforto na lapiseira 0.9.

-Embaixo da lapiseira, um bloquinho de folhas dobradas. São os thumbnails
de Smoke and Guns, abertos na parte que eu estou desenhando agora. Cada pagina do bloquinho tem quatro páginas de thumbnail, mas isso não é regra. Essa foi a minha escolha para essa história.

-Na página no canto inferior direito da prancheta, os quadrinhos ainda não tem o efeito respingado da boa e velha escova de dente com tinta branca (que a página da esquerda já tem). Veja o primeiro quadrinho dessa página terminado.

E você, viu alguma outra coisa na prancheta e ficou curioso?

Escrito por Fabio Moon às 12h05
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Quando você olha, já passou.


"Ora você olha, ora você sorri,
Eu sei o que você quer da vida,
Mas não sei o que quer de mim."


Essa semana passou voando. Às vezes, quando você passa todos os dias desenhando a mesma história e, página após página, todos os personagens continuam no mesmo cenário, parece que todos esses dias foram iguais. Eu lembro que nenhum dia foi igual ao outro, mas ao mesmo tempo não lembro direito em qual dia eu estava desenhando qual página, passando arte-final em qual sequência, corrigindo qual rosto. Diferente de uma rotina, fico mais com a impressão de sonho, em que você não se lembra da ordem dos acontecimentos e, também, nada acontece seguindo uma sequência lógica.

É uma sensação estranha, mas boa.

Escrito por Fabio Moon às 13h10
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10 PÃEZINHOS NO 21º DIA DO QUADRINHO NACIONAL E TROFÉU ANGELO AGOSTINI



Neste ano será realizada uma grande festa com grandes presenças. O DIA DO QUADRINHO NACIONAL é um momento de avaliação de período anterior e de preparação para esse ano, que se anuncia com a reafirmação de pequenas editoras, com poucas publicações, mas com melhor qualidade gráfica e com temas menos usuais e ousados. Por isso, a participação de todos os profissionais, amadores e fãs é muito importante, não só para prestigiar nossos homenageados, como também para iniciar novos contatos e novos projetos para 2005.

OS MAIS VOTADOS
O resultado da votação, com os melhores do quadrinho nacional do ano de 2004, é a seguinte:

Melhor Desenhista: WANDERLEY FELIPE
Melhores Roteiristas: FÁBIO MOON e GABRIEL BÁ
Melhor Cartunista: MÁRCIO BARALDI
Melhor Fanzine: QUADRINHOS INDEPENDENTES (Edgar Guimarães)
Melhor Lançamento: ROKO-LOKO E ADRINA-LINA ATACAM NOVAMENTE (Opera Graphica)
Mestres do Quadrinho Nacional: LUIZ GÊ / PAULO CARUSO / MINAMI KEIZI
Troféu JAYME CORTEZ: ROBERTO GUEDES
Prêmio Especial HERMES TADEU / Melhor COLORISTA: DIOGO SAITO

A PROGRAMAÇÃO

O 21º Angelo Agostini será realizado no dia 26 de fevereiro, sábado, a partir das 12h, no Senac Lapa Scipião — Rua Scipião, 67, Lapa, fone: 3866.2500.

O evento contará com a seguinte programação:
12h — Exibição do documentário “Will Eisner, Profissão Cartunista”
13h — Palestra sobre: “Os Quadrinhos na Sala de Aula”, com os professores e autores Flávio Calazans e Waldomiro Vergueiro.
14h — Palestra com os editores da revista Mosh e do jornal de humor F.
15h — Palestra com o editor Mario Mastrotti, da editora Virgo, e os autores dos livros Tiras de Letras pra Valer e Isto é um Absurdo!
16h — Entrega do Prêmio Especial Hermes Tadeu para o Melhor Colorista de 2004.
16:30h — Entrega dos Prêmios Angelo Agostini para os Melhores de 2004 (Desenhista, Roteirista, Cartunista, Fanzine e Lançamento).
17h — Entrega do Prêmio Jayme Cortez e homenagem aos Mestres do Quadrinho Nacional.


Durante o evento os autores de revistas, livros e álbuns nacionais estarão autografando suas obras, a Comix Book Shop comparece com uma grande diversidade de material produzido por autores nacionais e será inaugurada a exposição com trabalhos dos premiados.
Entrada franca.
Mais informações pelo fone: 3866.2500 ou pelo site: www.sp.senac.br

Escrito por Gabriel Bá às 09h51
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Quadrinhista solitário.


Nós sempre repetimos um ponto muito importante sobre nossa profissão e aqui vou eu mais uma vez fazê-lo. Se você quer ser Quadrinhista, deve saber de antemão que está escolhendo a solidão, o isolamento, a masmorra. Horas e mais horas da sua vida serão compartilhadas apenas com sua prancheta, sem hora pra começar ou hora pra acabar. No seu trabalho não tem hora do cafézinho - ou até pode ter, mas não é o momento onde você e seus colegas vão confraternizar. Aliás, este é um ponto importante relacionado a tal solitude: os outros Quadrinhistas.

Assim como qualquer outra profissão, os outros quadrinhistas podem ser separados em dois grandes grupos: os colegas e os amigos.
Claro que existem outros dois grupos de menor importância neste momento; as pessoas - ou todos aqueles que ainda não são Quadrinhistas, que você não conhece o trabalho ou nunca vai conhecer - e os inimigos - mas este grupo não é exatamente você que escolhe.

Os colegas são todos aqueles Quadrinhistas que você vai conhecer, a pessoa e seu trabalho, e que não passarão disso. A única ligação entre vocês será a profissão, pois até mesmo a paixão pelo que você faz pode ser diferente. Todos aqueles que fazem tiras de humor bem fraquinhas, desenham super-bacanas para editoras gringas, fazem quadrinhos pornográficos ou tentam contar histórias existencialistas e introspectivas estão no mesmo barco, o barco furado dos Quadrinhios Nacionais, onde ninguém está certo ou errado e temos todos que pensar juntos numa forma de remar para a terra prometida antes que a vaca vá pro brejo. Mesmo estando todos juntos nessa empreitada, você quase nunca encontra os seus colegas pois, como você, eles também vivem na masmorra a trabalhar. A sua chance de compartilhar experiências, falar sobre as dificuldades e gratificações da sua labuta está em eventos de Quadrinhos como lançamentos, palestras, exposições e convenções. Nestes momentos, você pode se sentir um ser completo, num mundo perfeito onde todos à sua volta fazem a mesma coisa que você e gostam das mesmas coisas. Quando se faz o que gosta - ou até ama, no caso da maioria dos Quadrinhistas - um evento exclusivamente profissional sempre é um momento de relaxar e curtir a sua paixão e compartilhá-la com outros.

Mas e o amigos?

Amigos você vai criar, construir, vai crescer junto, vai evoluir. A sua ligação com eles vai além do que cada um de vocês fazem, mas estará ligada muito mais em quem vocês são. Talvez você encontre amigos no meio dos seus colegas, mas somente aqueles que conseguirem ultrapassar a barreira que separa cada quadrinhista solitário e recluso. Eu conheço muitos Quadrinhistas, tenho muitos colegas, mas poucos conseguem se libertar das correntes do calabouço e buscar a luz do dia. Eu mesmo não faço este movimento com muita freqüência. O caminho dos amigos é um caminho que se persorre junto, então depende sempre de vocês dois.

Mas e seus amigos humanos, aqueles que não são Quadrinhistas, que você conheceu e colheu durante sua vida no mundo exterior antes de se trancar na prisão de sua própria cabeça? Qual a ligação que você tem com estas pessoas, esses médicos, esses jornalistas, estes psicólogos? Do que vocês vão conversar se não de arte-final, narrativa, personagens e diálogos? Da vida. Tudo que está fora do calabouço, à luz do dia, ao ar livre. Tudo aquilo que não se trata exatamente de trabalho, pois é aqui que está a grande mensagem deste enorme e cansativo texto:

O trabalho do Quadrinhista é a sua vida, não há outra forma de sê-lo. Se você não amar seu ofício mais do que tudo, você viverá no sombrio país da mediocridade que regra muitas das outras profissões do mundo. É isso que vai destacar os Quadrinhistas dos outros humanos. Mas, mesmo sabendo que os Quadrinhos são a sua vida, é preciso saber que há mais na vida do que seu trabalho, seus Quadrinhos. É isso que vai te destacar dos outros Quadrinhistas.

Agora, vão viver.

Escrito por Gabriel Bá às 09h58
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Ilustrando em revista

De 20 de Fevereiro a 13 de Março acontece no MAB (Museu de Arte Brasileira), na FAAP, o evento/exposição Ilustrando em Revista. A exposição em si apresenta trabalhos de vários ilustradores publicados nas revistas da editora Abril, como as ilustrações que fizemos para a revista RECREIO. É uma grande oportunidade para ver de perto a variedade de estilos, técnicas e interpretações que compõem o mercado atual de ilustração.

O grande atrativo, na minha opinião, são as palestras, workshops e "happy-hours". Tem algo para todo mundo, desde os designers, passando pelos ilustradores, coloristas, cartunistas, galãs do traço e beldades e musas. As beldades e musas vem com a FAAP. Todos os eventos são de graça! Confira o site da exposição para ver a programação completa, assim como uma amostra dos ilustradores.

Agora, vendendo o nosso peixe (vendendo não, pois é tudo de graça): eu e o Bá daremos um workshop de História em Quadrinhos no dia 5 de Março, das 14:00 às 18:00. As vagas são limitadas, veja no site como se inscrever.

Antes disso, porêm, estaremos junto com Bruno D'Angelo e Kako no dia 23 de Fevereiro, das 19:00 às 20:30 para o descontraído Happy-Hour sobre quadrinhos e ilustração, no Salão Cultural da FAAP. Um bate-papo bacana sobre produção, criação e todos os outros elementos dos quadrinhos, com os quatro autores da nossa última revista independente, ROCK'n'ROLL.

Mais perto de cada evento, voltaremos a lembrá-los. Não percam essa oportunidade.

Escrito por Fabio Moon às 18h04
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Hoje na Ilustrada, pra sempre nos nossos corações.



Escrito por Gabriel Bá às 13h30
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Tô me guardando pra quando o Carnaval chegar.

Ou "sozinho neste mar de gente".




Quem faz Quadrinhos no Brasil parece levar muito a sério essa regra que diz que tudo começa somente depois do carnaval. Mas quando é esse carnaval dos quadrinhistas? Bom, a verdade é que ele já passaou. Pra todos.

O Carnaval é uma festa, um tempo de aproveitar e se divertir, um tempo de dar uma pausa na sua vida e só retomá-la no meio da semana, ou na semana que vem. Pois é, os brasileiros esperam quase dois meses pra começar as suas vidas, o seu ano. E os Quadrinhistas, quanto tempo esperam?

O Carnaval dos Quadrinhos foi a sua infância, aquele tempo em que você só lia os gibis, olhava os desenhos maravilhado, adorava quando o Cebolinha fazia a mesma piada novamente sobre a Mônica, quando o Bat-sinal aparecia no céu, quando mostrava um peito ou um pinto nas histórias dos Três Amigos. Quando se é criança lendo Quadrinhos, tudo é uma festa.

Hoje em dia, a festa acabou. Você adora Quadrinhos, mas não pode mais brincar, precisa levar isso a sério. É hora de começar a copiar um estilo aqui, inventar um novo personagem ali, contar sua primeira história, descobrir sua voz. É preciso tentar de um jeito e descobrir que está errado e aprender com isso. É preciso olhar ao seu redor e ver o que os outros estão fazendo e como eles o fazem. É preciso saber o que você quer contar e o que você não quer contar. Mas, acima de tudo, é preciso fazer.

Todo mundo gosta de Carnaval e muita gente se perde dentro dele. É ótimo se divertir e se esquecer de si mesmo por um instante, mas é preciso voltar à vida. Aproveite que você pode voltar e volte pra prancheta. Alguns de nós não voltarão nunca mais.

Um abraço, Diogo. Fique em paz.

Escrito por Gabriel Bá às 14h55
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O importante é a história.

Não dá mais pra reclamar de tudo ou da falta de tudo. É preciso fazer. Quadrinhos no Brasil são assim. Só assim. Bons e ruins, mas assim.

Eu não trato ninguém mal, trato com seriedade. Aqui no blog, nas palestras e workshops, nós parecemos bravos mesmo, irritados com todos aqueles que só sabem falar, só perguntam qual o caminho dos tijolos amarelos. Vivemos dando sermão. Tudo isso é conseqüência da seriedade com que encaramos nossa profissão, pois só assim é que se caminha pra frente. Muita gente acha Quadrinhos divertidos e, por isso mesmo, encaram tudo como uma brincadeira.

Não é.

Eu faço Quadrinhos há uns 10 anos, mas o meu caminho ainda é muito longo. Se eu ficar parando pra perguntar direções o tempo todo, nunca chegarei ao meu destino. Eu só quero que as pessoas parem de se preocupar tanto em como fazer e façam logo.

Escrito por Gabriel Bá às 14h49
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O Trabalho dos Quadrinhos.

Tenho trabalhado muito estes dias, graças a Deus. Hoje estou colhendo os frutos de anos de dedicação à minha paixão nerd chamada História em Quadrinhos. Mas não é com Quadrinhos que eu tenho trabalhado tanto, mas foram eles que me trouxeram até aqui.

Já faz muito tempo, uma eternidade, que eu sabia que queria trabalhar com HQ, mesmo que na época ainda não o fizesse - aliás, nem trabalhava ainda. Quando comecei a trabalhar, raramente os Quadrinhos eram realmente o objeto do meu trabalho, o meu serviço prestado, o fim do processo. Já montei exposições, já fui assistente de professor de História da Arte para o ensino médio, já ilustrei o caderno de TV de jornal, já trabalhei como monitor da Bienal, já fiz editoração eletrônica de revistas, já trabalhei com internet e já trabalhei com 3D.

Eu trabalho há 11 anos, alguns mais, outros menos. Eu sei que quero fazer Quadrinhos há muito mais tempo.

Hoje, trabalhamos - o Fábio e eu - basicamente com ilustração, mas quando me perguntam o que eu faço, eu digo Quadrinhos. Eu sou um Quadrinhista, um contador de histórias. Os trabalhos que eu tenho hoje eu ganhei fazendo Quadrinhos para mim, estudando, evoluindo. Foi na nossa busca pelo aperfeiçoamento nessa liguagem que chamou a atenção do mercado de ilustração. O que fazemos com ilustração raramente tem algo a ver com nossos Quadrinhos, com nossas histórias, com nosso estilo. Mas tudo que eu aprendi a minha vida inteira querendo fazer Quadrinhos eu coloco em cada ilustração, em cada quadro de storyboard, em cada cenário.

Não há nada de errado em ser ilustrador, aliás é também uma profissão somente povada por mágicos geniais, que têm que criar mundos em um desenho só. Mas os Quadrinhistas têm que querer ser mais do que isso, pois eles têm uma história pra contar. Os desenhistas que estão sonhando em fazer Quadrinhos têm que desenhar mais do que somente pessoas, personagens, super-heróis. Precisam desenhar cenários, cadeiras, folhas, pedras, maçanetas, botões de camisa, o dia e a noite e o passar das horas. Não são os desenhos soltos que vão te tornar um Quadrinhista, são as histórias que você vai contar. Pra isso, você precisa desenhar páginas, quadro-a-quadro, situar seus personagens num local, pensar no seu cenário, na sua luz, no próximo passo e como levar o leitor até lá, com os textos ou com o desenho.

Todos esses anos eu continuo fazendo Quadrinhos. Meus Quadrinhos. Quase não é trabalho, é minha vida, as 24 horas do meu dia, os 7 dias da minha semana. Trabalho eu considero aquele que me pedem, eu faço, entrego e pronto. Minhas histórias eu faço porque preciso fazer, porque elas, sim, me fazem feliz, me completam, muito mais do que qualquer ilustração.

Esse site não é um portifólio do meu trabalho, não é minha biografia, nem meu diário. Por que então eu escrevo estes textos, gasto tanto tempo neste blog, nesta coisa terrível chamada internet? Porque eu amo Quadrinhos e acho que, de alguma forma, posso fazer algo de bom com esse blog. Minha intenção não é ganhar mais trabalhos aqui, não é vender mais livros. É cultivar esta arte de contar histórias, é fazer os ilustradores quererem ser mais na vida, fazer os Quadrinhistas se preocuparem mais com suas histórias.

Eu poderia parar com tudo e me concentrar mais nas histórias. Eu poderia dar um tempo nos Quadrinhos e aproveitar todos estes trabalhos que eu tenho e relaxar mais na vida. Eu poderia tirar férias. Então, eu fracassaria. Pra se fazer Quadrinhos, é preciso fazer o esforço extra sempre. Ninguém será capaz de entendê-lo, é como ajudar aquele seu aprente que sempre te tratou mal porque ele é família. Mas, no final, quando você tiver sua história, seu livro, seus personagens, seu mundo na sua frente, tudo fará sentido.

Escrito por Gabriel Bá às 17h58
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Minha história eu conto em imagens.



Expressão.

O seu desenho fala.

Uma imagem bem feita diz muito. Mais do que mil palavras, dizem. Cada careta, com olhos arregalados ou sobrancelhas franzidas, cada mão que gesticula como se seus personagens estivem atuando (o que, de certa forma, eles estão fazendo), cada postura torta, corcunda ou ereta, tudo fala com o leitor, com o espectator, com o outro, como se você estivesse escrevendo (descrevendo) um comportamento, um estado de espírito.

Como adjetivos, as linhas complementam as formas e cabe a você escolher quais linhas incluir e quias deixar de fora. A linha, assim como o adjetivo, quando usada em exagero, sobrecarrega a imagem e dificulta a leitura.



O olhar.

O olhar deve direcionar a ação. Ou será o contrário? Olhamos, e então vemos o que estamos olhando, mudamos o foco de atenção, mudamos o ângulo, mudamos o rumo da história. Devemos dar atenção a novos elementos introduzidos e, para isso, eles não devem fugir do nosso olhar. Se está lá, o que quer que seja, está lá por um motivo. O motivo direciona o olhar, carrega o leitor e conta a história.



Uma historia.

A história nem sempre está na imagem solitária, A imagem diz muito, mas a história acontece na soma das imagens, na mistura que elas tomam parte na cabeça de cada um, muitas vezes se tornando mais interessantes naquilo que não está lá.

"Como assim, não está lá?"

Está, mas não é mostrado. O momento sugerido tem o poder de ser universal, de atingir a todos justamente pois, sem imagem definida, é ao mesmo tempo igual para todos que estão acompanhando a história, e diferente para cada um que lê, único, singular, por se formar apenas dentro da sua cabeça.

A história deve ser transportada de um quadrinho para o outro, costurada pela sequência e sugerida pela poesia que reside entre as imagens. E nós devemos estar lá, com a história, para compartilhar a jornada e para ajudá-la a encontrar o seu caminho.

Escrito por Fabio Moon às 11h23
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