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Histórico

Gêmeos nas trincheiras.

Está no ar o blog da SIB, a Sociedade dos Ilustradores do Brasil, da qual fazemos parte. A SIB tem como um dos objetivos organizar essa bagunça que é o mercado de ilustração, tentando acabar com a falta de organização na hora da negociação, publicação e mesmo facção dos trabalhos. O blog, acredito, serve como uma forma de tornar visível e de fácil acesso o trabalho dos associados.

Os dois primeiros posts mostram trabalhos de vários associados. O segundo, em especial, mostra um interessante passo-a-passo de um trabalho que eu e o Bá fizemos para a revista Aventuras na História, da Editora Abril, sobre a guerra das Malvinas.

Passem por lá e deixem seus comentários.

Escrito por Fabio Moon às 13h41
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Inverno de 86.



Eu sei que meus pais me levavam pra praia nas férias desde os 2 anos de idade. Tenho algumas lembranças embaralhadas de datas trocadas, uma casa de portão marrom no meio da avenida de terra - ou lama - cheia de buracos ótimos pra saltar com a minha Caloi Cross Extralight vermelha (a do Fábio era azul), um matagal com trilhas estreitas, um morcego que caiu na varanda da casa no meio da tarde. Duas ou três famílias juntas, muitos adultos cabeludos, algumas crianças. Assim foi a passagem dos anos 70 para os anos 80 na minha memória.

Íamos muito no inverno para a praia porque era mais barato alugar casas no inverno. A praia ficava vazia e a areia ficava grande, com o mar lá embaixo, propiciando um ótimo terreno para passeios de bicicleta, jogos de futebol e muitos, mas muitos desenhos na areia.

Claro que nós tínhamos papéis em casa também, canetas e tudo mais. Mas o legal era ficar na praia o dia inteiro, com sol ou com chuva, indo do mar pra areia, da areia pras pedras, das pedras de volta pro mar.

Quando chovia, a faixa do mar bem razinho ficava enorme, perfeita pra andar de sonrisal. Nós não tínhamos dinheiro pra comprar um sonrisal, mas improvisamos um numa obra por ali e um cara cortou um maderite para nós. Era perfeito, todo pintado de verde (a única cor que tínhamos à mão), deslizando rapidamente pela fina camada de água.

O dia inteiro correndo, pulando, caindo e levantando. Essa é a história de qualquer moleque de férias na praia. Depois, a gente pegava uns gravetos jogados na praia e ficava desenhando um monte de coisas na areia. Contando nossas primeiras histórias.

Escrito por Gabriel Bá às 14h38
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A divertida história do Schoeller - parte 1

Aos fãs.

A medida que eu escrevo este texto, estou ouvindo uma entrevista com o Jeff Smith, criador do Bone, pela internet. É ótimo ver como ele também leu MAD, também adorou O Senhor dos Anéis (quando leu o livro pela primeira vez) e adorou Star Wars quando foi lançado. Estas foram as grandes influências dele pra criar sua mega saga.

Quando eu estava crescendo - e eu acredito que ainda me enquadro nesta categoria - eu adorava todos os gibis que caíam na minha mão. Quando eu era pequeno, eu gostava de todos os gibis, tudo que eu lia era ótimo. Eu gostava de todos os tipos de desenho, copiava nos meus incontáveis cadernos, desenhava nas apostilas da escola. Eu lembro de copiar os personagens e criar outros com o mesmo estilo, eu imitava a forma como os títulos e onomatopéias eram feitos, eu coloria as minhas revistas preto-e-branco como MAD e Conan.

Quando eu tinha uns 10 anos, estava na praia no inverno e não fazia calor, mas tudo estava bem vazio e eu ficava fazendo grandes desenhos na areia com um graveto. O que eu desenhava? Eu ME desenhava e em ceninhas que retratassem o que eu fazia naquelas férias. Coias como "Bá pegando jacaré", " Bá caminhando", "Bá andando de sonrisal". Foi aí que minhas histórias nasceram. Eu não estava copiando ninguém , refazendo nada que eu havia visto e gostado. Lembro do estilo ter grandes olhos como uns que eu via na MAD e eu gostava e o resto era bem genérico mesmo.

Aos 14 ans, eu descobri o GROO, do Sergio Aragonés, e em um quadrinho, quando ele mesmo aparecia narrando a história, ele estava segurando uma caneta tinteiro ou um pincel na mão. Eu pensei com o Fábio "ele usa caneta tinteiro... ele arte-finaliza com pincel". E lá fomos nós tentar fazer aquilo. E era muito difícil. A gente achava que ele desenhava direto com pincel, sem rascunho e era aquilo que a gente queria fazer. No passar do tempo, continuamos com o lápis e os rascunhos.

Quando eu tinha uns 15 anos eu fui fazer um curso de Quadrinhos com um sujeito chamado Domingos Takeshita - ou simplesmente TAK - no seu Estúdio Pinheiros. Eu estava enlouquecido com os gibis de super herói na época e acabara de conhecer o AKIRA e queria desenhar, desenhar e desenhar. Quando eu cheguei lá pela primeira vez, com uma neblina mágica, o TAK estava sendtado na penumbra da escada e nos recebeu cheio de palavras inebrianes, várias revistas espalhadas pelo andar e eu comecei a conhecer outras pessoas que também gostavam de Quadrinhos e desenhavam suas próprias coisas. O Tak fazia umas páginas gigantes de galáxias, cenários enormes, personagens estranhos que não tinham nada a ver com o que eu gostava de ler. Mas era ótimo! E ele usava canetas de precisão, essas de nanquim que os arquitetos usam, e as páginas eram espessos Schoellers. Era a primeira vez que eu via aquilo e pensei "UAU, eu preciso dessas canetas, eu preciso deste papel". Havia um cara lá que só desenhava com BICs e ele era ótimo.

O mais importante do TAK foi que ele não me ensinou a desenhar. Eu podia fazer o que eu quisesse, mas ele sempre me fazia refletir sobre o que eu estava fazendo e como eu fazia, o que eu queria contar com aquela página. Durante o período que eu freqüentava o Estúdio Pinheiros e estava no colegial, eu fiz várias histórias curtas e usei vários materiais diferentes, mas a principal ferramenta eram aquelas canetas de nanquim. Até retícula eu usava (aquelas da Letra-set), porque era divertido colocar cinza nas páginas e porque no AKIRA tinha retículo e uns anos antes eu tinha visto retículas em algumas revistas ANIMAL e nos 3 Amigos.

... continua baixo ...

Escrito por Gabriel Bá às 10h16
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A divertida história do Schoeller - parte 2


Quando eu entrei na faculdade e conheci o pessoal que acabou fazendo a Ícones comigo, eu comecei a desbobrir outras formas de arte-finalizar, ver outros desenhos. Continuei com o nanquim, mas havia ganhado um bico de pena e resolvi tentar aquilo. Com algumas borradas aqui e ali, sobrevivi bem àquela experiência. Nessa época, começamos a fazer umas retículas e as letras e balões no computador. A capa da Ícones era colorida no computador (isso em 1995). Nós achávamos maravilhoso, mas ainda ficava muito tosco.

Foi neste momento que houve uma das primeiras grandes "empurradas profissionais" que aconteceram conosco, pois em 94 e 95 aconteceram dois eventos de Quadrinhos relacionados ao mercado amerciano, um na Escola Panamericana de Artes e outro na FAU, onde eles trouxeram artistas estrangeiros pra dar palestras, cursos e olhar o trabalho do aspirantes a Quadrinhitas. Em 95 ou brasileiros no exterior estavam estourando e eu conheci o Roger Cruz e o Deodato e toda aquela leva. Era a época "copie o Jim Lee e entre para o mercado americano". Pra mim, quem se destacou na época mesmo foi o Deodato. E quando fui ver de perto, ele fazia aquela arte-final toda rebuscada com pincel 000. Foi aí, mais uma vez, que voltamos para o pincel, não importado quão difícil e quão tosco os resultados.

Para nossa sorte, não fomos bem sucedidos nas nossas cópias de Jim Lee e, em 1996 conhecemos uma pessoa que mudaria nossas vidas: o Shane, um moleque da nossa idade que morava em Santa Barbara, Califórnia, e que havia escrito uma história em Quadrinhos chamada ROLAND; Days of Wrath e, após ver algumas páginas mambembes que nós havíamos levado na nossa viagem de férias, nos convidou pra desenhá-la. Nós já sabíamos o tamanho do papel que era usado pelos americanos - até compramos papel especial pra quadrinhos, com aquels margens azuis - e como eles faziam arte final. Nós éramos ótimos (nas nossas cabeças) e estávamos super prontos pra arrasar com o Roland. Levamos 3 anos pra terminar tudo.

Em 1997 nós fomos com o Shane para nossa primeira Comicon de San Diego e foi aí que a minha vida realmente mudou drasticamente. Todos aqueles artistas lá na minha frente, várias páginas originais à venda, muitas palestras e seminários. Foi neste ano que eu vi minhas primeiras páginas originais do Hellboy e perguntei pro Mignola como ele arte-finalizava suas páginas e ele me mostrou aquela caneta Micron da Sakura, de naquim descartável. Todo mundo já viu uma caneta dessas, vende nas lojas especializadas em material de desenho ou arte. Eu adorava o que ele fazia no Hellboy e fiquei maravilhado que ele não usava pincel. Eu imaginava que todos usassem pincel. No mesmo estande do Mignola estava o Geof Darrow e ele vendia seu originais, todos desenhados em papel vegetal, em folhas de tamanhos diferentes. Cada página era desenhada de um tamanho. Eu até fiz um workshop com o Steve Oliff, em que ele usava massinha pra falar sobre teoria cromática.

Vimos também coisas que nunca pensávamos existir: Quadrinhos amercianos que não eram super-heróis. Mais precisamente, BONE do Jeff Smith, Strangers in Paradise do Terry Moore e Scary Godmother da Jill Thompson. Conhecer estas pessoas também foi muito importante para nós porque, assim como a gente, eles queriam contar suas próprias histórias, sobre pessoas, bruxas e Bones.

Como eu já contei algumas vezes antes, assim que voltamos de San Diego, todo esse borbulhar de idéias e empolgação resultou no Girassol e a Lua em 1997. Eu e o Fábio estávamos fazendo arte-final com caneta, livre do sofrimento do pincel. Um ano depois, de volta à San Diego, conversando com o Terry Moore, o Fábio decidiu se entregar à sua vocação e voltou ao pincel, dessa vez o número 2, grosso, pra fazer a arte-final. Ele continua usando pincel até hoje.

Nestes anos todos, já vi muitas páginas na minha mão, já conversei com muitos profissionais. Já vi o Laerte fazendo maravilhas com um pincel ou com uma caneta futura. Já desenhei em sulfite, canson, schoeller. Em A2, A3, A4. Até A5, formato Pato como já foi conhecido, eu já desenhei. "O Girassol e a Lua" foi inteiro desenhado em umas folhas que o Fábio pegou na FAAP, num formato A4 um pouco mais comprido, um pouco mais expessas que um sulfite normal. O "Meu Coração, Não Sei Por Que" foi todo feito em sulfite A4. Hoje em dia desenhamos numas folhas que ganhamos do Movimento GNT, evento que a gente fazia caricaturas. Temos um bloco destas folhas, parecem um pouco um canson e, até que elas acabem, serão nossa matéria prima para os Quadrinhos.

Eu sei que é legal e emocionante ver que aquele artista que você adimira usa as mesmas canetas que você, saber qual a marca do nanquim que ele usa, ou mesmo como ele escaneia suas páginas e qual programa de computador ele usa pra colorir. Dá mesmo uma sensação de que, se fizermos a mesma coisa, nosso trabalho vai melhorar. É importante aprender as diferenças entre os materiais e com tirar o maior proveitos de cada mídia. Agora, o que eu quero ressaltar com esse longo texto aí em cima é que nada disso realmente importa. No final, fazer Histórias em Quadrinhos é muito mais do que isso, é contar histórias. Quando eu dou uma aula de Quadrinhos não vou focar no desenho, como fazer luz e sombra, como desenhar músculos, como limpar sua caneta ou seu pincel. Isso cada um aprende com a prática e usa de acordo com seu próprio estilo. Eu sempre tento incentivar as pessoas a pensarem mais no que elas fazem, nos porquês das suas histórias, na mensagem, no objetivo. Não é na técnica que eu acredito que jaz o mérito de um grande artista.

Por esse motivo, eu sempre usei este espaço para estimular as pessoas a pensarem mais, refletirem mais sobre suas vidas e sobre o que fazem, como fazem e porque fazem. Essa é a contribuição que eu decidi dar com este blog, pois não possoa sair por aí dizendo que caneta usar e qual papel é melhor. Não quero que as pessoas leiam meus textos e achem que é isso mesmo, eu sei de tudo e pronto. Quero que elas pensem no que eu disse e confrontem isso com suas próprias idéias. Quero que elas percebam que não importa como eu faço, mas que eu faço. E mais importante: por quê.

Escrito por Gabriel Bá às 10h15
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Desbravando a si mesmo.



A segunda vez que eu fiz, ficou melhor que a primeira. A terceira, ficou ainda melhor.

Quando você trabalha para outras pessoas, você acaba enfrentando as inevitáveis correções, ou até mesmo refazer todo o desenho. É um pé no saco, mas, no final, o último desenho fica melhor que o primeiro. No último, você acumulou tudo que pensou sobre ele desde o início juntamente com o que teve que corrigir e repensar e solucionar novamente. Ele tem muito mais esforço colocado em cima, muito mais suor. Você aprende muito sobre seu prórpio trabalho, seus limites e como atingir certos resultados quando precisa repensar os seus desenhos por causa do cliente.

Nos Quadrinhos, o cliente é o editor, ou deveria ser. Ele que conversa com o artista e diz se a história ficou como ele queria que ficasse, se o desenho está do jeito que ele queria. Mesmo nas publicações independentes, o editor diz pro autor se a sua história está redonda ou não e pode - deve - pedir mudanças. Essas mudanças, muitas vezes, serão benéficas para o resultado final da história e para o próprio artista.

Os escritores e desenhistas de Quadrinhos no Brasil têm que dar mais a cara pra bater, mesmo que ainda em fanzines, pra escutar a opinião dos outros e, somente assim, se aperfeiçoarem. Ninguém nasce sabendo e nem aprende sozinho. É preciso olhar para o mundo e deixar que o mundo olhe pra você. A profissão do Quadrinhista é muito solitária e é de extrema valia a troca de informações e os olhares externos sobre o seu trabalho.

Estamos muito acostumados a fazer as coisas "do jeito que dá", "vai assim mesmo". Se queremos mudar a opinião que o público tem dos Quadrinhos, devemos nós mesmos mudar nossa atitude. Se você fez uma página inteira que não ficou boa, terá que refazer tudo. Se não dá pra entender seu diálogo, terá que reescrevê-lo.

Você só conhece seu limite quando você se esforça pra chegar até ele. E, neste exato momento, ele vai um pouco mais longe.

Escrito por Gabriel Bá às 14h21
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Planeta dos Macacos.



Acho que o bacana de usar macacos nas ilustrações é essa característica dos macacos de serem expressivos em suas posições. Estão sempre pulando, articulando os membros, se mexendo. São, de certa forma, a origem dos palhações, do exagero dos movimentos humanos, da piada física, corporal.

Os macacos, na sua animalidade, são capazes de tudo o que os humanos, na sua natureza racional, não são, então as situaçnoes em que podemos colocar os macacos são maiores.

Mas nem sempre nossos macacos recebem o amor que eles merecem, então aqui vão mais macacos recusados pela Recreio. O desafio passa a ser outro quando colocamos os macacos aqui. Aqui, eles devem ter um tratamento visual diferente do que fazemos na Recreio, tanto na arte-final como na cor, e é daí que saem os resultados mais legais de terminar esses desenhos abandonados.

Ah! Aproveitando que o desenho fala de cinema, você já viu o curta que nós colocamos no site? Está alguns posts abaixo e foi adaptado de uma de nossas histórias em quadrinhos. Se você ainda não viu e está curioso, clique aqui.

Escrito por Fabio Moon às 14h33
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Às vezes, o silêncio me faz falta.



Gosto muito do silêncio de uma imagem. Acho que esse silêncio diz muita coisa quando bem realizado. Acho que essa é uma das melhores características de uma história em quadrinhos: poder contar em silêncio a sua história.

A imagem nos faz pensar, assim como o silêncio que nos redireciona para dentro. Nos perguntamos dos sentimentos dos personagens que se olham e, deste modo, nossos próprios sentimentos vêm à tona como referencial real dos sentimentos fictícios do casal de papel. Sentimos por eles e, também, por nós mesmos.

Essa imagem é parte de um desenho maior, uma homenagem a Will Eisner que vai sair numa revista americana. Algumas pessoas dizem que, vendo a imagem, lembram da Avenida Dropsie (agora adaptada ao teatro), me levando a crer que fui bem sucedido na minha empreitada. Ao mestre que nos deixou, fica a certeza que seu silêncio ainda vai dizer muita coisa para muita gente.

Escrito por Fabio Moon às 14h03
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Lançamento CONTÍNUO!

HOJE, quinta Feira, dia 17 de Março de 2005, 22hs no bar Ócio do Coppo, lançamento de O Contínuo, um zine com roteiros de Carlos Tremonte, Dalton Tadeus e Pedro Felício. Os desenhos são de Alcimar Frazão, André Bernardino e Rafael Mathé, e a capa de Vitor Flynn e Carlos Tremonte.

No último FESTCOMIX, eles venderam mais de cem exemplares pra quem esperava na fila pra entrar no evento.

O endereço é: r. Mourato Coelho 1.489 - São Paulo, SP

Escrito por Gabriel Bá às 11h58
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Enquanto ele não chega...



Escrito por Fabio Moon às 21h04
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iLustrando em Revista dando frutos

Saiu no site Desenholivre.com.br uma entrevista retirada do nosso Happy Hour de Quadrinhos que fizemos com o Franco e o Bruno na exposição Ilustrando em Revista, que acabou neste Domingo.
Pra conferir, clique aqui.

Escrito por Gabriel Bá às 11h51
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Os Tártaros estão chegando.


Eventos de Quadrinhos, bem organizados, poderiam ajudar a mudar a imagem que o público tem da nossa arte, aproximar o leitor do artista, mostrar mais do processo criativo e as muitas variações e possibilidades que podem ser encontradas no universo dos Quadrinhos. Então, por que não fazê-los?

Este final de semana teve o FESTCOMIX, mais uma vez no prédio da Gazeta, um evento que sempre pareceu muito promissor e sempre atraiu muita gente (cada dia mais). Neste Domingo, a fila pra entrar no evento ia e voltava de cabo a rabo no quarteirão da Gazeta, na Av. Paulista. Finalmente entrando, uma multidão sem tamanho se movia como formigas por entre corredores e mais corredores de caixas cheias de gibis, procurando aquela edição antiga, um número atrasado ou, simplesmente, um bom desconto.


As pessoas estavam pagando ingresso pra entrar e gastando muito dinheiro pra sair, levando quilos de gibis debaixo dos braços. A maioria esmagadora daquelas pessoas estava ali pelos descontos, pra comprar toda a coleção de Dragon Ball ou qualquer outro mangá. Será que, no fim, o que as pessoa querem é pechinchar? Será que não têm interesse em conhecer algo novo, algo nacional? Se alguém estivesse ali pra falar com estas pessoas, será que elas lhe dariam ouvidos ou simplesmente continuariam a procura do Yu-Gi-Oh! número 1347?

Vendo toda aquela gente, não consigo entender por que as vendas continuam tão baixas, as tiragens pífias, os autores nacionais fazendo HQ só por amor.

Se um evento desses consegue atrair tanta gente, por que não oferecer palestras e workshops também para o público? Por que não coordenar antecipadamente com artistas e editoras para que montem estandes com seus trabalhos e possam falar com o público? Por que não trabalhar juntos?Essa é a oportunidade do Quadrinho nacional de mostrar a cara, pois todo seu público está ali.

Se reuníssimos o público que vai a um evento como esse, juntássemos com os interessados em palestras e workshops que comparecem em eventos como o Mundo dos Quadrinhos, do SENAC, e ainda juntássemos com todos aqueles que vão à entrega de prêmios como o HQ Mix e o Angelo Agostini, poderíamos mostrar para os amantes de mangá que existem outras coisas, mostrar para os aficcionados em super-heróis que existem Quadrinhos para meninas, mostrar para o público que os Quadrinhistas brasileiros não são alienígenas.

Enfim, mostrar que os Quadrinhos não estão mortos. E estão vindo.

Escrito por Gabriel Bá às 15h48
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Macacos me mordam!



Algumas idéias que temos para as curiosidades da Revista Recreio não são aprovadas, mesmo se forem boas.

"As crianças não vão entender", dizem as editoras. Pode até ser que elas estejam certas, mas eu acho que o desenho, para as crianças, tem de ser fofinho, bonito e legal. A tirada, a piada, a sacada, algumas vezes pode escapar da criança e atingir os pais, ou os irmãos mais velhos.

Quem sabe um dia, muitos anos depois, a criança já crescida encontra sua velha coleção de Recreios e olha novamente para aquela ilustração fofinha e diz:

"Nossa, olha essa sacada. Só agora que eu entendi."

É triste perder uma boa idéia, então decidimos terminar as curiosidades recusadas que achamos que valem a pena. O estilo fica um pouco diferente do que usamos na Recreio, para que a ilustração não tenha a cara da Revista e sim uma cara mais própria e mais nossa. Elas serão colocadas na página das tiras, na seção apropriadamente chamada de CURIOSIDADES.

O estranho é que, por enquanto, estamos tenho uma alta recusa nas piadas de macacos. Não consigo entender. Todo mundo gosta de macacos.

Se não gosta, deveria.

Escrito por Fabio Moon às 14h35
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Domingo real, loja virtual e os números da semana.






Nesse domingo, vamos ao FestComix. Vamos somente para comprar gibis e dar o nosso apoio aos quadrinhistas que estão lançando seus trabalhos por lá. Mas, talvez por causa do evento, talvez por causa do gibi mesmo, o Zé Luis da Comix pediu hoje mais revistas ROCK'n'ROLL. Pediu mais 100 unidades, o que é sempre bom. Qual não foi minha surpresa quando, olhando nosso "estoque", descobri que eram as últimas 100 revistas.

Pois é.

Já aconteceu com nossa Feliz Aniversário e agora está acontecendo com ROCK'n'ROLL. Se você ainda não tem nossa revista e tem interesse, a Comix é sua melhor opção. E, mesmo se você não mora em São Paulo, eles ainda assim podem te ajudar, pois está no ar a loja virtual da Comix, vendendo gibis e outras tranqueiras do mundo Pop pelo Brasil inteiro. Quando fui entregar as revistas, o simpático Zé Luis me mostrou o site e, quem diria, ROCK'n'ROLL está entre os gibis mais vendidos da loja virtual. Acho que, no final das contas, a internet funciona.



Se você quer comprar ROCK'n'ROLL na Comix, visite sua loja virtual clicando aqui ou clique na imagem acima.

Escrito por Fabio Moon às 18h07
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Como se nunca tivesse existido.


No ano passado, um amigo nos convidou pra fazer um filme para o festival do minuto. Na verdade, sugeriu que escrevêssemos um roteiro e a partir daí faríamos o filme.

O Fábio escreveu um roteiro e começamos a parte de produção do filme, fizemos casting de atores e tudo mais. Com a mesma mentalidade que usamos nos nossos Quadrinhos, faríamos esse filme o melhor possível sem gastar grana, só com os recursos que tínhamos, com amigos trabalhando de graça e tudo mais.



No meio do processo todo, que durou quase três meses, ficamos tão empolgados com a experiência cinematográfica que decidimos fazer dois filmes ao invés de um. Os roteiros eram parecidos, poderíamos usar os mesmos atores e as mesmas locações. E o mais legal de tudo: o segundo filme era uma HQ que a gente tinha feito pro nosso livro novo.



Passamos nossos dois filmes no lançamento do nosso livros CRÍTICA na FNAC, em novembro. Mesmo que o público tenha gostado, com tudo que fizemos e aprendemos, vimos com as duas linguagens, apesar de muito semelhantes, são tão diferentes e tem processos muito particulares de produção.

Bom, para todos aqueles que ainda não viram, aqui vai a oportunidade de assitir ao filme Como se Nunca Tivesse Existido, baseado na história de mesmo nome. Se eles podem fazer filme do Homem-Aranha ou dos X-Men, por que não poderíamos adaptar uma de nossas histórias?

Pra assitir, clique aqui.

Você vai precisar do plug-in de Quicktime pra assitir, que você pode baixar no link www.apple.com/quicktime/download/.

Escrito por Gabriel Bá às 13h53
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Para as mulheres.


senta ao meu lado.

Hoje, senta ao meu lado.

Mesmo sentada, flutua. Olha para mim com o brilho de seus olhos escuros, esperando sempre uma surpresa. Espera que estou chegando. Chego de longe, de um sonho distante onde fui buscar-lhe um presente, chego somente no dia em que menos me espera, mas mais precisa de mim.

Senta que quero lhe contar uma história.

A sua história.

Pena termos somente um dia, pois sua história é muito mais longa. Na verdade, já venho contando sua história há algum tempo.

Pretendo contar sua história para o resto da vida.

Escrito por Fabio Moon às 15h53
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É Tarde Pros Quadrinhos.

Diante do restrito mercado de Quadrinhos que temos no Brasil, quando surge uma oportunidade para publicar o seu trabalho, muitos cometem o erro de pegar todas as suas coisas antigas e jogar de qualquer forma, tudo junto, numa revista só. Ao invés disso, poucos são aqueles que aproveitam a oportunidade e fazem algo novo.

Já nos ofereceram pra publicar novamente nossos dois primeiros álbuns, O Girassol e a Lua e o Meu Coração, Não Sei Por Que, dando a eles uma nova "roupagem" e aproveitando o sucesso do CRÍTICA. Por mais tentador que isso possa parecer, achamos que ainda não é o momento pra fazer isso e que devemos reunir todas nossas forças na produção de coisas novas, pois só assim vamos mostrar que é possível fazer Quadrinhos no Brasil.



É Tarde pra Café é uma de nossa histórias preferidas, das melhores que já escrevemos, a primeira de uma nova era mais "profissional" do nosso trabalho. No entanto, por ela estar no FRONT 9, muitas pessoas não viram essa história, ou ela não ganhou seu devido lugar ao sol, eclipsada por uma coletânea de outros trabalhos. Talvez seja somente paternalismo besta, mas sempre achamos que ela poderia render muito mais se fosse publicada numa revista independente, sozinha. Mas ela foi pensada pra fazer parte da FRONT e lá ela está, ainda à venda nas livrarias e lojas especializadas.

Temos que lutar contra a vontade de reutilizar essa história e fazer com que nosso amor por ela gere novas histórias, tão boas quanto ela, ou melhores.

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Última semana da Exposição.

A exposição Ilustrando em Revista vai até o dia 13 de Março, sendo então esta a última semana. Não deixem de conferir, pois existem muitos trabalhos fenomenais e os Happy Hours têm sido ótimos.

Escrito por Gabriel Bá às 12h44
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FEST COMIX dia 13 de Março!

Pra ajudar os amigos que nos ajudam:







Escrito por Gabriel Bá às 10h23
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Pensando com as mãos.

O caderno de rascunho é, acima de tudo, um exercício. Estamos exercitando o olhar, que seleciona e determina o que interessa na paisagem externa; a mente, na tradução e organização do que vemos e nos pensamentos que surgem derivados das coisas que se apresentam na nossa frente; as mãos, que colocam (tentam?) tudo no papel.



O músico ensaia e, da mesma forma, assim deve fazer o artista. É nesse momento de estudo da linguagem, nessa tentativa e erro (principalmente erro) do dia-a-dia, na contínua passagem do pensamento puro para a expressão pessoal que encontramos nossa voz. Se temos algo a ser dito, a ser escrito, a ser desenhado, é somente no fazer que tudo isso se torna real. Não adianta ficar pensando muito, ou ficar APENAS pensando muito. A prática é tão importante quanto o estudo teórico no que diz respeito à formação da opinião individual e estilo próprio.

O caderno de rascunho não é um produto final. É apenas parte de um processo, é um momento que você decide registrar, tanto como exercício físico como uma forma de não esquecer um olhar, um momento ou um pensamento.



Escrito por Fabio Moon às 15h03
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A rotina.




Não se deixe engolir pela máquina do mundo moderno. Se você quiser realmente fazer Histórias em Quadrinhos, deve lutar contra o "mais fácil", contra a corrente, contra a multidão. Se você quer ser ouvido, é preciso saber sempre qual a sua voz e o que você quer dizer.

Não seja apenas mais um.

Escrito por Gabriel Bá às 11h41
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