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SEMANA DE HISTÓRIAS EM QUADRINHOS de 2 A 5 de MAIO – 19h, na LIMA BARRETO - Livraria Creperia
Semana que vem, estaremos participando da Semana de Histórias em Quadrinhos da livraria Lima Barreto, onde daremos duas "palestras" sobre Quadrinhos, uma discutindo luz e sombra e o uso de preto e branco na arte e outra sobre roteiros e os relacionamentos entre os personagens. O lugar é bem legal, com uma área ao ar livre (se esquentar, será ótimo) e com uma creperia e um café. Creio que é gratuito, mas é melhor ligar e garantir. Segue o endereço e telefone da livraria e o programa inteiro do evento.
Lima Barreto Livraria Creperia Rua Inácio Pereira da Rocha, 414 Pinheiros 3819 5090
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Programação:
Altemar Domingos Módulo I - DESENHO E CRIAÇÃO - 02 e 03 de maio (segunda-feira e terça-feira) – 19h
Laboratórios com Altemar Domingos e sua equipe sobre a HQ Jaguara Guerreira e Soberana, lançada recentemente pela Via Lettera.
Tema: (Tr3s) processos de criação do desenho Lápis Arte-Final Cor
2 de maio: Elaboração de ilustrações pela equipe do livro Jaguara 3 de maio: Processos de criação de Jaguara (Passo a passo).
Equipe: Altemar Domingos – Desenhista Cidão – Desenhista José Wilson Magalhães – Arte-Finalista Diego Munhoz – Arte-Finalista
Convidados especiais no dia 3 de maio: Daniel Vardi – Editora Vardi Marco Bala – Ilustrador
Gabriel Bá e Fabio Moon Módulo II - PRETO E BRANCO, LUZ E SOMBRA, ROTEIRO E RELACIONAMENTO - 4 e 5 de maio (quarta-feira e quinta-feira) – 19h 4 de maio – Preto e branco, luz e sombra, editoração de quadrinhos 5 de maio – Roteiro e relacionamento
Convidada especial no dia 4 de maio: Monica Seicman – Editora Via Lettera
Este mês estaremos bem sumidos por estas bandas, porque estamos envolvidos em grandes projetos de Quadrinhos e estamos na loucura de terminar todo o trabalho em tempo. É nessa hora que você coloca sua dedicação e seriedade à prova. Mas vale muito a pena.
Escrito por Gabriel Bá às 13h35 [ ]
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Novas histórias
Às vezes, um simples rascunho já passa toda a emoção que está por vir.

Este mês estaremos bem ocupados com as novas histórias, mas não deixaremos de colocar partes de todo o processo por aqui.
Escrito por Gabriel Bá às 16h55 [ ]
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A estante - parte 3
Ontem não deu para escrever sobre a estante. Também não deu para colocar uma tira nova, que ainda não foi feita. Mas tivemos uma ótima reunião com nossos editores sobre próximos livros, então valeu a pena essa ausência. Hoje, continuo (e provavelmente termino) minhas observações sobre a estante de gibis. Se vocês quiserem saber algo que eu não falei sobre esses (ou outros) gibis, digam.
Quinta-feria: O artista, a arte e os quadrinhos
Eu particularmente busco muito da minha inspiração fora dos quadrinhos. Busco nos livros, busco em fotos, em filmes e nas artes plásticas. Acho que essa busca em vários lugares diferentes cria uma mistura interessante no trabalho final, e eu gosto de outros artistas que trilham o mesmo caminho.
Desses artistas, os que mais me interessam são o que buscam soluções diferentes para o desenho, para o traço, para a linha. É claro que eu gosto do Jon Muth, cujo MoonShadow foi um dos responsáveis por essa anomalia que é o meu nome artístico (a outra razão tem mulher na história); gosto do Kent Willians, gosto do Alex Ross. Mas gosto muito mais de um artista como o Mattotti, que tem uma expressividade no trabalho em preto e branco, principalmente no uso das linhas. Do mesmo modo, o Dave McKean me interessa muito mais nesse estudo da linha, da distorção e "opinião" que a linha fornece ao desenho, do que em seus trabalhos geniais do passado. E também com o Mazzuchelli, que mudou radicalmente seu stilo desde seu começo com o Demolidor, o interesse aumentou quando ele resolveu que seu trabalho ganhava mais personalidade com o exagero e com a estilização.
Todo artista tem um estilo, mesmo que seja ruim. Acho que é importante a busca do estilo, a busca da identidade visual. Essa é a marca do artista, o seu diferencial perante o trabalho de outros, que não precisa ser melhor ou pior, precisa ser individual, único, e passar o que o artista quer dizer.
Recomendações de Leitura: procurem em livrarias ou lojas especializadas o livro Estigmas, do Mattotti (publicado pela Conrad). Não deixem de ver também a adaptação do Mazzuchelli para Cidade de Vidro, do escritor Paul Auster (publicado pela Via Lettera). O livro Coraline, do Neil Gaiman (publicado pela Conrad), tem algumas ilustrações do Dave McKean nessa linha que ele busca com seu desenho, mas são poucas imagens. Procurem um livro de edição portuguesa que tem um olho na capa (o olho desenhado é o título da história), é o que deve ser mais fácil de achar (mais fácil que esses na estante, Cages e Pictures that Tick). Recomendaçnoes Artísticas: Inúmeros artistas de quadrinhos buscam inspiração no trabalho do Mucha, pintor tcheco da Art Noveau. Procurem também conhecer o Trabalho do Egon Schiele e do Gustav Klint.
E estudem Picasso. Desde o começo, desde as pinturas, aos desenhos, às esculturas, às mulheres.
Escrito por Fabio Moon às 13h06 [ ]
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A estante - parte 2
Ontem, iniciamos a série de textos falando um pouco sobre a estande de gibis no meu estúdio. Hoje, a reflexão continua.
Terça-feira: os reis do preto e branco
Vamos começar nossa reflexão mais detalhada dos livros e artistas da minha coleção pelo tema que eu e o Bá consideramos ser um dos mais importantes para o artista das Histórias em Quadrinhos: o bom uso do preto e branco. Em sua essência, a história em quadrinhos deve funcionar em preto e branco, mesmo que seja colorida depois, pois os conceitos básicos do desenho, como a noção de figura e fundo, luz e sombra e equilíbrio estão, ou deveriam estar, presentes desde o começo na página, no seu primeiro estágio, o do desenho. Se você prestar atenção, verá que, embora eu tenha elegido uma parte da minha estante como "os reis do preto e branco", quase todos os meus gibis queridos são assim, sublimes nesse contraste e sem cor.
Se hoje o leitor de quadrinhos aceita com maior facilidade o quadrinho preto e branco, acho que é culpa (ou mérito) do Frank Miller, que no alge da sua carreira de super-heróis abandonou as cores para criar seu próprio gibi, Sin City. Ele levou o público dos gibis de super-heróis a observar outros tipos de quadrinhos, da mesma maneira que ele mesmo estava fazendo. Se a descoberta de Miller do mangá o levou a criar Ronin, sem dúvida o contato com o quadrinho europeu e sul-americano o influenciou na hora de buscar o preto e branco como base do seu trabalho. Quando eu era pequeno, lia um monte de gibis europeus em preto e branco, histórias policiais de mistério e romance, histórias sobre o submundo que se lê nos livros e se vê nos filmes. Era a criação de uma estética do preto e branco como linguagem, e não como falta de recursos, que continuava no mesmo caminho das primeiras tiras de jornal, das primeiras histórias em quadrinhos.
Frank Miller trouxe de volta o preto e branco como linguagem dos quadrinhos americanos. Mike Mignola veio junto, criando o seu próprio preto e branco, quase minimalista nos traços, mais preciso, mais controlado. Os dois se destacam até hoje pois, não importa se seu trabalho é colorido ou não, o importante é o preto e branco, mas o trabalho do Mignola criou uma legião de fãs (e de imitadores). Enquanto muitos artistas tem claro em seu trabalho suas influências, Mignola se tornou rapidamente uma influência para outros artistas, evoluindo rapidamente num estilo próprio e marcante.
Eduardo Risso, artista argentino que hoje desenha 100 Balas, vem de uma grande tradição argentina do preto e branco, tradição que exportou (e continua exportando) muitos artistas para o mercado europeu. E, embora ele tenha essa influência do preto e branco clara em seu trabalho, quando ele surgiu aos olhos do leitor americano, e mesmo do leitor brasileiro, parecia que ele tinha se inspirado no trabalho de Miller (o fato do gibi que lhe levou à fama ter como tema o submundo do crime, similar ao tema de Sin City, ajuda nessa comparação). Hoje em dia, ele se destaca dos demais desenhistas por conseguir de forma magistral contar várias narrativas ao mesmo tempo, criando uma história que só acontece nas imagens enquanto outra se desenrola nos diálogos, criando planos e camadas em cada página, fazendo um trabalho inovador e ao mesmo tempo clássico.
Hugo Pratt, autor de Corto Maltese, é outro mestre do preto e branco. Nele, o exercício de síntese já é uma aula à parte, a ecolha das poucas linhas, a expressão dos personagens e, também, do artista através do trabalho. Artista italiano que influenciou muita gente (Risso e Miller, inclusive), ele deve estar na lista de todos os que querem estudar o desenho em preto e branco. Hoje em dia, tenho procurado mais trabalhos dele, assim como tenho procurado mais trabalhos do Alex Toth, artista americano que compartilha da simplicidade e genialidade do traço.
O Mazzuchelli é, para mim, o grande responsável pela minha paixão pelo preto e branco, desde seus trabalhos coloridos (Batman - ano um e Demolidor) até seus trabalhos mais independentes (Cidade de Vidro, Rubber Blanket). Seus trabalhos mostravam um mundo sujo, mas lindo, não muito diferente do nosso (do meu). Por causa dele, quis desenhar super-heróis, pois vi que eles poderiam habitar um mundo inperfeito, cheio de manchas, com arte-final com pincel. Quando ele passou a contar histórias de pessoas normais, relatos mais cotidianos, aí seu trabalho mudou muito. Para melhor.
Os dois livros do Dave McKean na estante contém histórias em preto e branco. Muito diferente de seu trabalho em Orquídea Negra ou Asilo Arkan, seu trabalho em preto e branco é muito mais expressivo, torto e imperfeito de uma maneira interessante, igualmente genial no uso da figura e fundo. Se assemelha ao trabalho em preto e branco do Lorenzo Mattotti, cujo álbum Estigmas foi lançado no Brasil pela Conrad e está lá, na minha estante, ao lado de Domu, também geinal em preto e branco, do Katsuhiro Otomo, o mesmo de AKIRA.
Algumas ausências: tanto meus livros do Will Eisner como meus Estranhos no Paraíso do Terry Moore estão em casa. Meu Ken Parker também. Muita coisa está lá, muita coisa eu só tenho em gibi e não fica na estante. Sempre vai faltar algo na estante, você não precisa ser um colecionador, mas é importante conhecer o que já fo feito, como o quadrinho surgiu e como a linguagem se desenvolveu. E é importante saber como a sua base, que é o preto e branco, continua sendo importante até hoje.
Escrito por Fabio Moon às 09h55 [ ]
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A estante - parte 1
No início, não havia nada. Então Deus disse "faça-se a luz!"
E a luz se fez.
Depois disso, nada surge do nada, tudo tem uma origem prévia, um passado, uma história. Essa semana, colocamos uma foto da nossa estante de gibis, do jeito que está hoje no estúdio, na primeira página do site. Aproveitando a imagem, e os livros que a imagem mostra, vamos falar um pouco das nossa influências, de como a história dos Quadrinhos é importante para construir sua própria história e como nada mais surge assim, do nada. Se você quer alguma coisa, esse desejo veio de algum lugar, de algo que você viu, viveu e descobriu, e aquilo que você quer está em mais descobertas, mais pesquisa, mais esforço, mais trabalho. Vamos a eles.
Segunda-feira: colocando as peças no tabuleiro.
Primeiro, uma lista do que está na estante. Não, essa não é minha coleção completa de gibis, nem tampouco todos os meus gibis favoritos, mas quase todos nessa estante são livros, encadernados, e assim suportam essa posição vertical melhor que alguns gibis igualmente essenciais para a (minha) história dos Quadrinhos que não estão aí. E, além disso, alguns outros gibis estão em casa ou com a minha mãe (que também gosta, também acompanha, também é fã). Essa estante fica no estúdio, ao alcance da mão, pois nesses gibis, mais do que referência, eu tiro a minha inspiração, a minha vontade de fazer quadrinhos, de contar histórias, e tiro o exemplo de como outros artistas se comportaram nessa tarefa de contar suas histórias em quadrinhos.
No canto direito, dá para ver alguns livros de fantasia, sobre fadas, gnomos, sobre o mundo do Senhor dos Aneis e a adaptação em quadrinhos do Hobbit. Eu adorava fantasia quando era pequeno, essa idéia de criar mundos mágicos e visitar eras distantes. Logo ao lado, um dos livros mais recentes, sobre a história do Super-Homem, desde os primeiros gibis, os filmes, alguns artistas, um pouco de tudo sobre esse primeiro super-herói. Logo ao lado, um livro vermelho e azul, que é uma coleção de histórias do Mazzuchelli publicado na Itália. Foram publicados originalmente nos Estados Unidos, mas eu nunca encontro, então comprei a edição italiana mesmo e me virei com a tradução.
Watchmen é o clássico dos quadrinhos de super-heróis, a razão pela qual muitos decidiram fazer quadrinhos, e quadrinhos de super-herói. Esse deve ser um livro de toda estante de quadrinhos, assim como o que se encontra logo ao lado: Avenida Paulista: o futuro faz cem anos, do Luiz Gê. Se você encontrar essa raridade em algum lugar, compre.
Ao lado, duas coletâneas do Laerte e, logo a seguir, uma seleção de peso: Cages do Dave McKean, Corto Maltese do Hugo Pratt, outro livro de McKean chamado Pictures that Tick e uma coletânea de tiras de Krazy Kat, de George Herriman.
Os vários livros brancos são a Coleção de Asterix, que foi recentemente doada por uma amiga, pois lemos Asterix na infância, na biblioteca da escola (isso é que é escola), mas nunca tivemos todos os livros. A coleção de Bone vem ao lado, com a mini-séria pintada pelo Charles Vess junto, seguida pela mini-série Super-Homem - As quatro estações e as edições (americana e brasileira, em formatinho e lombada amarela) encadernadas de A queda de Murdock, do Miller e do Mazzuchelli.
Alguns Mutarellis, um Scott Morse, e chegamos aos reis do preto e branco: Mignola e seu Hellboy, Frank Miller e seu Sin City e Eduardo Risso, ao lado do 300 de Miller.
Para terminar: Chris Ware e seu Jimmy Corrigan, um livro sobre Peanuts, com a história da criação das tiras e o processo de trabalho de Charles Schulz, um livro de Baron Storey, o livro da banda do Fim do Mundo, um livro sobre um bem-sucedido, embora extinto, fanzine espanhol, Estigmas do Mattotti, Domu do Katsuhiro Otomo, os dois FRONTs que participamos, e, ao final, em branco com uma bolinha rosa na lombada, o catálogo da exposição na Espanha de desenhistas brasileiros..
No resto da semana, um pouco mais sobre esses livros.
Escrito por Fabio Moon às 14h41 [ ]
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Quando a gente tropeça e cai.
 Estamos sempre aprendendo. Aprendemos com o acerto, mas também aprendemos com o erro. Muitas vezes, o erro nos diz mais sobre a vida, causa mais efeito no mundo, passa menos despercebido, nos coloca em evidência maior. Devemos aproveitar todas as nossas chances de errar, pois nelas está o segredo de cada acerto: a consequência. Tudo aquilo que funciona é invisível justamente porque funciona. Quando você usa o lápis, escreve e pensa no que está escrevendo, pensa no assunto, pensa em qualquer coisa, menos no lápis. No momento em que a ponta do lápis quebra, você percebe o "erro" do lápis, ele não escreve mais e reaparece na sua mão. Nesse momento, vendo o lápis com a ponta quebrada, você percebe qual a função do lápis e como apontar o lápis pode trazer de volta sua instrumentalidade. Você dá valor ao lápis que funciona quando ele quebra.
Quando você erra, você cai. Mas não se preocupe, basta levantar novamente e continuar dançando.
Escrito por Fabio Moon às 13h42 [ ]
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A capa de 1200 anos. - primeira cruzada.
Eu adoro processos. Adoro comparar rascunhos com desenhos finais e ver que consegui chegar aonde queria. Acho que aprendemos muito quando podemos analisar todo o processo de mudança e transformação das coisas, quando podemos olhar pra trás e ver o quanto nós crescemos e no que nos tornamos. Trabalhar em cima da versão nacional do ROLANDO tem sido um ótimo exercício de reflexão sobre nosso caminho nos Quadrinhos.
Desde o início, pensamos se faríamos uma nova capa pra nova edição, ou usaríamos a capa do encadernado, que eu fiz em 2000. Já que estávamos fazendo vários desenhos novos para o projeto gráfico, decidimos que precisávamos de uma capa nova. Essa capa abre o livro, mas fecha o ciclo do processo todo que o Rolando representa nas nossas vidas.
- Rascunho.
 Depois de escolhida a fonte para o logo e decidido que faríamos uma capa clara, era hora de começar a fazer uns rascunhos, colocar umas idéias no papel. Descartada a idéia fazer uma capa mais sóbria, somente com o perfil do Carlos Magno na capa, decidimos que faríamos uma montagem mais clássica com um ou mais personagens em primeiro plano, "posando pra foto", e uma cena ao fundo.
Não foi muito difícil escolher os personagens em primeiro plano. Primeiro pensei somente no próprio Rolando, mas logo vi que era necessário colocar também o Imperador Carlos Magno e fechar com Ganelão, terceiro elemento chave da trama. Notem que já no rascunho eu coloquei Ganelão mais sombrio que os outros dois, para retratar a maldade que existe nele. A cena de fundo ainda não havia me decidido, mas tendia fortemente para uma sangrenta batalha entre cristãos e mouros.
- Lápis.
 Temos que lembrar que esta é a capa do livro e, por isso mesmo, o desenho tem que chamar muita atenção e instigar o leitor a abrir o livro e descobrir a história que ele contém. Para tanto, os nosso personagens precisavam estar imponentes, as roupas maravilhosas, o orgulho brilhando em seus olhos. O grande Imperador Carlos Magno e a barba branca de seus anos de sabedoria, ao lado de Rolando, seu campeão, capitão da guarda e sobrinho, acompanhados do conselheiro Ganelão, mais à sombra do que os outros.
 Depois de acertar as poses e detalhar as roupas, era preciso definir como seria o tratamento de luz e sombra do desenho antes de começar a passar o nanquim. Reparem que eu mudei a mão esquerda do Carlos Magno, pois o Fábio não havia gostado e, numa segunda olhada, eu vi que todo o braço esquerdo dele estava meio mortão, largado sob o manto, quebrando com toda sua elegância. Ele é o Imperador do Sacro Império Germânico Romano. Ele não pode deixar o braço largado daquele jeito.
- Arte-Final.
 Em 1997, quando eu comecei a realmente usar canetas na minha arte-final, eu usei basicamente a 0.5 pra finalizar o Girassol e a Lua. Quando você escolhe uma caneta não muito fina, limita a finura do seu traço e, assim, limita o nível de detalhes que seu desenho pode ter. É muito comum ver os desenhistas se perdendo em detalhes porque descobriram a 0.1 e seus desenhos se tornam um emaranhado de traços que não ajudam na leitura do desenho.
Hoje em dia, eu uso várias canetas pra desenhar, mas não me perco na loucura dos detalhes. Gosto de sintetizar as coisas e acho muito importante saber decidir o que colocar e o que não colocar no desenho. Mesmo assim, aprendi que diferentes expessuras de traços dão diferentes resultados no desenho, como um contorno mais grosso no primeiro plano ou uma linha fina podendo representar algo que brilha. Vi que é melhor resumir um olho a um traço grosso do que colocar um olho com 0.1 no meio de um rosto feito inteiramente com 0.5.
Eu sou um grande fã de bons trabalhos em preto-e-branco e muito contraste, mas tenho uma queda por desenhos cheios de linhas. Sempre preciso escolher o que eu vou representar com mais preto ou com mais linhas, qual material reflete mais ou é mais fosco. Estamos na Idade Média, uma época de escuridão e sujeira e nem tudo era como vemos nos filmes de Hollywood, nem como no Conan ou no Senhor dos Anéis, mas sempre é bom imaginar armaduras reluzentes, cotas de malha trabalhadas, roupas coloridas e coroas douradas. Nós fizemos muita pesquisa pra criar os figurinos e cenários do Rolando, mas tivemos que usar nossa imaginação e criatividade, principalmente em relação aos mouros.
Fizemos o Roland dos 20 aos 23 anos, numa época pré-google, mas acho que nos saímos bem. Não queríamos fazer um carnaval de fantasias, pintar os cristãos como santos, limpos e corretos e nem retratar os mouros como sujos, bárbaros e ignorantes. Mas, antes de tudo (e isso vale para todas as HQs que fazemos), o desenho precisava ser interessante e nós estávamos dispostos a sacrificar uma rigorosa fidelidade para atrair o olhar dos leitores.
continua abaixo.
Escrito por Gabriel Bá às 17h44 [ ]
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A capa de 1200 anos. - segunda cruzada.
- Cena 2 - O fundo.
Um pensamento me acompanhou durante toda a produção desta capa: "Essa é a capa do ROLANDO. Depois de todas as capas que já fizemos, essa tem que ficar genial!" O importante era manter pra mim mesmo um padrão de qualidade que me impedisse de fazer qualquer desenho e jogar na capa só pra me livrar logo dessa parte. Não podemos encarar nosso projetos dessa forma. É preciso sempre buscar fazer o seu melhor trabalho, dar o máximo em cada desenho.
Terminadas as figuras da capa, precisei me voltar para a cena do fundo, a batalha. Seguindo outras ilustrações que eu fiz pro projeto gráfico do livro, eu pensei em tentar usar um estilo de iluminuras nesta cena, pra mesclar o antigo da época e da tradição desta história com o novo da linguagem e dos tempos que vivemos. Ficaria muito legal, mas eu estaria me enganando e caindo justamente no que eu havia me imposto a não fazer. Seria somente um desenho rápido, com um suposto conceito o justificando, pra me livrar logo da capa.
Todo desenhista sabe como é difícil fazer uma cena com muita gente junta. Uma batalha é uma das piores coisas pra se desenhar e ficar bom, pois todos têm que estar lutando juntos, em ação, interagindo num mesmo desenho. O Rolando já contém muitas batalhas no seu interior e eu estava evitando ter que desenhar mais uma, mas o destino me colocou neste caminho, que era o mais correto no final.
 1 - Primeiro tive que montar o esqueleto da cena pra ver se tudo funcionaria bem. Decidi não colocar um primeiríssimo plano em preto - artifício muito usado no interior do livro e que agiliza e facilita o trabalho - e que esta cena seria feita basicamente com linhas, sem muita luz e sombra, pra não pular muito pra cima do outro desenho com os personagens.
Vejam que eu não perco meu tempo desenhando músculos, pois pra mim o que faz um corpo funcionar são as formas, os movimentos, a atitude. O importante aqui eram as poses, os golpes, os planos. Tudo isso precisava funcionar junto.
 2 - Depois de definir a base do desenho, era a dolorosa hora de vestir os cristãos e os mouros. Seis anos se passaram desde que o Roland foi lançado nos Estados Unidos e hoje eu poderia retratar os dois exércitos de forma diferente, mas não quis fugir muito de como foi feito no interior do livro pra não vender algo na capa que não exista na história. As grandes mudanças ficaram nos elmos e capacetes, tanto nos francos como nos mouros. Estes últimos, eu também retratei menos bárbaros do que no tratamento original.
Reparem que eu fiz uma camada de pessoas ao fundo e que eles continuam somente nos contornos e formas. Esta camada será toda preta, justamente pra criar a profundidade na cena.
 3- Finalmente finalizei o desenho, este usando 0.5 para as formas básicas do primeiro plano e canetas mais finas para os detalhes. Uma das coisas que eu aprendi com o Jeff Smith é que as silhuetas devem funcionar e, por isso, o grupo do fundo eu cotornei com 0.1 pra coneguir um contorno bem marcado.
conclui abaixo.
Escrito por Gabriel Bá às 17h40 [ ]
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A capa de 1200 anos. - terceira cruzada.
- Cor.
Antes de começar o desenho, decidimos que as figuras seriam coloridas e a cena de fundo seria em preto-e-branco. O Fábio pediu pra colorir a capa e eu deixei, mesmo porque ele tem feito ótimos trabalhos de cor nos últimos tempos, além de ter feito todas nossas últimas capas.

Tentando usar um pouco cores que ele usou nas novas ilustrações internas, ele fez uma ótima composição e conseguiu trabalhar bem com as pessoas coloridas e o fundo monocromático, dando o seu tratamento extra dos respingados e pinceladas sem que isso destoasse demais do meu traço duro e marcado de caneta.
E é isso. Os rascunhos foram feitos no domingo, assim como o lápis inicial e a arte-final foi feita na segunda feira. Na quarta feira eu fiz toda a cena da batalha do fundo. O Fábio coloriu tudo durante a semana.
O Rolando será publicado pela Via Lettera e deve sair até o fim de Julho.
Escrito por Gabriel Bá às 17h38 [ ]
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Até o Sol raiar.

Todo mundo tem saudade, sente falta de alguma coisa, de alguém, de um momento que já passou. Somos capazes de carregar conosco momentos de nossa vida passada, de quando éramos crianças, do nosso primeiro beijo. Esses momentos permanecem conosco de forma que, quando lembrados, são novamente sentidos com se estivessem acontecendo. De certa forma, somos novamente jovens brincando na areia, estamos novamente apaixonados pela garotinha ruiva, voltamos ao topo da primeira montanha russa de nossas vidas.
Temos saudades porque o tempo passa, nos levando junto. Nunca estamos no mesmo lugar, do mesmo modo, olhando da mesma forma. Estamos constantemente mudando, e o que fomos se torna a memória que temos de nós mesmos e a memória que os outros têm de nós.
Somos, constantemente, o sentimento vivo de alguém que sente a nossa falta.
Escrito por Fabio Moon às 14h44 [ ]
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A origem da Obra de Arte.
Outro dia, vi uma palestra com o seguinte título: Heidegger e a origem da obra de arte. Como o próprio nome diz, tratava da definição do filósofo Martin Heidegger para a origem da obra de arte, baseado em uma conferência que ele ministrou em 1935 (ou terá sido 33? não me lembro). Foi incrível perceber como algo que foi escrito a mais de 70 anos pode continuar tão atual, tendo em vista como a Arte mudou drasticamente nesse período. Foi fantástico ouvir, e depois perguntar, questionar e participar. Foi inesquecível, apesar de saber que, mesmo se eu tentasse, não conseguiria descrever de forma digna o evento.
Como é bom adentrar novos mundos, e estudar nos possibilita isso. O mundo da filosofia é grande, e quando se propõe a discutir outro mundo, o da arte, se torna ainda maior. E, acima de tudo, toda essa reflexão torna muito mais interessante o nosso mundo em que vivemos, torna muito mais complexa e, deste modo, mais saborosa, a experiência humana nos dias de hoje.
Sempre nos perguntam se fazer faculdade de artes fez a diferença no nosso trabalho. Se fez, foi essa: abrir a nossa cabeça para pensar sobre o nosso trabalho, e para pensar sobre coisas diferentes do nosso trabalho que se aliam a ele, conceitualmente, criando camadas e mais camadas de significado em um trabalho que, sem isso, poderia se tornar superficial e descartável. Hoje em dia, continuamos estudando por conta própria, lendo, assistindo a palestras e fazendo cursos e grupos de estudos. Muito do que aprendemos nos cursos, e muito do que isso tudo nos leva a pensar, acabou por se infiltrar nas nossas histórias, e é por isso que fez toda a diferença do mundo ter feito faculdade de artes plásticas, e ter continuado nessa busca de conhecimento e questionamento do mundo.
Descobri que a palestra que eu vi vai se tornar um curso de dois meses, com encontros semanais, discutindo mais a fundo o que me maravilhou por duas horas. Se alguém se interessar, mande um e-mail para o Lugar de Escuta, ou ligue para (11) 3864-9865 e fale com a Tânia. O Curso começa nessa quinta-feira, dia 7 de Abril, às 20:30h, e as vagas são limitadas.
Escrito por Fabio Moon às 17h18 [ ]
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A Vida Besta do Papa.
Eu Não sou de fazer piadas... mas o Galvão é. Além de bem humorado e ácido, seu site www.vidabesta.com é ótimo e ganhou o prêmio HQ Mix de melhor site de artista de 2003. Abaixo, segue a mais nova dele.

Escrito por Gabriel Bá às 18h22 [ ]
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Televisão é uma mentira.

Segunda feira, dia 4 de Abril, estaremos no programa Amigos do Traço no canal It's TV, comandado pelo Mastrotti.
O programa começa às 12 hs (também conhecido como meio dia) e tem 45 minutos de duração. Abaixo do monitor, no site, existe um espaço para os internautas fazerem perguntas.
Escrito por Gabriel Bá às 10h11 [ ]
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