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Ir e vir
 A vida é o eterno caminho entre aqui e ali, mas não basta caminhar, seguir em frente de cabeça baixa, olhando para os próprios pés. É essencial saber de onde você vem e pra onde você vai. Com isso, você consegue avaliar melhor a sua situação presente e encontrar as possibilidades de novos caminhos pra chegar aonde você quer.
É bom ter um objetivo, uma ambição, um destino pra definir sua jornada, motivá-la. Mas é importante saber que cada etapa do caminho tem sua importância e é parte fundamental do seu destino, pois não dá pra chegar lá sem passar por aqui.
É por isso que eu sempre aconselho as pessoas a fazerem fanzine. Você vê as revistas prontas e fica com vontade de fazer Quadrinhos, já quer sair contando histórias grandes e ser publicado e ter sua revista na banca. É bom querer isso, mas não é aonde você está, de onde você começa. Esse, se você for persistente, é seu destino.

Você começa com fanzines. Na verdade, antes mesmo de fazer fanzines, você começa desenhando, escrevendo, fazendo coisas soltas porque não agüenta não fazer aquilo. Escreve pequenos contos que terminam em "e foi tudo um sonho", faz vários desenhos do seu personagem preferido, inventa uma turma de amigos, um heróis ou um vilão e toda uma cidade para eles. Não importa como ou o quê, você cria. Este é o início da sua jornada.
Chega um ponto do caminho que você fica com vontade de fazer algo mais concreto, mais objetivo, mais... mostrável. Porque é importante mostrar seu trabalho pras pessoas. Faz parte da experiência completa dos Quadrinhos. Esse é o momento de fazer fanzine, aquele objeto que contém seu trabalho e que você pode mostrar pras pessoas da forma que tem que ser mostrado, página por página. Quando você chegar aqui, vai perceber o valor de todo o caminho que você já percorreu somente criando. Ele te trouxe até aqui e agora você está pronto pra continuar.
Não existem fórmulas e cada um segue seu próprio caminho. Não dá pra seguir outra pessoa, pois mesmo o mesmo caminho pode te levar pra outro lugar. Você precisa saber qual é o seu destino e continuar andando em direção dele. Mesmo que você pare aqui ou ali, se desvie um pouco, tenha em vista aonde você quer chegar, volte pra estrada de tijolos amarelos e continue em frente.
Mas saiba, desde já, que o mágico que você vai encontrar lá na frente, que tem a solução pro seu problema, é você mesmo.

Escrito por Gabriel Bá às 17h23 [ ]
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Autor ou artista?
Esta é uma pergunta que todo Quadrinhista devia fazer para si mesmo, pois clarearia seus objetivos e definiria melhor o caminho que ele deve seguir. No nosso mês do sonho, também nos pegamos pensando sobre essa questão.
Não estou me referindo àquele sentido que as pessoas geralmente associam aos artistas, o de intelectual, incompreendido, estranho. Estou falando simplesmente da categoria artista como desenhista de uma história, quando este artista não escrveu a história que está desenhando. E também nem sem importa com isso, porque o que ele quer é desenhar. Pra este artista, ele está concretizando seu sonho de fazer Histórias em Quadrinhos.
Muitos Quadrinhistas um dia foram crianças que gostavam de desenhar. Aliás, a esmagadora maioria deles. Mas alguns destes desenhistas nunca conseguiram desassociar as histórias do desenho, contando desde cedo seus causos, suas narrativas, seus Quadrinhos. Estes, que crescem fazendo de tudo, são os autores. Pra eles, nunca bastou desenhar, pois eles queriam contar algo, dizer algo.
Acho que foi um reflexo natural da realidade que eu vi quando crescia, onde os Quadrinhistas brasileiros faziam tudo, contavam suas histórias, publicavam suas revistas, que eu acabei tomando o caminho dos autores e não dos desenhistas.
Claro que eu lia gibis de super-heróis onde tinha separado "argumento de Chris Claremont, arte de John Byrne", Asterix com Uderzo e Goscinny, até mesmo o Lobo Solitário tem Kazuo Koike e Goseki Kojima, um escritor e um desenhista. O fato é que eu nunca tive vontade de ser somente escritor ou somente desenhista de Quadrinhos. Quando eu era um moleque lendo Quadrinhos, eu me interessava mesmo era pelas histórias, pelos personagens, não que fez o quê.
Também acho que hoje as coisas mudaram muito. Muitos aspirantes a Quadrinhistas cresceram vendo os brasileiros conquistando os EUA. Pra quem lia seu gibi preferido com o desenho do Roger Cruz, Marcelo Campos ou do Deodato, e via como o mercado americano idolatrava nossos artistas, a possibilidade de ser somente o desenhista de uma revista em Quadrinhos virou não só algo palpável, como muito desejável também. Afinal, eles ganham bem pra fazer o que sempre sonharam fazer: desenhar Quadrinhos.
Além disso, com a invasão dos mangás, você também encontra muita gente se agrupando e criando mini-estúdios pra fazer seus fanzines. Eles gostam da mesma coisa, têm um elemento que os une e produzem movidos pela sua paixão, sempre juntos, inseparáveis. Mas se você tira uma carta, o castelo inteiro cai.
Hoje vejo muito moleque procurando desenhistas pra sua história, muito desenhista procurando arte-finalistas, muitos coloristas procurando alguém que faça algo pra ele colorir. Muita gente querendo fazer Quadrinhos, mas pouca gente fazendo. Onde está aquela força que não dá pra controlar? Pra onde foi aquele instinto pra fazer de qualquer jeito pra ter seu fanzine tosco na mão pra mostrar pros amigos? Onde está o fundamento do autor que faz antes mesmo de saber fazer?
No mês do sonho, o Fábio e eu desenhamos histórias que outras pessoas escreveram. Por mais liberdade que possamos ter tido, nós não criamos a história, a motivação dos personagens, a mensagem que estava ali nas páginas. Nós somente colocamos tudo no papel da melhor forma possível. Feitas por outros artistas, as histórias seriam diferentes, então é inegável nosso trabalho. Demos a nossa leitura do roteiro, imprimimos nossa narrativa, contamos a história. Agora tudo está pronto e não existe mais de outra forma. As histórias são essas, com estes escritores e estes artistas.
Mas foi o suficiente? É isso que eu quero?
E as nossas histórias?
E os 10 Pãezinhos?
Escrito por Gabriel Bá às 19h22 [ ]
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Fazer ou Aparecer.
Finalmente estou de volta. Finalmente terminei a história nova. Mas, no final, foi bom? Valeu a pena?

O que pude concluir, depois de trabalhar o mês inteiro numa única história longa, sem me desviar em outros projetos ou outras obrigações, é que fazer Histórias em Quadrinhos é, realmente, maravilhoso. Este mês foi o mês do sonho. O sonho de só fazer HQ e nada mais, de produzir todos os dias, de pensar e respirar HQ, vendo sua história crescer na sua frente.
Eu fiz uma história de 41 páginas e o Fábio terminou uma de 80, produzindo 61 páginas. São 102 páginas!. Tudo isso neste mês de Maio. Pra quem sabe o trabalho que dá fazer uma página por dia, sabe que foi um enorme desafio que aceitamos fazer. Aceitamos porque os dois projetos que estamos envolvidos têm prazo, uma data pra ir pra gráfica e ficar pronto para a COMICON de San Diego. Este objetivo nos motivou durante este mês inteiro.

Se não terminássemos as histórias, os únicos culpados pelos livros não ficarem prontos seríamos nós mesmos. Esta é a grande lição que o Quadrinhista brasileiro deve aprender: que só depende dele.
No entanto, este mês veio pra provar outro ponto referente ao mercado de Quadrinhos. Quando decidimos nos isolar e produzir duas histórias grandes, sabíamos que teríamos que sacrificar noites de sono, baladas com amigos, STAR WARS e outros compromissos menos importantes durante este mês. O site, como pode ser visto por nossa desértica presença, foi um destes sacrifícios.

Em um mês de pouca atividade, as visitações do nosso site caíram dramaticamente. Isso mostra que não basta produzir suas histórias se você não fizer um alarde e mostrar seu trabalho por aí. É ótimo produzir um álbum de 100 páginas por ano, mas é terrível desaparecer por um ano dos olhos do público. É preciso lembrar os leitores, as lojas e livrarias que você existe, que seu trabalho existe e está vivo.
É pra isso que nós mantemos este site. É um esforço a mais de mostrar o que estamos fazendo, como estamos fazendo, o que pensamos deste universo dos Quadrinhos. É aqui que nós compartilhamos nossa paixão pelos Quadrinhos com as pessoas e, quem sabe, contaminamos novos leitores a cada novo texto.

No mês do sonho, nós dormimos pouco, mas sonhamos muito.
Escrito por Gabriel Bá às 11h31 [ ]
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41 em 25.

O Bá acabou a história que estava desenhando. Fez 41 páginas em 25 dias. Para você ver que estar sumido dá resultado e que não é só desenhista de super-herói que desenha mais de uma página por dia.
Se você é um desenhista independente, e por independente eu quero dizer que você não é contratado e não é pago por página pronta, você determina como faz seu trabalho. Determina seu ritmo, determina quanto tempo você vai dedicar ao seu projeto.
Emfim, você é o responsável. Logo, você é o culpado se ele não fica pronto.
Só depende de você. Se você tem uma história, só depende de você colocá-la no papel. Ninguém está te impedindo. Não tem desculpa. Só não faz história em quadrinhos quem não quer.
O Bá quer.
E faz.
Escrito por Fabio Moon às 23h38 [ ]
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10 Pãezinhos no Trama Universitário
Hoje deve entrar no ar uma entrevista conosco no site Trama Universitário. É sobre a profissão de Quadrinhista e foi gravada semana passada, em pleno inferno produtivo que nós estamos.
Não sei o horário certo, mas vai ficar no site por muito tempo.
No domingo, estaremos no estande da Devir na Bienal do Livro do Rio, das 19 às 20 horas, vendendo e autografando nosso livro 10 Pãezinhos: CRÍTICA. Traga seu exemplar dos seus 10 Pãezinhos para nós autografarmos e chegue uma hora antes pra conversar com o incomparável Lourenço Mutarelli.
Agora, de volta ao trabalho.
Escrito por Gabriel Bá às 13h23 [ ]
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Leiam aqui uma entrevista (em inglês) sobre o livro que estou desenhando para uma editora americana.
Qual livro? Aqui vai a capa, para quem ainda não viu.

Escrito por Fabio Moon às 19h17 [ ]
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Me vê mais um!
Continuamos produzindo insanamente, dua páginas por dia, duas histórias paralelamente, todos os dias, horas e horas a fio. É cansativo, mas sensação é ótima, essa de só fazer Quadrinhos.
Hoje temos que parar um pouco a produção pra prestigiar o lançamento do Quebra-Queixo Technorama volume 2, na Quanta (rua Minas Gerais, 27, às 19 horas).
Enquanto isso, mais uma imagem da nova safra. Eu vou voltar pra prancheta.

E só pra reforçar, domingo, dia 15 de Maio, estaremos na Bienal do Livro do Rio (mais uma pausa na nossa produção), no estande da Devir. Não vamos lançar nada novo, mas há sempre aquele que não conhece nosso trabalho e pode descobri-lo pela primeira vez.
Escrito por Gabriel Bá às 10h08 [ ]
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Estamos sumidos sim, mas é por uma boa causa.
Hoje é o dia de uma das nossa palestras na Livraria Lima Barreto, As informações estão no post abaixo. Não deixem de ir. E, para os que ficam chateados com a nossa atual ausência dos comentários, uma imagem do que está por vir.

E dia 15 de Maio (Domingo) estaremos na Bienal do livro do Rio.
Escrito por Gabriel Bá às 00h07 [ ]
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