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O avesso do avesso.

Nos contrataram – sim, é um trabalho pago – pra fazer uma História em Quadrinhos sobre... Quadrinhos!
Sempre tentei fugir dessa metaliguagem, artifício muito usado por outros quadrinhistas que não têm outra coisa pra contar. É muito fácil falar sobre o universo do Quadrinhista solitário, sobre a dificuldade de começar a página, de pensar nos diálogos. Escrever textos introspectivos que divagam sobre o fazer Quadrinhístico pode preencher várias páginas de Quadrinhos, mas exige muito mais do que isso pra contar uma boa história, que agrade mais gente do que somente os aficcionados por Quadrinhos.
Semana que vem começa a Feira do Livro Infantil, Juvenil e Quadrinhos e é sobre isso que temos que falar, estendendo um pouco para as outras possibilidades de Quadrinhos em São Paulo, como lojas, escolas, etc...
É sempre um desafio contar uma nova história, mas esse será um dos maiores, pois temos que atrair um público que não lê Quadrinhos. Na verdade, essa sempre foi nossa meta, então eu não estou reclamando.
Pra completar a informe de trabalhos recentes, neste domingo, dia 31 de Julho, tem um trampo legal nosso na Ilustrada. Eu, que raramente compro jornal, vou à banca garantir meu exemplar (e o da mãe, da avó, dos amigos distantes...).
Escrito por Gabriel Bá às 15h52 [ ]
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De volta ao jogo, mas com novas peças.
 Estamos de volta. De volta ao frio, à chuvinha que incomoda, às necessidades básicas do dia-a-dia. De volta à nossa cidade maravilhosa, que não tem praia, nem precisa, porque tem gente que compensa a falta que faz o mar.
Todo mundo precisa de alguém, precisa do outro, precisa estar em contato com o resto da humanidade. É nesse contato que nos definimos, nos relacionamos e nos comparamos com o que há de melhor e pior naqueles que amamos ou desprezamos. E o quadrinhista precisa desse contato com o mundo - e o mundo, afinal, são as pessoas - para que seu trabalho esteja sempre recheado dessa textura que só o real confere e proporciona. Passamos muito tempo dentro do estúdio, isolados de tudo e de todos, trabalhando em histórias que as pessoas leiam e se indentifiquem. De nada adianta a vida monástica do fazer artístico. A real "musa" do artista é o convívio humano, as conversas, as figuras e peças que cruzam o nosso caminho. E, nesse sentido, nossa recente viagem para San Diego nos conferiu muitas novas peças para o grande quebra-cabeça das nossas histórias.
Quanto mais conheço editores no mercado americano (ou mesmo no europeu), mais percebo a falta que faz um bom editor no mercado brasileiro. Ainda falta um bom caminho para que exista uma figura que saiba extrair do artista o que ele tem de melhor, que possa cobrá-lo e criticá-lo em seus defeitos, e que possa garantir as condições de trabalho que o artista precisa para dar o seu melhor. Enquanto isso, continuamos na nossa situação atual de gratidão mútua: a dos artistas que agradecem a chance da publicação (sem nenhuma interferência no processo criativo) e a dos editores que agradecem aos artistas que fazem sozinhos todo o trabalho somente pelos royalties. nenhum dos dois elementos desse processo são culpados, mas são cúmplices do nosso atual panorama. Sem previsão de mudanças, só nos basta continuar produzindo, pois as histórias são, mesmo mediante as dificuldades, a parte mais importante da produção de quadrinhos, e a história só está pronta na mão do leitor.
 Voltando um pouco para a parte mais divertida da vida do quadrinhista, esse ano nos esbaldamos fazendo rascunhos e desenhos na convenção. Enquanto a HQ serve à história, os desenhos soltos são a fonte do prazer do artista, onde não há barreiras. Os desenhos podem ser soltos, rápidos ou demorados, mas são ótimos para que possamos relaxar um pouco fazendo o que mais gostamos de fazer. Esses dois desenhos mostrados aqui foram feitos para a também quadrinhista Becky Cloonan, uma garota super simpática que tem um trabalho fantástico e está despontando no mercado americano. Ela é, com certeza, uma peça estranha e bizarra no nosso quebra-cabeça, e as conversas que tivemos deram ótimos frutos para nossas próximas personagens.
Escrito por Fabio Moon às 17h31 [ ]
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Entrevista em Italiano e review.
Saiu uma entrevista conosco bem legal no site italiano COMICSCODE, sobre o lançamento da URSULA.
Pra ler, clique aqui. Na página da entrevista tem um link para a versão em português.
Além disso, saiu uma pequena resenha do Smoke and Guns no site da Variety. Pra ler, clique aqui.
Escrito por Gabriel Bá às 18h55 [ ]
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ROCK'N'ROLL WILL NEVER DIE!
Todos somos diferentes e queremos coisas diferentes da vida. Alguns querem desenhar. Outros, escrever. Alguns querem somente ler. Todos queremos fazer Quadrinhos e é isso que nos trouxe até aqui.
No entanto, tenho que destacar o elo que eu tenho com outros Quadrinhistas e o quanto ele nos destaca do resto. O Franco, Bruno, Fábio e eu nos conhecemos desde 1991. Nos conhecemos numa aula de Quadrinhos no Estúdio Pinheiros. Dentre tantos outros moleques, foram eles que mais afinidade tinham conosco e isso continua até hoje. Já jogamos muito RPG juntos, já lemos muito Moebius e já quisemos desenhar super-heróis. Nossa amizade nasceu junto com a Image e seus heróis brilhantes e metalizados, suas cores maravilhosas e suas histórias bestas, mas a gente adorava aquilo.

Nosso caminho já vem de longe e os horizontes levaram o passado e trouxeram o futuro. Fizemos muita coisa desde então, tivemos um estúdio juntos, depois nos separamos. Viramos ilustradores, designers e diretores de arte. Namoramos, noivamos, casamos. Envelhecemos. Sabemos que sempre estaremos ligados e, quando isso acontecer, faremos algo extraordinário. Tanto quanto nossa revista ROCK'N'ROLL que fizemos ano passado. Nosso projeto simples e bem feito, que mesmo em sua modesta tiragem, chamou a atenção de muita gente. E ainda fará muito mais do que isso.
Um projeto sem falas, com uma língua estranha e a linguagem internacional dos Quadrinhos, atingiu seu objetivo e falou com o público, não importando de onde este público fosse. Em novembro de 2005, nosso sonho vai voar mais alto e falar com mais pessoas, publicado pela Image Comics, a mesma que dividiu o bercário da nossa amizade e cresceu conosco.

As amizades de infância são as melhores e são pra sempre.
Escrito por Gabriel Bá às 13h58 [ ]
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O segredo.
 cartão de Gunned Down por Fábio Moon.
O livro de faroeste saiu. Nasceu. Ele é lindo, é chamativo, é forte e não passa despercebido. Todo mundo que o pegou na mão, levou. E muita gente levou.
E, ao final do primeiro dia de vendas do livro - que só chegou hoje!! - o livro de faroeste já acabou!

Por mais um ano, estamos contendo nossa própria história. Nessa história, somos os personagens de uma jornada pelo mundo dos quadrinhos, onde você precisa acreditar que seu livro, que está rodeado de outros livros, é maior, é melhor, é mais do que os outros.
Porque, para você, ele é mesmo.
Aqui, muita gente se preocupa em aparecer, em vender, em fazer contatos e em fazer sucesso. Para mim, o que faz a convenção de quadrinhos valer a pena é a jornada. A história. Mais uma, como tantas outras, que eu tenho para contar, que eu tive para viver, que todos temos para lembrar.
Se você lembra de uma história, ela não desaparece. Pelo contrário, ela brilha.
Nas noites de celebração de tudo o que está acontecendo - e muita coisa está acontecendo - nós também brilhamos. Estamos felizes por estarmos aqui, fazendo quadrinhos, contando nossas próprias histórias.

Escrito por Fabio Moon às 01h33 [ ]
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O prêmio sem Will Eisner.

Hoje fomos ao Eisner Awards. O primeiro sem Will Eisner, com um monte de gente contando seus causos, suas histórias, seus momentos com o mestre.
Mas foi vazio, chato e nunca mais será a mesma coisa.
Pra colorir, alguns desenhos do fábio.


Escrito por Gabriel Bá às 06h10 [ ]
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Direto de San Diego.
 Da esquerda pra direita: Fábio, Bá, Franco, Shane e Bruno.
Estamos aqui. Rodeados dessas pessoas estranhas que adoram Quadrinhos, onde, mesmo num país estrangeiro, todos falam a nossa língua. Muitas coisas estão acontecendo, mas a melhor notícia de hoje veio de casa: ganhamos três troféus HQ Mix!
- Melhor desenhista Nacional; - Melhor Edição Especial Nacional; - Melhor Blog de artista.
Agora, melhor do que as novidades que você ouve, só as novidades que você pega na mão.
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Escrito por Gabriel Bá às 13h13 [ ]
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Pro alto e avante!
Hoje partimos para San Diego Comic Con International.

Mas nós sempre voltamos. Nosso café, nosso pão, nosso lugar é aqui.
Escrito por Gabriel Bá às 14h19 [ ]
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"Eu não vivo no passado, meu passado vive em mim".
Essa é a frase genial do Paulinho da Viola que dá título ao documentário sobre ele mesmo, que passará hoje no GNT, às 20hs. Esta frase ecoará pra sempre na minha mente, como está fazendo neste exato momento.
Uma das coisas que nós sempre enfatizamos para quem quer fazer Quadrinho é produzir sempre, continuar trabalhando, pesar em próximas histórias, outros projetos. É olhar adiante para seu futuro e ir em direção dele. Sempre.
Nós vamos pra San Diego na terça feira, olhando para nosso futuro. É a nona vez que vamos pra conveção, mas cada ano consegue ser diferente do anterior. Sempre bate um "depressão pré-Comicon", como está acontecendo agora, mas sabemos que este ano traz ótimas novidades.
Independente do que acontecer na Comicon, voltaremos pra casa, pra nossa vida, pros amigos, pra nossas histórias. Nosso futuro estará aqui nos esperando. Temos que continuar agilizando a tradução do álbum de faroeste, Gunned Down, pra podermos publicá-lo ainda em Setembro. Temos o HQ Mix em Agosto (não se esqueçam de votar!) e o FIQ em Outubro. Temos duas histórias curtas pra terminar e uma longa.
Mas o mais engraçado é que, nos últimos 5 dias, o que tem tomado todo meu tempo é algo que iniciou tudo isso, lá nas primeiras páginas do meu passado nos Quadrinhos. Nesta última semana eu revisei textos, imagens, fechei arquivos, corri pra deixar tudo pronto pra poder viajar. Estou falando do ROLANDO, que vai pra gráfica enquanto estivermos em San Diego.

ROLANDO (originalmente Roland:Days of Wrath) foi nosso primeiro trabalho profissional, a razão principal pela qual fomos a San Diego pela primeira vez em 1997. Naquela época, tínhamos apenas o primeiro número à lápis, mostrando para editores, pois ainda não sabíamos que seria auto-publicado Só terminamos tudo em 1999, fazendo ainda uma capa para o encadernado em 2000. Desde então, ele estava pronto, feito, passado.
Ainda temos muitas cópias do Roland conosco e todos os anos ele ainda está à venda no "booth" da Terra Major e o Shane, o Fábio e eu ainda vendemos algumas edições, assinamos algumas revistas, fazemos alguns rascunhos. Temos caixas com todas as edições em inglês aqui no estúdio e até já vendemos algumas para a Comix. Mas faz tempo que não comercializamos a nossa mini-série americana por estas bandas.
Estamos muito felizes com o ROLANDO. Mesmo sendo um trabalho tão antigo, ainda é um trablho muito querido e, acima de tudo, uma ótima história, talvez a melhor que o Shane já tenha escrito até agora.

As boas histórias serão boas pra sempre, sobreviverão as tendências, as modas, as gerações. O ROLANDO é baseado em um épico medieval, A Canção de Rolando, que passou 300 anos pela tradição oral antes de ser escrita pela primeira vez. Oitocentos anos se passaram e a história continua atual e emocionante. O nosso gibi conseguiu captar bem a intensidade da narrativa e esperamos coseguir honrar a tradição deste épico, escrevendo um novo capítulo na sua longa história.
Escrito por Gabriel Bá às 18h48 [ ]
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O que você faz e para onde você vai.

Faça o que gosta. E vá para frente.
Eu gosto de contar histórias em quadrinhos. Sei que não é fácil, sei que existem várias outras maneiras de ganhar dinheiro, mas ainda assim é isso que eu gosto de fazer. É isso que me faz feliz. Então, eu faço histórias em quadrinhos.
Se não consigo me sustentar fazendo quadrinhos, faço outras coisas. Faço ilustração, faço storyboard para propagandas, faço projetos e mais projetos envolvendo outras áreas do desenho que não sejam quadrinhos. Fazendo isso, ganho meu dinheiro e pago a minha vida, mas sem os quadrinhos nada disso faz sentido. Se eu não fizeresse quadrinhos, eu não me sentiria tão bem, tão feliz, e essa tristeza constante, mesmo que apática ou apagada, me tornaria uma pessoa menos interessante com um trabalho menos interessante que conseguiria menos oportunidades de trabalho justamente por ser menos interessante.
Ou seja: faça o que você gosta porque, assim, todo o resto da sua vida fica mais fácil somente por você se sentir bem consigo mesmo.

Vá para frente. Olhe para todas as outras pessoas e veja quem está parado na mesmisse da própria vida, numa vida que não lhe diz muito, que não acrescenta nada, e quem está indo para frente, não importa se rápido ou devagar, em direção ao próprios sonhos?
Como eu quero contar histórias em quadrinhos, de nada adianta eu ficar parado reclamando. De nada adianta eu me tornar um ótimo ilustrador. De nada adianta eu publicar um livro bacana e depois desaparecer das estantes, desaparecer das mãos dos leitores. Se eu quero contar histórias, tenho que continuar contando histórias.
Eu já publiquei três álbuns de quadrinhos no Brasil, mas de nada adianta ficar parado na repercussão desses álbuns, pensando que eu gostei das histórias que contei e que algumas outras pessoas (talvez mais do que eu esperava, mas ainda menos do que eu gostaria)também gostaram. O sucesso do seu trabalho só continua real se o seu trabalho continua vivo, continua sendo produzido, continua atingindo aquela parte de você que pulsa e impulsiona seu espírito para frente, para fazer mais e para se tornar mais.
Depois que você contou a sua história, publicou e colocou nas livrarias, nas bancas, na memória de cada um, a história ganha uma vida diferente da sua, vira "obra", e seu próprio caminho começa a ser trilhado. Você, o criador, fica novamente apenas responsável pela sua própria vida, e se ficar apenas olhando sua "cria", não fazendo nada mais por você, nada novo, nada que acrescente, seu trabalho foi em vão. Você não deve se tornar apenas mais um no meio da multidão, diluído entre os afazeres da massa cotidiana. Existe uma parte de você que só cabe a você, é sua responsabilidade cuidar, ver crescer e educar essa sua faceta, torná-la melhor, se tornando assim uma pessoa melhor. Se você sonha, cabe a você correr atrás dos seus sonhos.
Somente você pode decidir o seu futuro.
Somente você pode olhar entre as inúmeras possibilidades e ver qual delas lhe sorri.

C'era una volta una storia d'amore.

Toda língua tem a sua particularidade e sua sonoridade individual. É então um sentimento estranho que surge agora, quando começam a chegar as primeiras resenhas da edição italiana do Meu Coração, Não Sei Por Que. Estranho e, ao mesmo tempo, familiar, por se tratar de uma língua com tantas semelhanças com o português. Ainda mais por se tratar de uma língua, ao meu ver, extremamente romântica, que em nada fica a dever o tom poético da mais romântica das nossas histórias.
Vocês podem conferir as resenhas clicando AQUI e depois também AQUI.
Escrito por Fabio Moon às 15h58 [ ]
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Quando você pensa, está trabalhando?
Muita gente acha que o trabalho é o produto, é o texto que você escreveu, o desenho que você fez, a história que você contou. Sendo então o produto, podemos dizer que você está trabalhando quando está produzindo algo. Mas o quanto desta produção está no pensamento?

Quando eu penso numa história, não sento na prancheta e já começo a desenhar, ou na frente do computador e me ponho a escrever. Existe um bom tempo antes de realmente escrever qualquer coisa que eu fico somente pensando em assuntos, em ações, em diálogos, escolhendo algo que realmente funcione e que valha a pena ser contado, algo diferente e que eu não tenha feito antes. Este tempo de pensar, de fato, me ocupa o dia inteiro, onde quer que eu esteja, sempre que houver um minuto de distração ou silêncio. Sempre que eu estou sozinho, estou conectando fatos e criando diálogos na minha cabeça, olhando para o mundo e pensando numa cena em preto e branco com aqueles elementos.
Não há dúvida que o trabalho é o produto e eu não aceito desculpas de gente que me diz que tem uma idéia genial, mas não escreveu nada ou que tem uma história ótima, mas não fez um rascunho ou página pronta. Mas muito deste trabalho tem que ser dedicado a pensar em boas soluções, na palavra certa ou no ângulo apropriado.
Durante quase um mês eu fiquei pensando numa história nova para um novo livro que estamos fazendo. Ela acompanha outras histórias que já temos prontas, então precisava dizer algo que complementasse o discurso destas outras e ainda trouxesse algo novo. Depois de muito pensar, andar pra lá e pra cá, absorver vários diálogos de noites a fio com amigos, finalmente cheguei na história que eu queria contar, sentei na minha cama e, caderno na mão, escrevi uma seqüência de acontecimentos. No dia seguinte, sentei no computador e passei minhas anotações para um texto, mas ainda não consegui fechar o meu roteiro. Alguns dias se passaram, muitas horas pensando, quando finalmente peguei uma folha de papel e comecei a esboçar as páginas que eu queria desenhar. Foi então, desenhando, que eu consegui pensar na minha história, do início ao fim.
Enquanto desenhava os "thumbnails" (rascunhos das páginas em tamanho pequeno), ficava pensando nos diálogos que iam em cada página e, com estas imagens, fui alinhavando a narrativa.

Histórias em Quadrinhos não são feitas somente de textos e algumas soluções só são atingidas com um desenho. Mas, pra fazer o desenho certo, é preciso pensar muito sobre o que você quer contar.
Escrito por Gabriel Bá às 16h19 [ ]
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O Quadrinhista Independente

Muitas pessoas têm a idéia errada sobre os quadrinhistas independentes e creio que isso seja, em parte, culpa da grande influência do trabalho do Crumb e dos outros artistas dos underground comix no mundo dos Quadrinhos.
Ser um quadrinhista não é, necessariamente, ser um nerd com óculos grosso, que tem dificuldades para se relacionar com as pessoas à sua volta, tímido e introvertido, sempre trancado em seu quarto desenhando histórias introspectivas e auto-biográficas. Nem todos os quadrinhistas são tristes e depressivos e se alimentam da podridão do mundo pra criar seus contos escuros e deprimentes.
Também não estou dizendo que os que são assim são ruins, longe de mim. Mas acho que as pessoas associaram muito uma coisa à outra, ao invés de entenderem que aqueles artistas eram assim, na sua época específica e fizeram seu trabalho refletindo isso tudo, mas que essa não é uma fórmula. O mais importante do trabalho deles foi quebrar com o que estava sendo feito até ali e fazer algo totalmente diferente.
Você não precisa ficar reclamando da vida pra virar um quadrinhista, nem falar somente do lado podre da vida nas suas histórias, nem se contentar com o mínimo, com as sobras, com o lixo. Você precisa saber o que quer e saber valorizar isso, ao invés de somente aceitar uma fórmula que lhe foi entregue de bandeja. E precisa querer mais, porque existe muito mais a ser feito.
Ser um quadrinhista pode ser tão grande quanto você puder imaginar e sua vida pode ser tão alegre e emocionante quanto você decidir que ela seja, mesmo vivendo num mundo cheio de desigualdades e injustiças. É preciso quebrar as barreiras que nós mesmos colocamos nos nossos trabalhos se quisermos ser ouvidos e levados a sério.
Ser um quadrinhista independente significa que só depende de você, mais niguém. Você pode contar qualquer história e pode ser feliz.
Escrito por Gabriel Bá às 13h53 [ ]
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Um novo olhar.
 Toda nova história começa com um olhar.
O do artista.
O artista que conta histórias usa as imagens como palavras para descrever o que vê, filtra o mundo e direciona o leitor para onde ele quer que a história vá. Ainda assim, essa visão individual do artista não tem como objetivo tornar o mundo que ele vê um fruto da sua imaginação, uma criação sem nexo ou sentido, mas justamente o contrário: o artista seleciona na confusão do mundo as imagens que o descrevem, que o definem, imagens que, quando postas em destaque em suas histórias, dizem aquilo que realmente são, relatam o mundo que todos vivemos e não vemos, tanta é a interferência visual.
A imagem foi a primeira língua escrita, foi a primeira forma de comunicação e tradução do mundo. Com o tempo, o mundo que as histórias contavam foi ficando mais rico, mais complicado, e as palavras foram criadas para que mais coisas fosses dites, entendidas e passadas adiante. Mas, em algum ponto, tudo isso se tornou muito complicado, muito grande, e as palavras, que deveriam descrever tudo, acabaram por esquecer de descrever algumas coisas que, sem as imagens, não faziam mais sentido.
Ainda hoje, é muito difícil descrever o poder de um olhar, o efeito que ele cria em quem sente que está sendo observado, o que esse olhar diz sobre a pessoa que observa, e o que esse olhar traz para cada um dos envolvidos. As pessoas podem se apaixonar a partir de um olhar. De uma maneira que nenhuma palavra pode jamais explicar.
Escrito por Fabio Moon às 11h50 [ ]
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