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Quadrinhistas fazendo fumaça.



Como já dissemos antes, hoje tem aquela mesa redonda sobre trabalhar no mercado americano de Quadrinhos, na FNAC Pinheiros, às 19 horas, com o Marcelo Campos, Ivan Reis, Cariello e conosco. Se ninguém tiver perguntas, eu tenho um monte para os outros participantes, já que eles são a atual ponta de lança da produção nacional no exterior.

E pensar que o Ivan já desenhou a Mônica do Maurício de Souza. Hoje em dia, ele é um gigante (baixinho, mais novo do que eu), desenhando uma verdadeira guerra intergaláctica do universo DC.

A nossa participação é bem diferente da deles, já que não desenhamos super-heróis. Nosso caminho passa pela publicação independente, cruza com vários tipos estranhos e é, na maioria das vezes, um caminho muito mais longo para chegar a algum lugar.

Esse ano, cheguei ao fim do Smoke and Guns, primeira história que eu aceitei somente desenhar depois de começar a escrever minhas próprias histórias (aceitei o Rolando antes mesmo de começar os 10 Pãezinhos). Talvez justamente por ser a história de outra pessoa, é o tipo de gibi que eu nunca escreveria, mas tinha vontade de desenhar. Cheia de desafios, a história era, no mínimo, visual, o que para mim foi definitivo. Ela precisa das imagens, precisa do desenhista, para acontecer. Muito do que eu vou falar hoje vem do que eu aprendi trabalhando com a escritora do Smoke and Guns, a Kirsten, e com o editor, o Larry Young. Para quem quiser ler uma resenha sobre o gibi, que saiu agora nos Estados Unidos, clique aqui.

Hoje promete ser uma noite interessante que, se não for, vai acabar se transformando, pois quadrinhista não aguenta silêncio constragedor, vai logo fazendo uma piada.

Escrito por Fabio Moon às 15h10
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O escritor e o quadrinhista.



Será que ser escritor é mais fácil do que ser quadrinhista?

Como será descrever uma personagem sem mostrá-la, sem colocar aquele brinco (de argolas concêntricas) na orelha direita, sem que os olhos da personagem, claros e límpidos como um dia de verão (ou de primavera, ou mesmo um dia bonito de inverno como o de hoje) passem somente com o olhar que eles estão penetrando na alma do leitor?

Sei que, para desenhar História em Quadrinhos, não precisa desenhar bonito, precisa contar a história. E o escritor? Será que ele também não precisa escrever bonito? Qualquer palavra serve, desde que diga a que veio e passe a mensagem? Será que escritor precisa de mensagem?

Embora faça todas essas perguntas, sei que muito quadrinhista é também um escritor. Tem somente mais vocabulário, já que pode usar, além das palavras, a imagem para contar sua história. Parece que tem menos, pois precisa escolher bem as palavras que usa e precisa escolher bem as imagens que usa, mas na realidade é um escritor bilíngue, um equilibrista de dois meios, um mágico do papel.

Para os quadrinhistas que somente desenham, resta a aventura de descobrir em outras pessoas as idéias que transporá. São os olhos (ou as mãos) que procuram a boca, para que juntos traduzam o mundo. Não são, de maneira nenhuma, uma classe inferior de quadrinhista, aleijada e dependente. O quadrinhista que apenas desenha é o escritor das idéias dos outros, que as desenha como se fossem dele.

Escrito por Fabio Moon às 13h54
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Fiquem conosco!

Recebemos a confirmação do Roberto Ribeiro, da Casa 21, de que o FIQ, Festival Internacional de Quadrinhos, que corria o risco de não acontecer esse ano, vai acontecer na data prevista, ou seja, de 5 a 9 de Outubro. O pessoal da organização do evento agora está correndo para que tudo esteja pronto, lindo e cheio de bafafá, como se espera do festival, e eles contam com o apoio da comunidade quadrinhística para divulgar o acontecimento e ajudar da maneira que puderem.

Fomos ao FIQ há dois anos atrás (veja nossa impressão do evento aqui, do dia 19 a 28 de Setembro). Foi muito bom, vimos, ouvimos e aprendemos muito. É, na minha opinião, o evento que mais oferece para quem faz e para quem gosta de Quadrinhos: palestras, workshops, exposições, autógrafos, bebida, mulher e aquela hospitalidade mineira.

Só faltou o sambinha.

Quem sabe esse ano.

Para os que não viram, ou não se lembram, aqui vai a chamada que fizemos para a nossa "turnê mineira" de dois anos atrás, usando a mesma frase que eu usei agora, novamente, achando que hoje eu finalmente tinha sido original.



E completando...



Semana que vem vamos participar de dois eventos relacionados a Quadrinhos.

Dia 31 de agosto, participaremos de uma mesa redonda sobre trabalhar no mercado americano de Quadrinhos, na FNAC Pinheiros, às 19 horas, juntamente com Marcelo Campos, Ivan Reis e Cariello.

No dia 1º de setembro, daremos uma palestra (mais pra bate-papo) sobre o ROLANDO e participar de projetos longos, às 19:30 na Lima Barreto Livraria Creperia, rua Inácio Pereira da Rocha, 414 Pinheiros (3819 5090).

Escrito por Fabio Moon às 12h52
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Em Curitiba.


Amanhã, estaremos em Curitiba lançando o Rolando por lá. Apareçam na ITIBAN Comic Shop (Av. Silva Jardim, 845), às 18 horas, e confiram o livro (que ficou lindo) e as novas Camisetas Candyland-10 Pãezinhos. Como sempre, um bate-papo agradável faz parte do repertório, além de outras coisinhas mais que bolaremos na demorada viagem de ônibus.

Escrito por Fabio Moon às 18h43
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Os Filmes e os Quadrinhos.


Hoje ninguém precisa ter vergonha de dizer "eu faço História em Quadrinhos", porque os Quadrinhos estão na moda. Isso se deve, em grande parte, pela grande onda de adaptações de Histórias em Quadrinhos para o cinema, uma mídia muito mais acessível e de prestígio muito maior.

É inegável, sobretudo, as semelhanças entre essas duas artes e suas formas de narrativa e as influências de uma sobre a outra, como quando uma HQ tem uma narrativa super cinematográfica ou um filme tem uma estilização típica dos Quadrinhos.

O quadrinhista é – ou pode ser – uma indústria de cinema em um homem só, uma vez que ele pode fazer uma HQ inteiramente sozinho, uma super produção. Dada a chance, muitos quadrinhistas gostariam de tentar fazer um filme, explorar esta outra ferramenta. Eles vão descobrir, no entanto, as diferenças entre as mídias, entre os processos, entre as equipes e, principalmente, a forma como o público vai reagir ao seu filme. É o poder da imagem em movimento, da trilha sonora, do cinema e da televisão. Se você oferecer um livro, uma HQ e um filme pra alguém, o filme será o mais escolhido, mesmo não sendo o melhor dos três.

Esse é o mundo em que vivemos.

Semana passada teve a premiação do HQ Mix, o maior prêmio nacional de Quadrinhos. Entre todas as categorias, existe a "melhor adaptação pra outro veículo", o que engloba os filmes baseados em Quadrinhos.

Nós preparamos um filminho sobre o HQ Mix, com alguns trechos do que nós dissemos, naquela noite que foi tão legal, cheia de colegas e fãs aplaudindo em pé o Quadrinho Nacional.

Escrito por Gabriel Bá às 13h06
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Vestindo a camisa.



Pois é, o ROLANDO finalmente foi lançado. Foram 3 anos de produção pra terminar a versão americana e, depois de 3 anos de espera, mais 3 anos traduzindo a história. Nada mais justo para um épico que sobreviveu na tradição oral por 3 séculos e foi escrito há 800 anos atrás. É uma prova do amor do Shane por História, do nosso por QUadrinhos e do envolvimento da Via Lettera com o Quadrinho Nacional. Obrigado também à Andrea e ao Eduardo pelo apoio, e à equipe do Exquisito pela correria.

Mas um lançamento só nunca é o suficiente pra agradar a todos, sempre te alguém que não pode ir naquele horário ou naquele lugar. Isso sem falar quem não é de São Paulo. Com isso em mente, estaremos mais uma vez firmando parceiria com a ITIBAN e a Candyland pra fazer um lançamento do ROLANDO em Curitiba, na terça feira, dia 23 de agosto.

Assim como da outra vez, o evento será na própria loja da ITIBAN (Av. Silva Jardim, 845), às 18 horas, mas não sei se falaremos tanto com o público, se atendo mais ao livro novo mesmo.




Ainda no campo das parceirias, vamos lançar a segunda coleção de camisetas com a Candyland. Minha dica desta vez é: Se você gostou de uma destas camisetas, ligue já pra eles ou mande um email, veja como comprar pelo correio e já garanta a sua. Eles só fazem 30 camisetas de cada estampa, de todos os tamanhos e, para o bem ou para o mal, a exclusividade é uma característica forte dos produtos Candyland.






Muita gente reclamaou que não conseguiu comprar as outras camisetas. Tem mesmo é que correr atrás.



Escrito por Gabriel Bá às 11h28
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O Laerte e o Angeli não foram.



Esse foi um dos fatos mais marcantes desta edição do HQ Mix, na minha opinião. Não só eles sempre ganham, mas sempre estão presentes pra receber acanhadamente mais um prêmio. Este ano, ganharam novamente, mas sua ausência foi sentida e ninguém entendeu nada. Colcaram o Rafa (filho do Laerte) numa posição delicada de porta vóz do pai e o Paulo Caruso deu uma bronca no Angeli por não ter aparecido. Eles são pra muitos a representação do Quadrinho nacional e sua ausência na entrega do HQ Mix mostra, entre outras coisas, que os Quadrinhos estão mudando.

No geral, a noite foi bem animada, sempre levada pela ótima trilha sonora do MZK. O Serginho Groisman estava um pouco mais impaciente do que os outros anos, o que acabou resultando em uma entrega rápida dos prêmios, ainda mais com um monte de premiados com discursos curtos, quando não somente um "obrigado", como o do Mutarelli.

A ordem de entrega dos prêmios nos deixou um pouco tensos, pois tínhamos que ficar atentos às palavras do Serginho pra saber quando ele estivesse nos chamando de novo e de novo e de novo. No meio de tanta gente conversando e falando alto, ficava meio difícil ouvir o que os premiados diziam lá no palco. Nós mesmos tínhamos que ficar panfletando o lançamento do ROLANDO hoje, mas era muita gente pra conversar e não dava pra ser tão eficiente assim. Afinal, era uma festa.

Subir ao palco três vezes foi bem surreal, regado a gritos e assovios da mulherada familiar, amigos e outros nerds que, como nós mesmos, têm acompanhado nossa longa jornada nos Quadrinhos, cada dia mais recompensada. Não queria parecer metido nem me achando muito, mas fiquei o dia inteiro de ontem pensando em coisas boas pra falar quando subisse no palco. Afinal, é uma oprtunidade sem igual de falar algo que será ouvido de peito aberto por um grande público apreciador de Quadrinhos. E nós tivemos três destas chances, então decidi caprichar. Falei do blog como extensão dos antigos editoriais, uma forma de compartilhar o que a gente faz com mais gente. O Fábio fez bem em lembrar dos desenhistas nominados que estão desenhando para o exterior e, por último, eu ressaltei o quão importante é tentar fugir dos moldes "Mônica-tira de jornal-humor" que os Quadrinhos têm e tentar fazer algo diferente, que é possível contar qualquer tipo de história em Quadrinhos.

Foi uma noite de ficar orgulhoso, tanto dos colegas quanto das nossas próprias conquistas. Como o Fábio disse, "um bom jeito de impressionar alguém, levando a uma festa onde todo mundo fica te paparicando e você é o cara mais premiado da noite".



Só lembrando que hoje é o lançamento do ROLANDO, às 20hs no bar Exquisito, rua Bela Cintra, 532. Quem comprar um livro, ganha um chopp e uma edição da mini-série original americana. Vejo vocês lá.

Escrito por Gabriel Bá às 15h03
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A premiação épica e o épico medieval.



Terça-feira, acontece a premiação do HQ Mix. Como em outros anos, a cerimônia será realizada na choperia do SESC Pompéia, com apresentação do Serginho Groisman, discotecagem do MZK e show do Los Pirata. Tudo começa a partir das oito da noite, e cada vez melhora mais.

Cada vez mais, as novas gerações de quadrihnistas percebe que, além de um evento de premiações, o HQ Mix é um ótimo evento de divulgação do seu trabalho. As pessoas que estão lá gostam de quadrinhos, fazem quadrinhos, lêem quadrinhos, publicam quadrinhos e compram quadrinhos. Não há nenhum outro lugar em que você encontre essa combinação, então é o melhor lugar para mostrar que você também tem o que mostrar. Esse ano, eu já sei que o pessoal do Fio fó vai levar seu fanzine de VINTE CENTAVOS pra vender no evento. Procure pelo André Ferreira e pelo Rodrigo Rampazzo e veja o fanzine deles.

Também aproveitando a oportunidade, a dupla de Londrina Claudio Yuge e Papito, da Tipos, trouxeram uma nova edição da revista que foi preparada especialmente para o evento. Um deles veio de Curitiba e o outro veio de Londrina só para aproveitar essa semana de ênfase nos quadrinhos (como não aproveitar a segunda feira do livro infantil, juvenil e quadrinhos, o HQ Mix na terça e a nossa festa de lançamento na quarta?).


FINALMENTE!
Lançamento do ROLANDO!


Nós, da padaria, estaremos no HQ Mix este ano para receber alguns prêmios, para prestigiar os outros e para divulgar o nosso próximo lançamento: ROLANDO, o épico medieval francês que desenhamos para o mercado americano, finalmente foi publicado em português e tem festa de lançamento na quarta-feira no bar Exquisito (r. Bela Cintra, 532) a partir das oito da noite. O Bar fica quase em frente ao Fun House (bar retratado na nossa história Feliz Aniversário, Meu Amigo) e, na festa de lançamento, quem comprar o livro ganha um chope Brahma, além, é claro, de uma dedicatória exclusiva, um desenhinho super criativo e uma edição da mini-série americana original. A escolha do bar foi a mais natural: nada mais esquisito do que dois brasileiros desenharem uma história escrita por um americano sobre um épico francês.

Escrito por Fabio Moon às 19h54
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Très Bien.



Ontem minha irmã me contou a melhor história do ano, algo supreendente.

Uma colega de trabalho chegou pra ela e disse que, há um mês e pouco, ela tirou férias e foi para França. Andando pelas ruas de Paris, encontrou um dia uma feira e, nesta feira, um cara vendendo Quadrinhos numa mesa.

Admiradora de Quadrinhos, ela chegou mais perto pra ver do que se tratava. Revirou um pouco as revistas, não se interessando muito por nada. O vendedor, ele mesmo um artista, puxou conversa e perguntou de onde ela era. Quando ela respondeu "do Brasil", o sujeito arregalou os olhos, abriu um sorriso e, apontando pra ela, disse assim:

–"Fábio Moon et Gabriel Bá"?!!

Como termina a história eu nem lembro, pois estava petrificado de emoção.

Agora que eu já descongelei e voltei à ativa, só pra lembrar, amanhã, sexta dia 12, estaremos na Feira do Livro no estande da Comix, das 19 às 20 horas, assinando livros, fazendo rascunhos, respondendo perguntas e lançando o ROLANDO (que eu nem falei com a gráfica ainda pra ver se ficou pronto).

Semana que vem tem muita coisa: segunda-feira sai uma matéria no Folhateen sobre o HQ Mix e sobre a profissão de cartunista, com vários depoimentos e desenhos legais; terça tem a entrega do prêmio HQ Mix na choperia do SESC Pompéia; quarta lançaremos o ROLANDO no bar Exquisito e o pessoal do Tarja Preta lançarão o número 4 na Galeria Choque Cultural e depois vão pro Funhouse.

A semana que vem a gente fala de tudo isso de novo, com horários e endereços.

Escrito por Gabriel Bá às 18h24
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Comicon Underground.



Muita gente pode ter um certo preconceito com a Comicon de San Diego, simplesmente por ser uma convenção de Quadrinhos americana e achar que foca somente no grande mercado mainstream de super-heróis e por aí vai. Essas mesmas pessoas pode achar que não vão aprender nada indo para a Comicon, pois não querem trabalhar com super-heróis, nem para qualquer editora americana.

Muita gente questiona o "Underground" que vem no título do nosso blog, sem nem mesmo saber por que o chamamos assim, dizendo que nós não somos underground, somos mainstream. Não sei exatamente como definir o que é mainstream no mercado brasileiro, sendo este tão pequeno e tendo em vista que a maioria esmagadora dos autores produz histórias autorais ao invés de comerciais. O que vende realmente no Brasil ainda é Mônica, Disney, super-heróis e Mangá. Esse é o mainstream do mercado nacional e tudo que está fora destas categorias está nadando contra a corrente, tentando passar sua própria mensagem. Todo o resto é UNDERGROUND.

Da mesma forma, quando você vai à Comicon, você descobre um enorme universo de Quadrinhos alternativos, coisas que você nunca viu antes nem nunca ouviu falar e que, provavelmente, nunca chegarão ao Brasil. São centenas de autores com revistas, fanzines, mini-comics, capas feitas em serigrafia, encadernados manualmente, que trazem histórias sobre passoas comuns, animais, flores, zumbis, deuses egípcios ou até pornografia. Tem de tudo um muito, pois a convenção está cada vez maior.



Dentro deste universo paralelo está a Terra Major, editora que, desde 1999, já publicou 6 HQs diferentes. A editora, formada basicamente pelo Shane, quer contar ficções históricas e sabe que este é um nicho pequeno no já diminuto grupo da Small Press, ou seja, editoras pequenas e independentes. Mesmo assim, os livros lançados pela editora têm chamado cada vez mais atenção, não só pela integridade dos temas, mas pela qualidade gráfica e profissional sempre crescente. Isso é resultado da paixão dos autores por sua arte. Esses autores são pessoas normais como eu e você, que têm outro traballho pra pagar as contas e que dos Quadrinhos não tiram um centavo. Aliás, eu sou um destes autores, assim como alguns outros brasileiros.

Estes artistas brasileiros, por estarem produzindo um material de qualidade e vendendo sua revista no mercado americano, são mainstream? Não. Continuam sendo quadrinhistas alternativos, fazendo histórias que não seguem as tendências e os lucros. Eles gostariam de publicar suas revistas aqui? Claro, e assim o farão, no seu devido tempo, afinal este é o nosso país. Mas será mesmo que o público que reclama e pede pelas publicações nacionais irá dar o devido valor a tal esforço?

Em 2003 o Bruno e o Shane lançaram o Lorde Takeyama pela Ópera Graphica, um lindo conto samurai, uma das melhores histórias da dupla e da Terra Major. Garanto que pouquíssima gente viu essa revista por aqui, culpa da divulgação e distribuição, o que é uma pena. Talvez ainda esteja disponível e vale à pena correr atrás.

Dia 12 de Agosto, sexta feira agora, estaremos na 2ª feira do Livro Infantil, Juvenil e Quadrinhos, no estande da Comix, assinando livros e lançando exclusivamente na feira o ROLANDO, outro épico da Terra Major que chega à língua portuguesa (língua essa que muito trabalho nos deu na tradução) pela Via Lettera. Posteriormente, o lançamento oficial do ROLANDO será no dia 17 de Agosto, quarta feira às 20hs, no Bar Exquisito (r. Bela Cintra, 532, tel: 3219-0876). Daremos mais informações e destaque sobre o lançamento quando a data se aproximar mais.

E em Setembro, a última e mais ousada empreitada da Terra Major chega ao Brasil: GUNNED DOWN, uma antologia com 10 histórias de faroeste, somente com desenhistas brasileiros. Serão estes desenhistas maistream? Compre BANG BANG e descubra.

Podemos contar qualquer tipo de história, com qualquer tipo de traço, imprimir em papel de pão ou com tinta dourada. Não há limites para os Quadrinhos, somente seus autores. Eu vou continuar lutando para quebrar os limites dos Quadrinhos, aqui ou em qualquer lugar.

=====

Nota final sobre a COMICON:
- Em 2003, muita coisa aconteceu conosco e sentimos a necessidade de compartilhar isso com o público, não pra contar vantagem, mas pra mostrar o que pode acontecer quando se corre atrás do que acredita. Este ano, muita gente cobrou um relato da Comicon nos mesmos moldes do outro, sem perceber que, desta vez, nós contamos tudo em tempo real, mostramos tudo no blog à medida que ia acontecendo, entregamos tudo em primeira mão. O que eles querem, como sempre, são fotos, causos, encontros e fofocas. Isso é legal, uma vez ou outra, mas não é o principal intuito do nosso blog.

Este ano, então, decidi mostrar um outro lado da Comicon, que pouca gente viu. Este ano, decidi mostrar a Terra Major, os integrantes dessa insana micro-editora que acredita nos Quadrinhos e que, ano após ano, investe nos seu sonhos. Algo que começou com o Shane e um roteiro escrito na faculdade, hoje envolve quase 15 pessoas, 6 publicações e muitas outras histórias pra contar.



Este ano, eu fiz um pequeno videozinho mostrando um pouco da Comicon e da Terra Major, uma história que já tem 9 anos e muitos frutos. Pra assistir ao vídeo, clique na imagem acima ou aqui.

=====

nota sobre a 2ª feira do Livro Infantil, Juvenil e Quadrinhos:
- Estaremos amanhã, dia 9 de Agosto, no estande da Fábrica de Quadrinhos assinando livros e conversando, das 15hs às 16hs;
- E estaremos no estande da COMIX lançando o ROLANDO na sexta, dia 12, das 19hs às 20hs. É sua chance imperdível de conseguir os outros livros também, uma vez que a Comix sempre tem todos os nosso títulos.


Escrito por Gabriel Bá às 11h52
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Novas folhas de uma mesma história.


Desenho para a Folha de 31 de Julho de 2005.
O pessoal do Estadão gostou muito da nossa história para o Guia. Achou que ficou acima do esperado, achou que ficou diferente de tudo que tem sido feito em jornal. Do mesmo modo, o pessoal da Folha de São Paulo gostou dos desenhos que fizemos para a Ilustrada do Domingo passado, para aquela história das "Novelas do Mensalão". Gostaram tanto que até nos chamaram de novo pra mais um desenho, que saiu hoje na Folha, no caderno "Cotidiano", sobre uma tendência cada vez mais recorrente de construir bunkers embaixo das casas. Algumas casas antigas estão se adaptando, e algumas casas novas já vem com o bunker no projeto.

Pois é.

Se as pessoas tem mesmo essa vontade crescente de se trancar nos calabouços, logo logo teremos muitos quadrinhistas surgindo desse isolamento dos tempos de hoje.


Rascunho para a ilustração para a Folha de 6 de Agosto de 2005.

Escrito por Gabriel Bá às 14h43
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Triunfo.


Ninguém sabe o que é HQ. Ninguém sabe do que uma HQ é capaz. Ninguém sabe o que eu acredito que posso fazer com Quadrinhos e até onde eu posso ir.

As pessoas conhecem as tiras que saem no jornal todos os dias. Elas conhecem seus autores, personagens, suas piadas. Mas HQ pode fazer muito mais do que aquilo e estas pessoas precisam ter uma chance de saber disso.

As pessoas conhecem os super-heróis. Elas conhecem seus uniformes, suas identidades secretas, suas cidades e seus inimigos. Mas HQ é muito mais do que super poderes e planetas distantes e estas pessoas precisam ter aonde descobrir isso.

As pessoas conhecem o cinema e, nos últimos tempos, estão cansadas de ver vários filmes baseados em HQs. Elas sabem que as histórias dão bons filmes, que os personagens são carismáticos, que os autores são criativos. Mas, ainda assim, são filmes. Elas precisam mesmo é ler mais HQs.

Sábado começa a 2ª Feira do Livro Infantil, Juvenil e Quadrinhos de São Paulo, que acontece no prédio da Bienal, no parque do Ibirapuera. Um evento que pretende mostrar tudo que você pode encontrar hoje sobre literatura infantil e juvenil, incluindo Quadrinhos. Vários autores estarão presentes lançando livros, dando palestras e autógrafos. Terá uma exposição de originais e outras raridades de um colecionador de Quadrinhos (Ivan, o fã, que conhecemos em 2002 junto com o Eduardo Risso) e até uma edição especial do Fest Comix dentro do evento, pra quem quiser comprar muitos gibis com desconto.



Amanhã, no entanto, a Feira do Livro verá impresso seu maior esforço a favor do Quadrinho Nacional, mesmo que indiretamente. Semana passada, fomos contactados pelo pessoal do ESTADÃO pra fazer um trampo para o GUIA, falando de Quadrinhos em São Paulo e divulgando a Feira do Livro. No entanto, eles não queriam somente umas ilustrações, eles queriam que a matéria inteira fosse uma História em Quadrinhos.

Amanhã, então, milhares (milhões) de pessoas poderão ver uma HQ diferente de todas as outras que elas vêem todos os dias, diferente do que elas acham que é Quadrinhos, diferente do que elas vêem nos filmes.

Amanhã, dia 5 de Agosto, uma HQ de 6 páginas no GUIA do jornal O ESTADO DE SÃO PAULO.

Escrito por Gabriel Bá às 19h20
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Sacrifícios.



Quando, no final de semana passado, depois de ter feito a entrevista conosco, a produtora do Saia Justa nos ligou perguntando se a gente conhecia alguma mulher que fazia quadrinhos, e nós sugerimos a Erica Awano, eu já suspeitei que o nosso tempo no programa tinha diminuído. Afinal, num programa de mulheres, faz muito mais sentido mostrar uma mulher que desenha.

Ontem, quando disseram que não apareceríamos mais no programa, achei que a palta inteira dos quadrinhos tinha sido eliminada, mas qual não foi a minha surpresa ao ver as mulheres do programa falando sobre quadrinhos, falando sobre o filme do Sin City e mostrando a Erika Awano como representante feminina da classe quadrinhística.

Não aparecemos, é verdade, mas o Quadrinho apareceu. O artista (no caso, a artista) apareceu. No final das contas, é isso que importa. Valeu o sacrifício.

Escrito por Fabio Moon às 10h30
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Traição.



Qual o nosso objetivo com as Histórias em Quadrinhos? Se você quer mesmo saber, queremos que as pessoas as leiam. Esse é o objetivo básico: criar histórias para as pessoas lerem.

Queremos, também, poder contar todo o tipo de histórias. Do mesmo modo que li romances, dramas, comédias e aventuras nos livros, quero contar esses tipos de histórias em quadrinhos. Do mesmo jeito que os filmes nos levam para outros mundos, para outras realidades, para várias situações, também os quadrinhos podem nos colocar em cenários diferentes, em mundos coloridos e extraordinários, em lugares nunca antes vistos, ou sequer sonhados.

Por fim, queremos contar as histórias que só os Quadrinhos podem contar, nessa singular mistura de textos e imagens, na coreografia dos personagens, dos balões, das páginas. As histórias em quadrinhos podem contar histórias que surgem da mistura da imagem com a palavra, com o leitor, e que não existem sozinhas. Naquela boa história em quadrinhos, você pode ficar com a imagem mais marcante na sua cabeça, ou se lembrar de uma sequência inteira, e nenhuma das imagens foi desenhada. Elas existem entre um quadrinho e outro, entre uma fala e outra, na cabeça de cada um.

Para que as pessoas leiam quadrinhos, somos capazes de tudo. queremos que as pessoas saibam que quadrinhos não são apenas coisa de criança, não são apenas os gibis de super-herói, e não são apenas mangás que combinam com os desenhos animados. Qualquer história pode ser uma história em quadrinhos, até mesmo a nossa. Até mesmo aquela ressaca, aquele coração partido, aquela amizade que nos acompanha por tanto tempo.

E é para que as pessoas saibam de tudo isso que nós damos tantas entrevistas sobre quadrinhos. É por isso que vamos até Campinas para responder duas perguntas num programa de seis minutos, é por isso que damos palestras em escolas de quadrinhos, é por isso que vamos aonde for para fazer sobre nossa paixão, e como talvez você não goste tanto de quadrinhos porque ainda não conhece bem do que os Quadrinhos são capazes.

E foi assim que, semana passada, aceitamos fazer uma entrevista para o programa Saia Justa sobre quadrinhos, mas mais especificamente sobre o lançamento do filme do Sin City. Falamos sobre o nosso trabalho, fizemos desenhos na hora para mostrar o processo, respondemos perguntas sobre o quadrinho nacional e falamos sobre o filme do Frank Miller. Tudo isso no meio da correria de entregar os desenhos para a Ilustrada. Uma hora para divulgar o quadrinho nacional, mesmo sabendo que, em se tratando de TV, talvez só usassem uns cinco minutos. Mas, para que as pessoas leiam Quadrinhos, fazemos de tudo.

Só não fazemos milagre. E a repórter do programa, que veio aqui na semana passada, nos avisou hoje que não vão mais usar a nossa entrevista e que o programa, que passa hoje, não vai mais ter a nossa participação.

Escrito por Fabio Moon às 17h06
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Tiroteio gringo- a entrevista.



Saiu uma entrevista com o Shane Amaya, escritor e editor da Terra Major, sobre a antologia de histórias de faroeste que lançamos na Comicon esse ano, a já épica Gunned Down (a entrevista é em inglês). O Shane, para quem não sabe, é também o escritor do ROLANDO, nosso épico medieval que tem data de lançamento marcada para o dia 17 de Agosto (um dia depois do HQ Mix).

Ainda sobre o Gunned Down, as traduções estão prontas e a produção do livro corre a todo o vapor para o lançamento da versão nacional. Para comemorar a boa fase, aqui vai um desenho que fiz para promover o livro de faroeste. A imagem não faz parte do livro, mas passa o clima.



Escrito por Fabio Moon às 14h06
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Mãos para o alto que isso é um assalto!



- Mãos para o alto!
- Olha, seu ladrão, você não está entendendo...
- Quem não está entendendo é você! PASSA A GRANA!
- Pois é. Não tenho.
- Não?
- Não.
- O que é que você faz, moleque?
- Faço histórias em quadrinhos.
- Sei. Entendi tudo.
- Pois é.
- E essas suas histórias?
- Sim?
- Elas têm mulher pelada?

Escrito por Fabio Moon às 20h38
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