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QUANTA PRODUÇÃO!

Você quer saber como um desenhista de Quadrinhos trabalha? Tem curiosidade de ver quanto tempo cada desenhista demora em um quadrinho, em uma página? Já viu alguém fazendo arte-final com pincel, pintando com aquarela, usando referência fotográfica?

Enfim, você tem vontade de ver vários artistas nacionais produzindo ao mesmo tempo? Bom, eu tenho, e então eu achei essa idéia da Quanta super legal:

A Quanta Academia de Artes vai realizar no dia 02 de dezembro de 2005 o evento Quanta Produção.
 
A Quanta escancara as portas para você conhecer o processo de trabalho dos artistas que fazem parte da nossa escola. A idéia é a seguinte: os artistas Roger Cruz, Ivan Reis, Marcelo Brücke Caribé, Artur Fujita, Paulo Pina, Octavio Cariello, Renato Guedes, Davi Calil, Eduardo Ferrara, Edde Wagner, Ronaldo Barata e Greg Tocchini estarão nas salas de aula produzindo seus trabalhos e você terá oportunidade de ver e acompanhar a forma de produção de cada um deles. Eles estarão espalhados pelas salas de aula da Quanta e você terá um tempo para acompanhar o processo de trabalho e bater um papo com os artistas.
 
O evento acontecerá em dois horários: das 16 às 18hs e das 19 às 21hs. No intervalo entre as 18 e as 19hs, Marcelo Campos e Sergio Codespoti estarão avaliando portfólios com, no máximo, 5 trabalhos. Estes portfólios NÃO SERÃO AVALIADOS PELOS ARTISTAS que estarão trabalhando nas salas de aula, por uma questão de aproveitamento de tempo, para que os participantes possam esclarecer melhor suas dúvidas e curiosidades a respeito do processo de trabalho de cada um dos artistas.
 
Serão formados grupos com 5 participantes. Cada grupo terá no máximo o tempo de 20 minutos em cada uma das 5 salas onde os artistas estarão trabalhando. Exceder este tempo não será permitido, pois todos os grupos visitarão todas as salas.  
 
A entrada para este evento será de R$ 50,00 pagos antecipadamente mediante inscrição por telefone, e-mail ou pessoalmente.
 
Para que o evento possa se realizar, aceitamos um mínimo de 20 inscrições. Se não obtivermos este número de participantes, o evento será cancelado e o valor pago será devolvido aos que já fizeram sua inscrição.
 
INSCREVA-SE JÁ!!!
 
AS VAGAS SÃO LIMITADAS!!!

QUANTA ACADEMIA DE ARTES - UNIDADE 1
RUA MINAS GERAIS, 27 (próximo ao metrô Consolação)
(11) 3214-0553

Não existe uma faculdade de quadrinhos, e os quadrinhistas trabalham quase sempre sozinhos, então essa é a chance de ver na prática como quase toda a gama dos artistas nacionais trabalha, desde os que só usam lápis aos que fazer tudo, passando pelos mais variados estilos.

Escrito por Fabio Moon às 11h19
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O glamour do desconhecido.

Todo mundo tem ídolos. Todo fã de Quadrinhos tem seu ídolo, seu escritor favorito, seu desenhista predileto. Todos nós queremos ser autores, artistas. Queremos até, por que não, ser ídolos. Mas o que significa isso? No mundo que a gente vive, isso muda alguma coisa? E a nossa vida? Muda?

Há um mês atrás fomos notificados pela Devir que a FNAC faria uma festa na unidade da Paulista só para convidados e que eles queriam que nós fôssemos lá pra dar autógrafos, vender livros. Não éramos conviadados do evento, seríamos uma das atrações. Autores.

Eu havia ido à festa de inauguração da FNAC da Paulista, só como convidado, e achei bem animada e bacana. Nela, Laerte e Angeli, os ídolos, eram os autores e estavam sentados autografando os livros de quem quisesse. O Fábio e eu também já fomos como autores à inauguração da FNAC do Shopping Dom Pedro em Campinas, e ficamos fazendo um fanzine instantâneo pra quem quisesse. Tínhamos o logo na capa e só fazíamos um desenho e uma HQ de 1 página.

Voltando então à tal festa da FNAC, ela foi ontem, dia 28 de Novembro. Nos informaram que, além de nós dois, a Devir também levaria o Lorenço Mutarelli, mas ele só estaria divulgando seu livro (só livro mesmo) "Jesus Kid". Chegamos uns 10 minutos atrasados, mas não estava o caos que eu esperava. Tudo tranqüilo e, até, vazio. Logo fomos recepcionados pela Soraya, a razão pela qual a FNAC nos adora, responsável por todos nossos lançamentos na livraria, desde o Girassol e a Lua, 6 anos atrás. Ganhamos nossas taças de champagne e dali fomos levados à área da literatura infantil, onde ficaríamos assinando os livros. Havia duas mesas, uma pra nós e outra pro Mutarelli, as respectivas pilhas de livros, o nosso e o dele, e um bloco em branco pra podermos desenhar pros convidados.

Sei.

No caminho vi um poster que mostrava as atrações da festa: um show do Funk como le Gusta e os cartunistas Fábio Moon, Gabriel Bá e Lourenço Mutarelli. Então nós não éramos parte da atração... éramos A atração. Não tinham outras editoras, outros autores, outros shows. Era a banda e nós 3.

Vamos pensar juntos: "Eu sou um autor de Quadrinhos. Estou aqui com o Lourenço Mutarelli, um ídolo, autor de Quadrinhos, livros, peça de teatro, roteiro de filme. Nós somos a atração "literária" da festa da FNAC - uma livraria - somente pra convidados (portadores de cartão FNAC ou algo assim). Isso que é glamour! Será que o Ziraldo declinou? Será que o Maurício de Souza estava ocupado? E o Laerte? Porra, a gente tá mandando bem mesmo!"

É. Isso até passou pela minha cabeça.

Não vendemos nenhum livro. Nem um. O Mutarelli vendeu 1, prum cara que sentou e o alugou por uma hora. Duas pessoas pararam pra olhar nosso livro. Ficamos lá das nove e pouco até a meia-noite, quando acabou o show (que só teve 1 hora). Bebi muito champagne, vinho e água. Comi um canapézinho estranho aqui e ali. Então eu penso: O que deu errado?

Ficamos muito felizes com o convite da FNAC. Honrados, realmente. Foi ótima a companhia do Lourenço, agora em nova fórmula (palavras dele). Mesmo que a FNAC valorize o Quadrinho, o público ainda prefere comprar muitos CDs, DVDs e TVs de plasma, mas nenhum gibi, mesmo com os autores sentados ali.

No final das contas, nós não fazemos quadrinho infantil e estávamos escondidos no lugar errado da festa. Nós não somos o Ziraldo ou o Maurício. Nós não somos ídolos.

Mas somos autores. E continuaremos sendo. E é isso que importa.

Escrito por Gabriel Bá às 18h30
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Olhe ao seu redor.



Esse é um estudo para cenários de uma próxima história. Não vou fazer a história com aguada, nem usar esse papel marrom, mas para os estudos, isso tudo ajuda. Os tons me ajudam a entender as formas e os volumes e, juntamente com o nanquim branco, me ajudam a definir as áreas de luz e sombra.

Quando estou fazendo pesquisa para as histórias, vejo muitas fotos e muitos filmes, pois neles encontro uma preocupação com a iluminação e com a produção que você não encontra se se basear somente em outros gibis. Isso sem contar que, para que a referência se torne um desenho, eu vou ter que escolher o estilo. Quando você busca referência em outros desenhos, o estilo já está lá, e o seu acaba se tornando uma traduçnao do estilo de outra pessoa. Isso não é sempre ruim, mas acaba ficando aparente quando você tem que procurar algo que não estava desenhado antes, e isso fica diferente do que você desenhou baseado no estilo de alguém.

Os estudos servem para você se familiarizar com o que quer que seja que você precisa desenhar. Você se sente à vontade desenhando cavalos? E uma asa-delta? E um quarto de hotel? E um carro, uma floresta, as falésias das praias do Sul da Bahia?

O artista está sempre desenhando. Se possível, busca sempre desenhar coisas novas, aprender mais, descobrir como as coisas funcionam. Ele se inspira no mundo, e dele cria seu trabalho, que é ao mesmo tempo um retrato do que ele vê, e um relato do que ele entende.

Escrito por Fabio Moon às 11h56
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Personagens reais e imaginários.



Normalmente, é assim que eu começo a criar personagens. Faço vários desenhos dele e, como sempre, todos saem diferentes. Provavelmente herança da época em que eu não sabia desenhar, meus rascunhos tem essa péssima tendência de serem inconstantes. Acho que meus desenhos nas histórias acompanham a mesma tendência, mas eu tento praticar o personagem antes para amenizar esse problema.

Esse personagem é para outra história que eu vou desenhar, que não tem zumbis nem super-heróis. Ao contrário, tem terno, meia-arrastão e drinks.

E um crime.



No final de semana, fui ao lançamento de Santô e os pais da aviação, álbum de quadrinhos do Spacca. Fantástico. Ótima produção, grande trabalho de pesquisa e um capricho na arte, o livro, que é grande, gordo e desejável, é um ótimo lançamento do Quadrinho nacional.

Para saber mais sobre o livro, clique AQUI e leia uma entrevista com o autor.

Escrito por Fabio Moon às 10h32
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Zumbi (do) estranho.



Mudando um pouco de gêneros, fiz um desenho de um zumbi. Peguei os olhos vazios, misturei com o visual super leagal de um personagem do Grampá (que é o cara que mais gosta de zumbis que eu conheço) e mandei bala.

Vou desenhar uma histórinha de zumbi em Dezembro para uma editora gringa. A mesma que me ofereceu a história de super-heróis que eu fiz em Outubro. Não é uma editora grande, e eu fiz justamente por isso: queria experimentar a linguagem dos super-heróis (e saber como seria um roteiro do Keith Giffen) sem queimar meu filme com uma Marvel ou uma DC da vida se saísse ruim.

Não saiu ruim, mas a história era bem qualquer nota.

Agora é a vez dos zumbis. Outra história curtinha, agora com um escritor que eu nunca ouvi falar. Vamos ver no que é que dá. Se ficar melhor que esse desenho que eu fiz hoje, já me dou por satisfeito.

Escrito por Fabio Moon às 18h22
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A outra Kelsie.



A primeira vez que os leitores conheceram a Kelsie foi em 1997, quando O Girassol e a Lua saiu como fanzine. Ela já estava lá, em Setembro de 97, no primeiro número da nossa "segunda temporada". Mas eu conheci a Kelsie alguns meses antes.

Ela foi inspirada na irmãzinha de uma amiga minha, que não devia ter mais de 10 anos. Minha amiga, Annie, também acabou se transformando em personagem da história, mas na ficção elas não são irmãs.

As duas moravam numa cidadezinha no interior de Minnesota, nos Estados Unidos, chamada La Crescent, que eu visitei por dois verões. realmente pequena, a cidade não devia ter nem vinte ruas. Ficava perto da estrada, e da linha do trem. Por perto, tinha um pequeno parque de diversões e, a poucos minutos de carro, o rio Mississippi. Annie, que havia sido a rainha das maçãs daquele ano, estava prestes a entrar na faculdade. Hoje, já deve ter se formado. Ela queria trabalhar com crianças, muito provavelmente por influência da mãe, que transformou sua casa numa creche. Quando estive lá, a casa comportava umas vinte crianças, de até cinco anos, espalhadas entre os brinquedos.

Acabei perdendo contato com Annie quando ela entrou na faculdade, e sempre penso que nunca falei pra elas que viraram personagens de História em Quadrinhos. Talvez agora, com ROCK'n'ROLL saindo pela Image, eu procure saber onde elas estão, como elas estão, e lhes conte as boas novas.

Escrito por Fabio Moon às 19h10
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Uma capa para o ano que vem - e o que mais?

Ainda não está pronta, mas já está quase lá. Para começar a divulgar, já está boa, já passa a mensagem, já dá o gostinho de quero mais.



Ficou bem melhor do que a capa da prancheta. É mais pessoal e, ao mesmo tempo, menos autobiográfica. Remete ao universo das nossas histórias sem excluir aqueles que nunca ouviram falar do nosso trabalho.

O livro só sai nos Estados Unidos em Junho do ano que vem. Nesse meio tempo, os novos projetos voltam a ser a prioridade e as novas histórias voltam à prancheta. Se queremos um novo 10 Pãezinhos para o ano que vem, para publicar no Brasil que é o nosso lugar, ainda faltam muitas páginas para desenhar.

Escrito por Fabio Moon às 15h49
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Na batida da música.



A contagem regressiva do lançamento da nossa revista ROCK'n'ROLL nos Estados Unidos continua. Ainda não saiu, está na gráfica. Se tudo der certo, semana que vem está nas lojas. Na quarta-feira, já que todos os gibis chegam às lojas americanas nesse dia da semana.

Um site sobre quadrinhos de lá, o Pulse, publicou essa semana uma entrevista comigo a respeito do nosso gibi. Minhas respostas empolgadas podem ter soado um pouco exageradas, mas tenho orgulho do meu gibi e quero que todos tenham vontade de conferir do que se trata.

Se você ainda não tem a versão "brasileira" de ROCK'n'ROLL, clique aqui e compre o seu com a COMIX. Se você ainda nem conhece o gibi, clique nas imagens abaixo para ver as páginas ampliadas.



Escrito por Fabio Moon às 11h29
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Auto-retrato.



Deve ser culpa da faculdade de artes. Você estuda a história da arte e sempre encontra o auto-retrato dos artistas. Seja no renascimento, no barroco, no impressionismo, seja nos artistas da arte moderna e contemporânea, vários são os artistas que se retratam em suas obras, algumas vezes repetindo esse tema por anos.

Ah, e também não vamos esquecer os quadrinhistas brasileiros dos anos oitenta que, começando nas suas revistas e continuando nas tiras de jornal, se tornaram personagens (muitas vezes em crise) de suas próprias histórias e, assim, acabaram influenciando dois irmãos gêmeos que começavam a rabiscar nas redações e lições de casa seus primeiros personagens: eles mesmos.

Qual a sua auto imagem? Quanto você descobre de si mesmo a cada novo retrato, a cada novo desenho? Quanto do desenho é uma representação da imagem e quanto é a representação da personalidade?

Escrito por Fabio Moon às 10h50
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O difícil é pensar direito.


As pessoas acham que nós produzimos muito. Eu sempre acho que é pouco, pois podia ser mais. Na época do fanzine, produzíamos uma nova história por semana, algumas vezes com 5 páginas, 8 páginas, 12 páginas. Claro que tudo era mais simples, tosco e que nós tínhamos menos contas pra pagar, menos responsbilidades. Os profissionais dos Comics americanos fazem 22 páginas por mês, um pouco mais, um pouco menos (isso os quadrinhistas independentes que fazem tudo eles mesmos). O Laerte e todos seus comparsas fazem uma tira por dia.

Hoje, na busca eterna por contar algo novo e melhor que nosso último trabalho, na detalhada pesquisa gráfica por referências mil, nossas idéias estão se rarefazendo, nossas histórias estão cada dia mais difíceis de serem contadas. Estamos encalhados? Talvez tenhamos chegado a um ponto onde não sabemos mais brincar, somente falar sério. É muito difícil viver uma vida séria o tempo todo e vejo que nos perdemos na nossa própria seriedade

Para chamar atenção de uma certa gama de profissionais do mercado americano – os editores – nos últimos anos temos seguido a trilha do aperfeiçoamento técnico, caprichado mais nos desenhos pra, quem sabe, conseguir um trampo aqui e outro ali. Até funcionou, por um lado. Por outro, demos muito mais atenção ao desenho do que ao texto e, com isso, enferrujamos o roteirista que há em nós.

Queremos contar uma história longa, fazer um novo álbum, mas só temos idéias (e a muito custo) pra histórias de 10, 12 páginas. Já estamos há 5 anos contando histórias curtas, desde que terminamos o "Meu Coração, Não Sei Por Que". Queremos sentir aquilo novamente, mas ainda não sabemos como.

Desenhamos muito este ano e vamos desenhar ainda mais. Criamos histórias, fizemos a arte dos roteiros de outras pessoas e, dessa forma, estamos nos profissionalizando cada vez mais nessa arte de fazer Histórias em Quadrinhos. Não há desculpas para os profissionais. Eles têm que sentar e fazer o trabalho deles.

Hoje completa 1 ano que estamos hospedados aqui no UOL e, neste tempo todo, também caprichamos na divulgação de nossos trabalhos, nos relatos do mundo do Quadrinhista, nos comentários e críticas dessa nossa profissão que tão poucos fazem, mas sempre com muita paixão. Muita gente viu nosso site, leu nosso blog, viu um pouco do nosso mundo.

Espero que tudo isso ajude também nas minhas histórias e na história de todos vocês.


Escrito por Gabriel Bá às 09h55
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Antologias

Não sei ao certo se antologias são uma boa pedida, mas elas parecem fazer parte da cultura de quadrinhos do Brasil. Acho que, com o costume de lançar revistas com mais de uma história, que já se tornou a norma das revistas de super-herói e que passa pelas brasileiras (Chiclete com Banana, Animal) ou mesmo pelas européias (Metal Hurland e sua correspondente Metal Pesado), o público leitor de quadrinhos e, consequentemente, os artistas de hoje (que cresceram lendo revistas com essa configuração) já aceitaram a antologia como uma produção de quadrinhos esperada e procurada.

Em toda antologia, a variedade parece ser a maior constante, onde encontramos uma história boa e uma ruim, e algumas no meio-termo. Se isso ajuda a história ruim ou atrapalha a história boa, não sei ao certo, mas que divide as opiniões e, assim, dificulta a criação da identidade da revista, isso é uma certeza. Mesmo assim, enraizada na nossa realidade, acabamos eventualmente nos envolvendo em trabalhos coletivos com outros artistas.

Desde os primeiros fanzines, Vez em Quando (1993) e Ícones (1994), começamos em conjunto com outros artistas e, como a maioria das antologias, cada história era muito diferente da outra, tanto em tema como em qualidade. No começo, o volume de trabalho de um grupo ajuda a terminar o projeto, fechar mais rápido uma revista, produzir com regularidade sem precisar produzir muito.

Os fanzines nos ensinaram que é difícil produzir em grupo e, quando criamos o 10 Pãezinhos, não dependíamos mais de ninguém para terminar o fanzine. Isso acabou facilitando o nosso trabalho e também acelerou a nossa busca por uma identidade no trabalho.

Voltamos a trabalhar em antologias no FRONT, acreditando que a idéia de números temáticos ajudaria a identidade da publicação, evitando a variedade desagradável de histórias. De uma certa forma, isso aconteceu, mas durou pouco. Não sei se o FRONT não funcionou, ou se eu não funcionei dentro dele, mas acabei me desligando e continuando nos nossos projetos de 10 Pãezinhos. Ele foi um período muito bom para conhecer outros artistas de várias partes do Brasil, mas não sei se serviu para melhorar a produção nacional. O que eu sei é que as histórias que eu fiz para o FRONT ( É tarde para café e Outras palavras) são algumas das mais desconhecidas dos leitores, justamente por estarei "escondidas" dentro de uma antologia.

Como eu já disse, o lado bom da antologia é a possibilidade de publicar sem produzir muito. Assim, você pode mostrar sua história curta, junto com outras, sem precisar inaugurar a vida artística com seu épico de 300 páginas. Para quem está começando, é uma porta que abre outras. Nesse sentido, foi muito bom participar da antologia americana Autobiographix, onde nossa história curta foi publicada juntamente com histórias do Frank Miller, do Will Eisner, do Stan Sakai e de outros grandes nomes dos quadrinhos americanos. A editora da Dark Horse, a Diana Schutz, conseguiu convencer seus chefes a nos incluir na antologia em 2003 por se tratar de uma pequena história de dois desconhecidos. Para conseguir aprovar nosso livro, ela precisou de mais três anos.

Esse ano, voltamos a participar de antologias. Bang, Bang (que ganhou uma resenha do Universo HQ) se mostrou, em termos de qualidade gráfica, uma experiência muito melhor do que a do FRONT, onde todos os participantes contribuem para a aparência exuberante do livro. Como toda antologia, ela tem variações de qualidade, mas o livro é sem dúvida um dos grandes lançamentos nacionais do ano. Se tudo der certo, ele será o primeiro passo de uma nova geração de quadrinhistas que vem por aí.

Ano que vem, estamos pensando em participar de outras antologias. Ainda é cedo para dizer algo com certeza, mas acho que as antologias, com seus defeitos e suas qualidades, acabam sendo necessárias.

Tomara que isso seja para o bem.

Escrito por Fabio Moon às 19h03
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Duas capas e nenhum herói.



Uma capa precisa brincar com o espaço do papel. Precisa desafiá-lo a transbordar para o olho do leitor, romper com o retângulo, romper com a janela.

A capa é a escolha de um olhar. É o detalhe que resume o todo do livro, mas não o esgota.

A capa representa o sentimento da história, e não a cara que ela tem, pois a cara é muito literal, é muito específica, é muito direta. E capa de livro, embora seja tudo isso, deve também não dizer nada, apenar sugerindo uma vontade de abrir e olhar o que tem dentro.



Essas são duas das onze idéias de capa que eu mandei para a Diana Schutz, nossa editora na Dark Horse. São duas que ela não gostou - ou gostou menos, não sei. Somente sei qual foi a capa que ela gostou mais, que é a que estou finalizando. Mesmo assim, não acho que sejam capas ruins. Se eu tivesse uma série com histórias autobiográficas, ou mesmo histórias fictícias sobre um artista, um ilustrador, um desenhista, essas seriam boas capas para dois meses de trabalho.

Escrito por Fabio Moon às 18h21
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Agora, falando sério.


Esse desenho (e os outros que seguem) faz parte de um projeto do qual participei que deu errado.

Nem tudo o que você faz vai dar certo. Você vai dar um monte de mancadas. Todo mundo dá, todo mundo erra. Às vezes, você faz tudo certo e, ainda assim, alguma coisa dá errado. Assim é a vida, e só assim a gente aprende.

Quando fizemos o fanzine Ícones, em 1994, tudo parecia estar certo. Éramos um grupo de quadrinhistas apaixonados por quadrinhos que queriam mostrar ao mundo suas histórias. Conseguimos, com o professor de produção gráfica de dois dos participantes, a impressão a preço de custo, com capa colorida e miolo PB, para 1000 exemplares. Fizemos três edições. E então acabou.

Não deu certo.

Éramos muito jovens, para início de conversa. Ainda muito mais fãs do que artistas, acabamos contando as histórias que gostávamos de ler nos gibis e não as nossas próprias histórias. Ainda muito mais fãs do que artistas, nos deixamos levar pela preguiça e, cada um no seu ritmo (ou na falta de ritmo), atrasamos todas as edições que produzimos.



Aprendemos muito com essa experiência. Quando voltamos a fazer fanzine, criamos o 10 Pãezinhos, que sempre foi sério na proposta de contar histórias em quadrinhos, mesmo quando contava uma piada. Aprendemos a levar nosso trabalho a sério, mesmo se ele fosse apenas um monte de folhas de xerox dobradas e grampeadas que era vendido a cinquenta centavos. Aprendemos que o trabalho precisa estar na mão das pessoas para estar pronto e que, se você é um artista independente, você é responsável por todo esse percurso, desde a idéia, passando pela produção, depois terminando o fanzine, imprimindo, copiando, dobrando, grampeando e vendendo de mão em mão.

O melhor vendedor é aquele que acredita no produto que está vendendo, então trate de produzir algo que você gosta, que você faria novamente, que você faria todos os dias, por mais de 10 horas por dia, inclusive nos finais de semana.



Eu conheço várias pessoas que levam os Quadrinhos a sério. Alguns falam demais, produzem de menos e, na somatória das próprias ações, não fazem o menor sentido. Outros fazem muita coisa, sem se importar muito com o que estão fazendo ou com o que está dito no seu trabalho. Qual é o seu trabalho, afinal de contas? Desenhista? Ilustrador? Contador de histórias? Autor? Escritor?

Não deixem de ler essa entrevista com Marcello Quintanilha. Além de ser muito bom, o Marcello também leva seu trabalho, o de quadrinhista, a sério e isso fica muito claro na entrevista. Gostei especialmente quando ele falou sobre a literatura brasileira que nunca precisou de um mercado para se definir.

Escrito por Fabio Moon às 16h18
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De quantas cores eu preciso?



Estamos fazendo a capa para o nosso livro da Dark Horse. Ele só sai no ano que vem, mas a capa precisa estar pronta o quanto antes. Muitas das histórias desse livro são as mesmas que apareceram no Crítica, mas algumas são diferentes, e algumas são inéditas. Ainda assim, são livros muitos semelhantes, tratando dos mesmos assuntos e com o mesmo enfoque.

"A capa não pode ser a mesma do Crítica?", muitos podem perguntar.

Eu adoro a capa do Crítica, mas não dá. Acho que, para o que pretendemos agora, essa capa está muito colorida, muito cheia de elementos, muito direcionada para quem lê, e gosta, de Quadrinhos.

Hoje em dia, tenho vontade de que a capa seja mais simples e mais forte. Que tenha menos cores, que tenha menos elementos, que seja um desenho marcante para quem gosta de desenho e instigante para quem nunca leu uma História e Quadrinhos antes. Na atual realidade, onde as Histórias em Quadrinhos vão para as livrarias, acho que a capa precisa competir com as capas dos livros, e não só com as capas dos gibis.

Toda estrela quer brilhar no céu.


Se você mostra o seu trabalho, ele melhora. Melhora no momento em que existe aos olhos dos outros, simplesmente porque alguém tem uma opinião sobre a história que existia antes somente na sua cabeça. E melhora porque o trabalho pronto te estimula a produzir mais.

Saiu o novo número do O Contínuo, do pessoal da ECA. Procurem, pois eles melhoram muito de uma edição para a outra. Eu diria para todos aparecerem na festa de lançamento, mas já foi, vocês perderam. Eu também perdi.

O pessoal do fanzine Chuva contra o Vento está de fanzine novo, com evento de lançamento na Quanta Academia de Artes ( Rua Minas Gerais, 27) no dia 5 de Novembro, sábado, a partir do meio dia. O Novo fanzine se chama Sonhos e Olhares, e é escrito por Rodrigo Alonso com desenhos de Felipe Cunha. Provavelmente, eles teráo os números anteriores do fanzine, com a história completa, para os que ainda não conhecem o seu trabalho.

Todo mundo que tem vontade de fazer quadrinhos deveria fazer fanzine para ver sua história pronta na mão, para que os outros também a vejam na mão, para que as pessoas tenham vontade de possuir o seu trabalho, e tenham vontade de saber quando sai o próximo. Você acaba infectado pela curiosidade dos outros e fica também querendo produzir mais para saber o que vem por aí.

Escrito por Fabio Moon às 15h20
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