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"O roteiro é ruim."


Foi isso que eu falei quando o Fábio me perguntou sobre o roteiro do Casanova 2. Eu havia lido na noite anterior pra começar os thumbnails e já poder desenhar as páginas e foi bem frustrante ver uma história com bons elementos – que já haviam me adiantado – mal contada, com muitos buracos, com falhas. Toda minha empolgação referente ao Casanova foi ralo abaixo.

Não tinha jeito, eu tinha que escrever pro Matt Fraction e conversar sobre a história, pra ver se a gente arrumava aquilo. "Mas você é só o desenhista!" podem argumentar alguns. É verdade, eu sou o desenhista, mas não só isso. Estamos juntos neste projeto pra fazer um gibi diferente dos outros que estão nas prateleiras e eu não sou um desenhista que desenha qualquer coisa que colocam na frente. Eu preciso acreditar na história que estou contado e, naquele ponto, eu não tinha acreditado no segundo número do Casanova.

Escrevi um email enorme com tudo que eu achava e coloquei algumas sugestões. Acredito que a abordagem sincera é melhor que a política da boa vizinhança. Fiquei muito aliviado quando a resposta chegou e ele próprio não estava satisfeito com o roteiro e achava que podia ficar melhor. Depois de 3 ou 4 trocas de papites e reformulações, ele me mandou uma nova versão das 7 primeras páginas hoje de manhã e ficou de terminar de reescrever o roteiro até quinta feira.

Estou muito mais contente com a nova versão do roteiro e acho que conseguimos superar este pequeno imprevisto. Assim como eu já olhei pra desenhos prontos e acabei refazendo tudo porque não estava tão bom quanto poderia estar, o mesmo ocorreu aqui e já posso continuar confiante de que meu desenho está contando uma boa história.

Escrito por Gabriel Bá às 20h24
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Trilha sonora - 1



Escrito por Gabriel Bá às 20h41
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Escrito por Gabriel Bá às 17h10
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Isso é só o começo.

Terminei o CASANOVA nº1





Demorou, mas acabou.

Vamos voltar um pouco no tempo, aos motivos pra ter aceito desenhar a série, escrita pelo Matt Fraction:

- série mensal publicada pela Image;

o lado positivo disso é a exposição de ser publicado pela Image, o que vai chamar atenção pra mim e pros meus projetos, como o De:TALES que também será publicado em Junho deste ano. Além disso, tem a possibilidade da revista na Image vender bem. Eu só recebo dinheiro dos lucros no segundo semestre (sim, vou trabalhar de graça o primeiro semestre inteiro, provavelmente vou fazer 7 números da série antes de receber pelo primeiro), mas é metade de tudo, bem melhor que os 10% de royalties que eu estou acostumado. Não vou ficar rico ainda, mas posso pagar um jantar.

- 16 páginas por mês;

Com isso, daria pra fazer uma página a cada dois dias, ou uma por dia e sobrar muito tempo. Espero conseguir adiantar os próximos números pra não ficar apertado na última hora. Ainda tenho que fazer um milhão de outros trampos pra pagar as contas, além das nossa próprias histórias, então preciso deste tempo.

Muito bem. O primeiro número demorou 2 meses pra ficar pronto, com um monte de coisas que eu fiz neste meio tempo e minha vida andando de montanha russa (mas qual vida não faz isso, né?). Mas foi justamente por saber que eu teria sempre um monte de outras coisas pra fazer é que eu topei desenhar um gibi com somente 16 páginas. Demorei pra pegar o ritmo, não queria fazer nada de qualquer jeito, mas cheguei ao fim. Fiz o que tinha que fazer. Fiz bem feito.

O primeiro número tem 28 páginas, preto, branco e uma "spot color", só pra ter um algo a mais. Sai em Junho e será a capa do Previews de Abril.

Agora vou ler o roteiro do número 2 e pensar nas páginas.

Escrito por Gabriel Bá às 19h30
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Será que vai dar tempo?

Eu me pergunto todos os dias se vou conseguir terminar a nova história até o dia 16 de março. Também fico pensando se, caso eu não termine dentro do prazo do concurso, a história empaca e eu nunca mais termino, ou será que, agora que eu comecei, eu não paro mais?

Por enquanto, tudo mais bem. Já criei a maioria das personagens, já pensei na história inteira e já escrevi quase todos os diálogos. Só começo a pensar nas páginas depois de pensar no diálogo, pois o diálogo é a marcação de tempo de uma história, e ele é necessário para que eu possa "controlar" o tempo de cada página.

Hoje, terminei de desenhar o segundo capítulo. Até o final do Carnaval, preciso terminar mais dois. Ou mais quinze páginas.

O que for mais rápido.

Escrito por Fabio Moon às 11h46
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Amor em Quadrinhos

Sexta-feira, no final da tarde, uns amigos me ligaram pra tomar umas cervejas, mas eu ainda estava desenhando e não podia – não queria – parar naquela hora. Fiquei quase até as 10 da noite no estúdio.

Sábado, hoje, outros amigos me ligaram dizendo que estavam indo comer uma feijoada e perguntaram se eu queria ir junto. Pensei um pouco, sabia do meu compromisso das 16 horas e do meu horário apertado e decidi recusar o segundo convite seguido.

Cheguei às 15:40 ao SENAC para a premiação do 22º Angelo Agostini, que atrasou e só foi começar perto das 5 da tarde. Comprei dois fanzines e ganhei mais dois. Uma simpática moça da TV Senac me entrevistou e perguntou o que significava pra mim ganhar o prêmio pela segunda vez. Apertei o botão automático e acho que me saí bem. Vi um pouco da palestra sobre o Tico-Tico e me senti um pouco mal de não saber praticamennte nada deste marco do Quadrinho nacional. Fui até a banquinha da Comix lá fora e comprei o último álbum que eles tinham lá. Cento e trinta e poucos Reais. Uma bica, mas o álbum é grandão e bonito e indispensável pra quem faz Quadrinhos e se importa com eles. Precisava comprar.

Depois de muita enrolação, a premiação começou. A nossa categoria era a primeira e eu pretendia vir embora logo após receber o prêmio, mas estava envolvido com o clima e acabei ficando até o fim. Ganhei minha tarde quando recebi o troféu das mãos do Rodolfo Zalla, mestre do Quadrinho nacional, falando do nosso trabalho, do reconhecimento nacional e internacional. Ao microfone, disse somente que era uma honra receber o prêmio das suas mãos. Uma honra sem tamanho, verdade. Apertei sua mão e ele me abraçou e beijou a face, como os bons amigos faziam antigamente. Na saída, ele veio me parabenizar novamente.

Fiquei mais uma vez impressionado com o Edgar Guimarães, do fanzine Q.I., que até hoje ainda publica seu catálogo de zines do brasil inteiro. Isso que é gostar de Quadrinhos. E o Zulu – também conhecido como Rod Reis – que recebeu uma página do Ivan Reis às 2 da manhã pra colorir e entregar na manhã seguinte.

Essas são algumas coisas que me motivam a vir aqui finais de semana e trabalhar por horas a fio, o sol lá fora, os amigos chamando. Claro que são escolhas e eu perco uma coisa aqui pra ganhar outra ali. Claro que algumas noites eu deixo as páginas na prancheta e vou ver os amigos. Claro que eu tenho que ralar pra ganhar meu sustento e acabo gastando cento e poucos paus num livro de Quadrinhos. Mas essa é aminha escolha e eu não me arrependo nem um dia sequer dela.

Fazer Quadrinhos no Brasil não é uma coisa fácil, mas tem gente que faz. Gente que ama o que faz. Agora eu pergunto, pra quem quer fazer Quadrinhos ou já faz, ou qualquer outra profissão: o quanto você gosta disso que você quer fazer? Você quer mesmo fazer isso? Quanto tempo você é capaz de esperar o retorno do seu trabalho?

Escrito por Gabriel Bá às 19h05
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Melhor desenho.

As pessoas perguntam se desenhar é "dom" e muitas vezes eu respondo que não, pois qualquer um pode aprender as técnicas do desenho. No entanto, algumas pessoas têm um olhar diferenciado, uma atenção aos detalhes que os destaca do resto. Eu presto muita atenção em tudo, mesmo as coisas irrelevantes, pois faço questão de me diferenciar do resto. Talvez seja coisa de quem tem irmão gêmeo e sempre lutou pra mostrar que os dois são diferentes. Não quero dizer com isso que sou melhor que ninguém, mas faço isso para provar pra mim mesmo que fiz meu máximo, que fui até o limite, que olhei por todos os ângulos e não parei onde acredito que muitos parariam. Sempre desenhei e hoje não consigo mais olhar pra nada sem traduzir imediatamente o que vejo em um desenho, linhas, contornos, preto e branco. Isso não é melhor ou pior, mas é diferente dos outros. Mesmo tendo um irmão gêmeo, sei que meu olhar é único.



Muitos desenhistas sentam na prancheta e já começam a desenhar suas páginas, mas eu tenho um longo processo antes de chegar à página em si. Não é um limite, mas uma certa disciplina. Primeiro de tudo – depois de ter tido a idéia pra história, obviamente – em faço os thumbnails da HQ, os rascunhos de todas as páginas pra tê-la visualmente na minha frente. Mesmo escrevendo as histórias, minha narrativa ainda se baseia com muita força nas imagens, por isso faço a HQ inteira desta forma antes de começar, pra visualizar tudo.



Uma vez feito isso, vou atrás das "referências" pra poder desenhar a página. Essa pesquisa pode demorar minutos ou horas e cada vez mais eu tenho me delongado mais nesta parte do processo. Desenhar vai muito do instinto, mas quanto mais vocabulário visual você tiver, melhor sua "frase" sairá no final.



Quando você busca referências, já precisa saber o que está procurando, pra não ficar perdido olhando fotos, outros desenhos ou andando pela rua. Eu já tenho as imagens na minha cabeça, que eu coloquei rapidamente no thumbnail. As referências só vão me auxiliar nos detalhes, num ângulo, numa composição.

O melhor uso da referência é quando ela traz algo novo pra sua idéia inicial e você ainda não se prende às suas limitações. Muitas vezes eu uso várias imagens pra resultar num único quadro, pois de cada uma eu tiro detalhes diferentes.



Existe sempre aquela polêmica sobre copiar o desenho de outro artista, mas é uma das formas de aprender. Não digo pra você sair por aí fazendo HQs com o desenho do Jim Lee ou do Mignola, mas pra olhar como tal artista resolveu graficamente aquele desenho, aquela situação. Quando eu faço um desenho de observação, ilustro o que estou vendo e como estou vendo. Mas quando for desenhar a mesma coisa na página, vou precisar entender o que eu desenhei e fazer tudo combinar naquela composição, no meu estilo. A mesma coisa acontece quando você olha o desenho de outro artista. Você pode olhar, copiar, entender o desenho e o estilo dele, mas na hora de fazer o seu, você vai precisar pensar sobre o desenho.



Tudo que eu vejo vira referência para meus desenhos, em vários níveis diferentes. Tem gente que vê o traço do Mignola, tem gente que vê o Eduardo Risso. Se você olhar bem, verá muito do Laerte. Pra quem for bem fundo, verá um pouco de Flávio Colin, coisas profundas e remotas como Moebius e Geof Darrow, ou até mesmo um John Byrne. Tudo que eu já li e vi vai acabar nas minhas páginas. Depois de tantos anos, já não preciso mais imitar, porque já entendi qual é a língua que eles falam.



Todas as imagens que ilustram este texto foram rascunhos que eu fiz de referência para a história do NYC Mech. Lá no início tem os thumbnails das 8 páginas , feito no dia 5 de Dezembro. Depois vem 3 seqüências de estudos para os policiais e os bombeiros. Seguem os veículos dos policiais e bombeiros, terminando com alguns estudos de cabeças de robôs e finalmente com os detalhes das roupas de dois personagens. Centenas de imagens de referência, horas de pesquisa, tudo isso para uma história de 8 páginas, que as pessoas demoram 2 minutos pra ler e que nós não vamos ganhar quase nada de dinheiro (como sempre, nenhuma novidade).




O importante é chegar ao fim do trabalho com a sensação de um serviço bem feito, um orgulho de obra pronta, de caminho percorrido. Muitos desistiram no meio do caminho, eu fui até o fim.


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Tudo isso pra introduzir a entrega do

22º Prêmio Angelo Agostini


e comemoração do Dia do Quadrinho Nacional, dia 18 de fevereiro de 2006, a partir das 12h, no Senac Lapa Scipião, na Rua Scipião, 67, Lapa, São Paulo / SP.

A Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo (AQC-ESP) e o Senac São Paulo estão organizando a 22ª edição do DIA DO QUADRINHO NACIONAL, promovendo a entrega do prêmio ANGELO AGOSTINI aos melhores do quadrinho nacional do ano de 2005.

Através da votação entre profissionais, fãs e estudiosos da arte desenhada nacional de todo o Brasil, a AQC-ESP divulga a lista dos premiados:

• Melhores Desenhistas de 2005: Fábio Moon e Gabriel Ba;
• Melhor Roteirista de 2005: Marcatti;
• Melhor Lançamento de 2005: Tatoozinho (Opera Graphica Editora);
• Melhor Cartunista de 2005: Ubiratã Dantas;
• Melhor Fanzine de 2005: Quadrinhos Independentes (Edgar Guimarães);
• Prêmio Jayme Cortez: site Bigorna, de Eloyr Pacheco;
• Mestres do Quadrinho Nacional: Jorge Barwinkel, Lor e Sonia Luyten.



No dia da comemoração, a programação das atividades será a seguinte:

-12h — Abertura do espaço de venda da Comix Book Shop;
-13h — Palestra: “História em Quadrinhos Hipermídia: Nova Linguagem em Gestação” com Edgar Franco;
-14h — “O Diabo Coxo de Ângelo Agostini” com Antônio Luiz Cagnin;
-14:40h — O quadrinhista Isaac Huna apresenta seu novo filme, “Legion”;
-15h — Palestra com os produtores do livro “100 Anos d´O Tico-Tico”, com Franco de Rosa, Waldomiro Vergueiro, Fábio Santoro e Roberto Elísio;
-16h — Entrega dos Prêmios Angelo Agostini aos homenageados.


Entrada franca.

Para mais informações:
(11) 3866.2500 ou www.sp.senac.br.


Escrito por Gabriel Bá às 18h14
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Sonhando longe.

"Para criar minha família eu optei por outra profissão; fui bancário por quase 28 anos. Durante esse tempo não deixei de perseguir o meu sonho e sempre que podia publicava meus trabalho. Minha família nunca implicou porque eu realmente era um bancário e me sustentava com isso. Mas o sonho de ser autor era muito forte e quando isso acontece não tem ninguém que impeça."

Declaração de Antônio Cedraz, quadrinhista baiano, autor da Turma do Xaxado, numa pequena entrevista no site Pop Balões.

Depois tem gente que reclama que não dá pra fazer Quadrinhos no Brasil.

Sonhar é fácil, mas é preciso trabalhar muito pra concretizar estes sonhos.

Escrito por Gabriel Bá às 13h11
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O telefone tocou novamente.


Ontem foi um dia fantástico a ser lembrado. Começou com a notícia no Universo Hq sobre o lançamento do De:TALES, que me impulsionou pra escrever o texto anterior e acabar com uma semana de silêncio.

Às 2 da tarde, quando voltamos do almoço, eu tinha que voltar pras páginas do CASANOVA e o Fábio pras cores da história pro NYC Mech, mas nos incomodava muito ainda não termos fechado a história para o concurso. Todos os dias a gente parava e se perguntava o que iria fazer, se um havia tido novas idéias, sempre sem muito sucesso ou progresso. Meio com preguiça de voltar pra prancheta e decidido a mudar esta situação, sentei do lado do Fábio e sugeri que pensássemos na história naquela hora. Paramos tudo que devíamos fazer e pensamos. Eram quase 5 horas quando terminamos finalmente de juntar nossas idéias e fechar a história, eufóricos com o processo criativo e com o fato de termos, ali na nossa frente, nossa próxima história.

Depois de mais algumas horas de trabalho, passado 8 da noite, nos preparamos pra partir quando toca o telefone: – "Hi. It's me, Diana!" Nossa editora da Dark Horse, Diana Schutz, nos ligando justamente pra conversar mais detalhadamente sobre nosso livro. Nessa hora, vimos como não existe um editor de Quadrinhos no Brasil.

Ela queria mudar nosso livro? Sim, mas todos os pontos que ela colocou faziam muito sentido. Sempre seguido de "mas no final, é o seu livro e quem decide são vocês", ela comentou as pequenas mudanças que ela via pra capa (tirar as pinceladas e focar mais nos tênis), a ordem das histórias (Começar com "Tarde pra Café" que é bem forte e longa, colocar a última entre as duas "Reflexões", pois todas tratam de não perder as oportunidades que são postas na sua frente, mover "Qu'est ce que C'est" mais para o fim do livro e terminar com "El Camino", que trata dos nossos caminhos, das histórias que já contamos e das portas que abrimos e ainda vamos abrir). Só com todos esses comentários, ela mostrou a atenção que deu à leitura do livro e a cada história. Foi então que ela falou sobre a maior mudança de todas: tirar o SAPO e trocar por Outras Palavras (FRONT 10) e Fora de Moda (CRÍTICA), que juntas davam o mesmo número de páginas.

–"Mas eu gosto tanto do SAPO!" – pensei, e ela disse que achava que esta história não era tão forte quanto poderia ser, que a ligação das palaras e das imagens era muito direta, tudo muito triste e linear. Sabendo que tudo isso era verdade, pensávamos em silêncio do outro lado do telefone. – "O desenho é ótimo, mas o mais forte do seu livro são as histórias", completou.

Sim, eu gosto muito do SAPO. É minha história mais pessoal, foi importante na época que foi feita e acho que é uma ótima história em Quadrinhos. Mas ela é realmente diferente das outras, tanto na narrativa como no conjunto imagem-palavra, e são 18 páginas com sentimentos totalmente avessos ao resto do livro. Foi muito importante ter feito esta história, mas não é crucial que ela entre neste livro e, por isso, estamos mesmo pensando em tirá-la. O que não impede que ela seja usada de outra forma, uma vez que já está pronta e tudo mais. Ninguém morreu e nada é para sempre.

Foi uma ótima conversa, depois regada a perguntas mais informais sobre o inverno em Milwaukie e o verão em São Paulo, sobre o Frank Miller e sobre a Comicon. Mesmo mudando nossos planos iniciais, o importante continua intacto: Nós vamos publicar nossas próprias histórias em maio pela Dark Horse, não porque fazemos imagens bonitas, mas porque temos algo a dizer.


Escrito por Gabriel Bá às 09h44
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Mais DETALHES.

Não é nenhum segredo o nosso esforço pra publicar nossas histórias nos Estados Unidos – afinal, nós alardeamos todos nosso pequenos passos por aqui o tempo todo – mas sempre é estranho ver que as notícias correm e que nem sempre foi você que contou a sua história pra os outros.

Hoje tem uma nota no Universo HQ sobre o De: TALES, nosso álbum que será publicado em Junho pela Dark Horse. Não diz muita coisa, mas mostra a capa (que nós mesmos já mostramos por aqui quando ela foi feita).




As histórias que entrarão no livro são (nesta ordem e suas publicações originais):

- El Camino (CRÍTICA)
- É Tarde pra Café (FRONT 9)
- Estrela (inédita)
- Qu'est ce que C'est? (Autobiographix e CRÍTICA)
- All You Need is Love (CRÍTICA)
- Reflexões (CRÍTICA)
- O SAPO (CRÍTICA)
- Feliz Aniversário, Meu Amigo!
- Sábado (inédita)
- Como se nunca tivesse acontecido (CRÍTICA)

De: TALES será uma coletânea de histórias que nós temos batalhado pra publicar já há 4 ou 5 anos. Não foi o desenho que chamou a atenção da editora Diana Schutz, mas o roteiro, as histórias.


imagem de Estrela, de Fábio Moon.

Já faz dois anos que nós estamos nos esforçando mais na parte do desenho das histórias, tentando também conseguir alguns trabalhos pagos de Quadrinhos (isso pra chamar mais atenção do público e pra ajudar nas vendas dos nosso próprios livros). Por incrível que pareça, está funcionando, se você considerar que o Fábio fez o Smoke and Guns e eu estou fazendo o CASANOVA. Não estamos ficando ricos, mas estamos chamando atenção.

Há dois anos nosso maior empenho tem sido mostrar que nós podemos desenhar qualquer livro, qualquer história, com qualidade. Isso acaba refletindo por aqui também, uma vez que o ano passado ganhamos o HQ Mix de melhores desenhistas e este ano acabamos de ganhar o Angelo Agostini de melhores desenhistas de 2005 (ainda falarei mais sobre este prêmio quando a data da premiação estiver mais próxima).


imagem de Sábado, de Gabriel Bá.

Mas, no fundo mesmo, nós queremos contar histórias. Histórias de amor. Histórias da vida. Queremos nos apaixonar e apaixonar as pessoas. Eu amo desenhar, mas fazer Quadrinhos é muito mais do que isso e, do amor, eu quero tudo.

Escrito por Gabriel Bá às 09h30
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