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A Folha, o erro e a ficção.

Saiu o resultado do 3º Concurso Folha de Ilustração e Humor, a ser conferido nesta página.

Dois premiados chamaram minha atenção: Paulo Terzi Ito, na categoria de ilustração infantil, e Tiago Judas na de Quadrinhos. Os dois foram meus colegas no saudoso Estúdio Pinheiros no início da década de noventa.

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Fui informado ontem de alguns erros na lista dos indicados ao HQ MIX, onde o mais triste diz respeito justamente à minha dúvida sobre o Rolando e o BANG BANG. Os dois são, realmente, considerados lançamentos estrangeiros, uma vez que foram publicados lá fora primeiro e negociados como tal por aqui. Não só isso, o BANG BANG, antes listado entre as melhores edições especiais nacionais, agora está de fora da lista de estrangeiros.

Enfim, como eu disse, a lista está lá e todos podem votar na categoria "outros". Mas não sei quem votaria no nosso glorioso western ou no épico medieval, quando pode votar nos animais assasinos fofinhos do WE3?

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Uma ficção.

Viu num filme uma boate russa, cheia de pessoas dançando e pulando na pista, no sempre quente clima banhado a música eletrônica. Quando o matador de aluguel saiu para a rua, somos surpreendidos por um dia claro, totalmente avesso à escuridão erotizante do ambiente interno. Achou aquela imagem ótima e ficou mais feliz ainda quando, às 7 e meia da manhã de hoje, saiu da boate escura que fervia de hormônios no ar para a luz do já claro dia, vivendo o seu momento de assassino russo.

Depois de uma longa noite, nada mais havia pra ser feito ou pensado ou falado. Só as risadas dos três amigos eram escutadas nas ruas, a medida que eles se encaminhavam para o carro estacionado algumas quadras acima. Chagando no carro, foi abrir sua porta e um bilhete estava colado no vidro. Um post-it cor de rosa. Não é todo dia que isso acontece.



"Admiradora nem tanto secreta", estava escrito, mas não foi nada realmente esplícito. O local era uma dica, a cor do bilhete era outra. A letra caprichada, uma dúvida. Com idéias e nomes na cabeça, partiram os três para seu merecido pouso.

Abriu o portão e passou pelas duas feras que guardam o castelo. O sol alto e quente já não o atingia mais dentro de casa, a medida que subia as escadas. Passou reto pelo banheiro, sabendo que em alguns segundos voltaria, somente após deixar suas chaves e documentos no seu quarto. Abriu cuidadosamente a porta para que os gatos não fugissem, mas eles estava imóveis, sentados, esperando. Aquele olhar fixo e penetrante de quem sabe mais do que você. Foi no próximo passo dentro do quarto que ele a avistou, deitada na sua cama. Ela dormia, confortável, segura pelo sono tranqüilo e coberta pelo edredon macio. Saiu pela mesma porta que entrou, a única do quarto, e trancou por fora. Passou novamente pelo banheiro e desceu os degraus em direção à porta. As feras só observaram seu mestre que saia novamente pelo portão. Ligou o carro e se dirigiu para a padaria, em busca de pães.

"Malditos gatos" pensou, "deixaram ela entrar".

Escrito por Gabriel Bá às 12h36
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10 anos e uma autobiografia italiana.




Este ano o UOL completa 10 anos e organizou uma exposição virtual pra comemorar a data. Tem trabalhos de muita gente, vídeos, música e imagens, além de vários depoimentos de assinantes. Gostei bastante da do Rafael Sica.

Nós fomos convidados a participar e fizemos uma pequena HQ. Cliquem aqui pra ver e espero que vocês gostem.



Forse è perché siamo gemeli....

Mais um fruto do nosso esforço caiu no nosso jardim essa semana. Foi o AutobioGrafico, a edição italiana do Autobiographix. É sempre muito bom ver seu trabalho valorizado e publicado em outra língua.



E aguardem, que ainda temos muita coisa nova pra contar.

Escrito por Gabriel Bá às 10h37
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Nacional ou importado?

Saiu a lista de indicados ao 18º HQ Mix. Como sempre, a lista traz sugestões de quem a comissão organizadora achou que se destacou mais na produção do ano de 2005, tendo em todas as categorias uma opção "outro" para você poder incluir alguém que você considera que tenha ficado de fora da lista. No entanto, sabemos que a maioria dos votantes vai votar somente em quem está ali marcado, o que dá muito valor a essa presença na lista.

Ao contrário do Angelo Agostini, somente profissionais e estudiosos relacionados à área de Quadrinhos votam no HQ Mix, escolhidos pela ACB (Associação dos Cartunistas do Brasil) no decorrer dos anos. Você pode, no entanto, se inscrever pra fazer parte dos votantes mandando um email pra hqmx@hqmix.com.br, com um currículo e/ou o seu site/blog.

Como de costume, o prêmio tem intermináveis 43 categorias, incluindo sempre as publicações estrangeiras que ganham sua versão em português por aqui. Num mercado tão pequeno e dominado pelo material que vem de fora, quem ganha com todos estes prêmios importados são as editoras, uma vez que os próprios autores raramente chegam a receber seus troféus (como o que entregamos ao Neil Gaiman em 2003).

Sobre isso, fico com uma dúvida: o nosso ROLANDO, publicado em 2005 pela Via Lettera, entra na categoria de edição especial nacional ou estrangeira? Sim, ele foi escrito pelo Shane e publicado pela Terra Major em 1999 nos EUA, mas a grande ênfase que dão ao livro, ao contrário da fabulosa história de Carlos Magno e o capitão da guarda, Rolando, contra o Mouros que dominam a Espanha, é que ele foi desenho por nós dois. É o nosso livro, nosso lançamento. Claro que eu tenho um grande amor pelo Rolando, só menor que o do próprio Shane, e foi por isso que eu fiquei 3 anos traduzindo a história e batalhando pra publicá-lo no Brasil. Seria ele um projeto nacional, dos gêmeos dos 10 Pãezinhos, ou em nada diferente que o Superman desenhado pelo Ivan e pelo Marcelo, publicado por aqui em meio a tantos outros quadrinhos estrangeiros? Seria ele diferente do Smoke and Guns que o Fábio desenhou o ano passado, ou do Casanova que eu estou desenhando?

A maior diferença entre o Rolando e todos os outros projetos que já fizemos ou estamos fazendo no exterior é que nós gastamos uma puta grana pra publicá-lo em 1999, pagando por 2 números. Foi um grande, bonito, colorido e caro gibi independente, feito por 3 caras que adoram Quadrinhos. Na época, nós tínhamos este dinheiro. Na época, achávamos que íamos explodir com nossa arte fenomenal. Na época, queríamos fazer super-heróis. Depois disso, nunca mais gastamos nada pra publicar algo nos Estados Unidos, muito menos colorido. Ainda assim, fico orgulhoso do Rolando toda vez que folheio suas páginas, nossas páginas. Ele foi e sempre será muito importante para nós.

Infelizmente, o ROLANDO não entrou na lista dos indicados, nem dos nacionais, nem estrangeiros. Mas outra publicação entrou, trazendo em seu âmago a mesma dúvida e, portanto, um pouco mais de esclarecimento. É o BANG BANG, indicado a "edição especial nacional", publicado aqui pela Devir, mas que havia sido elaborado inicialmente e publicado pelo mesmo Shane e pela mesma Terra Major um mês antes, na Comic Con de San Diego. Mesmo tendo 11 brasileiros entre os 14 profissionais do livro, foi negociada com a Devir como um gibi estrangeiro. Mas é uma publicação de 11 brasileiros, um grande esforço de fazer um álbum de qualidade, mostrar que não são só tiras de humor e quadrinhos pra criança que o mercado nacional produz.

Se não fossem os brasileiros envolvidos no Bang Bang, a revista não existiria, é fato. Assim como o Rolando. Se não fosse pelo Shane e sua pequena e independente editora, também não teríamos nenhum dos dois livros. Mas, se um deles está listado como edição especial nacional, o outro cai na mesma categoria, acho eu.


De qualquer forma, os dois livros foram grandes lançamentos do ano passado e espero que as pessoas os procurem pra ver o que é possível fazer em Quadrinhos. E, honestamente, não sei o que é pior. Competir com o Santô e os Pais da Aviação do Spacca e o Chalaça, do André Diniz, ou contra o Maus, o Sandman ou o WE3.

Escrito por Gabriel Bá às 09h58
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Ilustra Brasil 3

Estaremos hoje na abertura do Ilustra Brasil 3. Clique na imagem abaixo e confira a programação, com palestras de artistas internacionais, teóricos da ilustração e até publicitários. Vale a pena pela exposição e para ver como anda o mercado de ilustração de hoje.



Escrito por Fabio Moon às 15h42
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Robôs para todos.

O ano está correndo, nós também. Tudo que foi anunciado que aconteceria, acontecerá. Mas eu não vou ficar esperando sentado.

Hoje é dia 24 de Abril e o CASANOVA número 1 está indo para a gráfica. Além disso, como alguns de vocês podem lembrar, é o dia que o resultado do concurso Literatura para Todos seria anuciado. Descobrimos, porém, que isso só acontecerá dia 5 de Maio. Mais algumas semanas esperando não vão matar ninguém. O mais importante é que fizemos a história e, em breve, ela estará nas livrarias e, quem sabe, na sua mão.



Vocês também devem se lembrar de uma história que o Fábio e eu fizemos para uma antologia sobre robôs em Nova Iorque, organizada pelos criadores do NYC Mech. Entitulado 24seven, o livro conta com os trabalhos de artistas como BECKY CLOONAN, FAREL DALRYMPLE, PHIL HESTER, MIKE HUDDLESTON, ADAM HUGHES, FRAZER IRVING, ALEX MALEEV, GABRIEL BÁ, FÁBIO MOON, JIM MAHFOOD, TONY MOORE, MIKE AVON OEMING, RICK REMENDER, ESAD RIBIC, JOHN NEY RIEBER, EDUARDO RISSO, JIM RUGG, BEN TEMPLESMITH, DANIJEL ZEZELJ e outros, além da capa pelo ADAM HUGHES.



Pois é, e não é que a Image finalmente anunciou a tal antologia e, para surpresa de todos, dentre todos os super artistas que eles têm, disponibilizou A NOSSA história, The Firemen, como amostra do livro, no site de notícias de Quadrinhos Newsarama. Isso não é bacana demais?


thumbnail de todas as páginas.

Eu não sei se isso é bom ou ruim. Não sei se eles realmente gostaram da nossa história e decidiram usá-la pra divulgar o livro, ou se nós somos os desconhecidos que fizeram bonito e assim eles ainda guardam as histórias dos "fodões" para o livro em si. Ou até se nós fomos os únicos que mandaram JPGs das páginas a tempo deles divulgarem o material. Pode ser até que eles queiram usar essa notícia pra chamar atenção pro CASANOVA, também publicado pela Image. Na verdade, nada disso importa. Nós fizemos nossa história com todo o coração e agora todo mundo pode ver o resultado.

Pra ver a história (em inglês), clique na imagem abaixo.



Escrito por Gabriel Bá às 09h28
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Outra turma completa.



As vagas para a primeira turma do curso de arte-final com pincel acabaram. Obrigado a todos que manifestaram interesse. Logo, logo, mais informações sobre próximos cursos ou novas turmas. Semana que vem, eu coloco os desenhos que eu fiz durante a aula de preto e branco do Bá para participar de alguns exercícios.

Escrito por Fabio Moon às 18h11
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A garota da capa.


A profissão de Quadrinhista é, como já ressaltamos muitas vezes, muito solitária. O Fábio e eu temos sorte de trabalharmos juntos, termos a companhia, opinião e crítica um do outro nas intermináveis horas de trabalho. Como todo ser do signo de gêmeos (não que eu ligue pra essas bobagens), nós dois nos desdobramos em várias pessoas diferentes e, no nosso trabalho, não podia ser diferente.

Nós temos um lado que se empenha pra publicar nossas histórias no Brasil, divulgar Quadrinhos pelo país afora, melhorar a qualidade e o respeito da produção nacional. Outro lado batalha pelas publicações no exterior. Algumas vezes, os dois lados coincidem e podemos fazer coisas que serão usadas tanto lá quanto aqui. O CASANOVA, no entanto, ainda não é uma destas coisas.

Este projeto é o que mais me consome ultimamente, está chamando bastante atenção, mas ainda não há a menor chance do público brasileiro – o meu público – ler estas histórias em português. Mas há esperança, certo. Mas o projeto fará bem para nossa reputação, nosso reconhecimento e, conseqüentemente, nossas histórias que acabamos publicando por aqui.

Então, pra mostrar alguma coisa do Casanova, coloco aqui três etapas da produção da capa do segundo número da série.

1. O rascunho- Fiz um rescunhinho a lápis e já escaneei pra testar a compsição com as cores e o logo. Vejam que a capa segue os mesmos molde da capa do primeiro número, com a figura roxa com elentos laranjas sobre o fundo branco. A intenção era criar esta unidade entre as capas.



2. Preto e Branco - Eu adoro preto e branco, fazer o quê?



3. Versão final - então... aquelas plumas eram uma boa idéia, mas não funcionaram no desenho final, não consegui uma boa estilização pra elas, então decidi me livrar delas. A composição com o fundo branco também não estava ajudando a capa, então tentei o preto, que acabou ficando muito melhor que a idéia inicial, fazendo a figura "pular" muito mais. Nunca tenha medo de usar preto.



Eu mantive o leque de cores inicial, porque quero manter a unidade de todas as capas, pra mostrar que todas fazem parte de um arco maior da história. Assim, mesmo funcionando individualmente em cada edição, ao olhar pra todas as capas juntas, o leitor perceberá que todas são peças de um mesmo quebra-cabeça.

Estamos cheios de novas idéias, produzindo novas histórias e, em breve, teremos novidades para o público brasileiro. Eu quero contar Histórias em Quadrinhos e quero continuar morando no Brasil e sempre que estas duas coisas andam juntas, eu não quero mais nada.

Escrito por Gabriel Bá às 11h25
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4 meses e 4 dias.



Eu sou um contador de histórias. O que são histórias, se não um amontoado de lembranças, de datas e detalhes. Eu gosto muito de detalhes, das pequenas coisas que só têm significado ali naquele contexto imaginário da minha mente. Adoro datas e a forma com que elas me dão referência da minha vida, da minha existência no mundo. Amo as lembranças e as histórias.

Uma pessoa pode ser resumida por datas, "nasceu no dia tal de tal mês no ano tal, morreu no dia X do mês X do ano X", assim como um período histórico pode ser nomeado de acordo com o tempo que durou. No entanto, a Guerra dos 100 anos não durou cem anos. Isso me faz pensar o quanto de uma história é o que lembramos dela, ou até o que escolhemos lembrar? O que escolhemos contar?

Os detalhes da história que são importantes para mim podem não ser para outra pessoa, mas são fundamentais pra minha história. São as minhas lembranças.

Há 4 meses e 4 dias atrás, eu achava que já teria feito de 60 a 78 páginas do CASANOVA até o dia de hoje, mas eu só fiz 38 páginas até agora. O que aconteceu com a outra metade de todas as coisas que eu achava que ia fazer neste tempo?

Se minha guerra dos cem anos durou 4 meses e 4 dias, quantas pessoas vão nascer e morrer, chegar e partir? Na minha história, quantos anos vão durar meus cem anos de solidão?

Escrito por Gabriel Bá às 09h51
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Boa Páscoa.



Boa Páscoa a todos.
Até a semana que vem.

Escrito por Fabio Moon às 16h58
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Da idéia à cor - um presente a uma amiga.


O desenho começa como uma idéia e, como tal, não nasce pronto. Registrar essa idéia é a função do rascunho inicial, que não pretende transmitir, explicar, esgotar a imaagem. O rascunho apenas serve para que, ao vê-lo, o artista se lembre da idéia que ainda precisa realizar.

Como eu sabia que esse desenho seria colorido, fiz o lápis solto, como sempre faço, mas usei uma folha diferente da que usaria na arte-final. Meu lápis é sujo, mesmo quando econômico nas linhas, e isso acaba atrapalhando o papel, que fica cheio de sulcos e borrões.

Passei o desenho pronto na mesa de luz com um lápis vermelho. Podia ter usado qualquer lápis, não precisava ser um lápis de cor, mas foi o que estava mais perto da mão. E ele acabou sumindo embaixo do nanquim e da aquarela.

Eu tenho uma amiga chamada Talita. Todos os seus quatro irmãos têm nomes que começam com T. Ela tem uma sobrinha com nome que começa com T e, há uns três anos atrás, teve um filho, que ela chamou de Titus. Pois é, mais um T.

A Talita teve outro filho há pouco mais de um ano, mas esse ela chamou de Bruno. Desde então, ela vem nos pedindo um desenho para o Bruno, já que fizemos um quando o Titus nasceu. Como ela mora na Suiça, não fizemos o desenho pra mandar pelo correio, mas agora ela veio visitar os pais, os amigos e as praias, fizemos esse desenho para entregar pessoalmente.

A Talita adorou. O Bruno sorriu e disse "Do!".

Acho que ele gostou também.

Escrito por Fabio Moon às 14h23
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Ela me ama.


A nossa visita à ECA ontem foi, de longe, o momento mais feliz do meu ano até agora. Não estou falando isso porque a palestra estava lotada ou porque nós ficamos com o ego inflado por nos chamarem pra falar sobre nosso trabalho. Também não vou desmerecer tudo que já aconteceu de bom conosco nestes meses de 2006 e o que nos espera ainda pela frente. Mas estar ali, na faculdade que foi o berço dos 10 Pãezinhos, falando sobre nosso trabalho e olhando para nossa história de mais de 15 anos de paixão pelos Quadrinhos nos fez refletir mais uma vez sobre a vida... e eu fiquei feliz.

Foi estranho voltar à ECA, fazer os velhos caminhos, rever os técnicos de gravura e escultura, descobrir uma grande árvore no meio do pátio interno. Vários cartazes coloridos, espalhados por todas as paredes, anunciavam o evento. Sexta feira é um dia sem muita atividade no CAP (Departamento de Artes Plásticas), e reparamos que todas aquelas pessoas perambulando pelo prédio estavam ali por nossa causa. Por um instante, achávamos que fosse mais um daqueles eventos vazios, daquelas palestras particulares para os 3 gatos pingados de sempre. Não sei quantas pessoas estavam presentes, mas a sala de multimídia, que não existia na "minha época", estava cheia de olhos brilhantes e ouvidos atentos. E não parou de chegar mais gente.

O mais difícil sempre é começar... "Oi, eu sou o Bá, ele é o Fábio, nós fazemos Quadrinhos, fazemos os 10 Pãezinhos"... "Eu estudei aqui, há muitos anos atrás." Estávamos ali olhando para o passado, contamos como foi nosso caminho até o nosso presente e demos a nossa visão do que vemos no nosso futuro. Todos que já viram uma palestra conosco sabem que falamos muito, quase sem parar. Dessa vez não foi diferente, mas conseguimos dar uma geral em tudo e ainda nos sobrou uma hora pra responder perguntas. E elas vieram. E foram ótimas.

Público atento e interessado, mentes universitárias borbulhando, a vida correndo nas suas veias de uma maneira que não víamos há muito tempo. Homens e garotos, mulheres e meninas, desconhecidos, anônimos e fantasmas. Interesse na faculdade, no lado prático do trabalho e como viver de desenho, curiosidade sobre os mercados internacionais. Muitas perguntas sobre as histórias, antigas e novas. Nenhuma pergunta sobre "a solução do mercado nacional".

Temos a fama – merecida – de sermos muito fatalistas em palestras, mal-humorados e rabugentos. Um reflexo da seriedade que impomos no nosso trabalho, mas dessa vez parecia que estávamos velejando em águas calmas e seguras, entre amigos. Eu estava um pouco nervoso no início, tremia, mas fui contagiado por uma ótima sensação, que eu não sabia muito o que era, mas que me embriagou e tingiu todas as minhas respostas. Foi somente quando nos perguntaram "como vocês fizeram o Meu Coração, Não Sei Por Que?" que as coisas ficaram mais claras pra mim. Eu respondi:

– "Eu estava muito apaixonado. Quando você ama, parece que tudo na sua vida funciona. Os problemas perdem um pouco a importância, nada é tão grave porque, afinal, ela me ama. Tudo parece entrar nos eixos e a vida parece mais simples. Da mesma forma de quando somos crianças, quando tudo é simples e maravilhoso e mágico. Era isso que eu queria contar com essa história."

Amor.


Capa da edição 29 do fanzine. Setembro de 2000. Arte e amor de Gabriel Bá

Todo mundo quer. Todo mundo entende. É isso que sempre motivou nossas histórias, a nossa vida. Essa paixão pelos Quadrinhos, por contar histórias em Quadrinhos onde as pessoas queiram se apaixonar e onde os leitores se apaixonem ao final de tudo.

Eu vi o amor renascer naquela sala. Vi que ele realmente torna tudo mais simples e que, perto dele, os problemas não são nada. Percebi que, apesar de tudo, estamos no caminho certo. No nosso El Camino.

Vamos continuar nesse caminho, devagar, com perseverança, espalhando pra pessoas de todos os cantos como termina uma história de amor.

Escrito por Gabriel Bá às 20h25
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Expressão até a última pincelada.



Curso de arte-final com pincel


com Fábio Moon

A arte-final define o estilo do desenho. Se não define por inteiro o estilo, define a cara e o resultado final da imagem. Diferentes técnicas resultam em imagens completamente diferentes de um processo que começa igual.

Por que fazer arte-final com pincel?

A arte-final com pincel é a mais individual e, talvez por isso, a mais expressiva das técnicas de desenho. Talvez também por isso, seja uma das técnicas mais difíceis, onde as qualidades e os defeitos do artista ficam mais expostos. Mas não é nenhum monstro de sete cabeças.

Se o desenho só está pronto quando está finalizado, então a arte-final é, ao contrário do que pensam muitos desenhistas, a parte mais importante da produção, onde o estilo individual de cada define como uma imagem será percebida pelos olhos alheios.

O curso de arte-final com pincel pretende introduzir a técnica do uso do pincel, suas características principais e como a finalização de um desenho deixa aparente o estilo individual de cada um. Em quatro aulas, uma vez por semana, veremos exemplos de artistas que usam o pincel, atingindo os mais diversos resultados, além de realizar vários exercícios para colocar em prática os assuntos tratados nas discussões teóricas.

Pré-requisito: É preciso saber desenhar. O que isso significa? Significa que o curso se propõe a desenvolver como terminar o seu desenho, não como começá-lo. Cada aluno deve já possuir conhecimentos básicos e práticos de desenho.

Datas: às terças-feiras, dias 2, 9, 16 e 23 de Maio de 2006, das 20 às 22:30h.
Local: no Estúdio "10 Pãezinhos", perto do metrô Vila Madalena, em São Paulo.
Idade: de 16 anos para cima.
Preço: R$ 100,00 por pessoa
10 VAGAS
Inscrições e mais informações pelo e-mail 10paezinhos@gmail.com.

Escrito por Fabio Moon às 15h56
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10 anos de UOL - parte 1



Escrito por Fabio Moon às 17h53
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Hálito do Artista.

Estaremos na ECA - USP nesta sexta-feira, dia 7 de Abril, participando do hálito do artista. Se você tiver vontade de saber mais sobre o nosso trabalho, quiser ver páginas antigas do fanzine, assim como novas páginas inéditas, apareça. A entrada é gratuita e todos estão convidados.

O papo acontecerá no Departamento de Artes Pláticas, na sala C6, às 13h.

O Bá fez ECA. Se formou em Artes Plásticas. Muita gente não sabe de que adianta fazer Artes Plásticas se você quer fazer histórias em quadrinhos. Muitos professores da ECA (e da FAAP, onde eu fiz faculdade de Artes Plásticas) com certeza não sabiam. Mas nós, que talvez não soubéssemos quando entramos na faculdade, descobrimos com o passar dos anos: a faculdade é um lugar de trocas e, quanto mais diferentes as pessoas com quem você convive, mais você tem a trocar, a aprender.

Aprendemos muito na faculdade, e agora vamos mais uma vez trocar figurinhas com os outros. Com os artistas, com os curiosos e, quem sabe, com você.



Escrito por Fabio Moon às 09h36
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Desenhando o Desenhista.

Essa semana, começa o curso de preto e branco do Bá. Os preparativos para a primeira aula estão quase prontos, mas o trabalho não pára e a correria só aumenta. Mesmo assim, estamos animados. Essa semana ainda, mais notícias sobre o próximo curso.

Enquanto a nova história não começa e eu continuo fazendo storyboards, relaxo a mão fazendo rascunhos e desenhos de observação. O desenhista deve estar sempre desenhando, mesmo que só aqueles rabisquinhos de bloquinho de recados, ao lado do telefone, com uma BIC velha.

O desenho mais recente do meu caderno (feito direto com BIC) foi esse:



Escrito por Fabio Moon às 19h02
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