Algumas histórias começam de longe e vão chegando perto. Aos poucos, você vai conhecendo os personagens, mas primeiro você precisa de um plano geral. Evita que a história comece com o leitor perdido dentro dela.
Às vezes, entretanto, as histórias começam justamente assim. Lá está você, perdido em detalhes que te chamam a atenção. Se, num primeiro momento, você está pensando em acontecimento outros que não os que te rodeiam, é somente quando um detalhe te captura, te prende e te conduz o olhar que nossa história começa.
Nesse momento, perdido, você se segura a esse detalhe que te conforta.
Quando se dá conta, o detalhe faz parte de uma história maior, mais interessante, e muito mais bonita.
Meu primeiro contato com a política veio com o desenho. Não o meu, o dos irmãos Caruso. Ao mesmo tempo que eu descobria Chiclete com Banana, Circo e Piratas do Tietê, meu pai trazia para casa livros de charges de política. Lá, eu conhecia os canditados, os partidos, e os absorvia como se fossem personagens de uma história de super-heróis - ou super-vilões, talvez.
O humor, a charge e os quadrinhos são bons veículos para retratar a política e para registrar as figuras do nosso tempo. Eu continuo acompanhando as charges de política da Folha, mas sinto falta de mais livros, principalmente num momento político como o de hoje, que é ao menos exageradamente trágico e cômico.
Hoje, na Livraria da Vila, tem o lançamento do livro CorruPTos?... mas quem não é?, do cartunista Diogo Salles. Acreditando que os acontecimentos atuais rendiam mais que charges de uma imagem só, Diogo criou uma história em quadrinhos que reconta, analiza e satiriza nosso cenário político, tudo isso com muito bom humor. Mais do que um ataque ao governo atual, o livro fala do nosso governo em geral, tanto o de hoje como o anterior, e principalmente sobre o "jeitinho brasileiro" de fazer política.
O lançamento começa às 18h e vai até o último cliente, mas o Diogo estará fazendo caricaturas para os que chegarem cedo.
Lançamento
Sexta-feira, dia 25 de agosto de 2006, às 18h, na Livraria da Vila Rua Fradique Coutinho, 915 - Vila Madalena (São Paulo)
Todo mundo se move diferente. Você pode ter a imaginação mais fértil e mesmo assim a variedade que você encontra estudando as pessoas à sua volta sempre te supera.
Eu adoro fazer desenhos a partir de pessoas reais. Acho que aprendo muito mais sobre a personalidade dos movimentos e acabo ganhando mais vocabulário no aspecto visual.
Esses estudos são parte de uma nova história curta. Histórias curtas, além de serem boas para retratar pequenos recortes da vida, são um bom jeito de utilizar personagens enquanto suas "grandes" histórias não estão prontas. Você conhece seu personagem, se acostuma com ele, e isso facilita a execução da história longa, pois o personagem já está mais definido e fica mais fácil pensar o que ele irá ou não fazer.
É delicioso criar personagens, assim como é bom conhecer pessoas novas, e ainda se parece com a sensação de reconhecimento silencioso que temos sempre que encontramos bons amigos.
Alguns personagens são visuais e o mais importante é a sua aparência. Outros surgem na maneira como falam. Existem personagens que se parecem com vários outros, não falam nada de especial, mas estão ali pelo que fazem, mesmo que façam apenas uma coisa, uma vez. Aquela era a vez deles.
Esse ano, eu perguntei para o Terry Moore (escritor do Estranhos no Paraíso) como ele consegue fazer o mesmo gibi por mais de dez anos, ao que ele respondeu:
Nós gostamos muito de palestras. Na palestra, você pode ver o artista falando da obra, não só do seu conteúdo, mas das suas motivações, do processo de produção e dos problemas de percurso. É uma oportunidade de ouvir o público fazer perguntas que você mesmo nunca se fez, de passar um pouco da sua experiência para outros que ainda têm tão pouca. É uma oportunidade de ligar as duas pontas do mesmo mundo.
A internet também oferece uma janela para este tipo de experiência, com sites, blogs, vídeos. É uma chance para aqueles que moram longe ou não tinham tempo de estar presentes de ver um pouco do que se passou naquele dia, naquela hora, com aquelas outras pessoas.
Assim como uma palestra, o intuito aqui nunca foi dar a informação completa, esgotar um assunto, contar todos os segredos por trás de cada história. O que a gente quer é dar um gostinho do que nós fazemos, passar um pouco da nossa paixão por Quadrinhos pra outras pessoas, mostrar que é uma profissão maravilhosa e possível e, se tudo der certo, instigar mais e mais pessoas a lerem nossas histórias.
Semana passada demos uma palestra na Quanta sobre nossa experiência na Comic Con deste ano, mostrando todo caminho que percorremos em 10 anos de Quadrinhos. Foi uma ótima releitura da nossa carreira, de onde partimos, onde estamos, com chegamos aqui e pra onde vamos.
O Marcelo gravou um pouco das palestras e disponibilizou dois pequenos vídeos no blog da escola. No primeiro, o Fábio fala um pouco sobre o Bone e o Strangers in Paradise, dois exemplos incontestáveis de Quadrinhos independentes de sucesso. No segundo, eu digo que é melhor saber e dominar o "básico" da produção de Quadrinhos do que ficar contornando fraquezas e enfeitando sua obra com efeitos de computador.
Quadrinhos independentes de sucesso.
O básico é tudo.
Nós também gravamos um pouco do que dissemos e vocês podem conferir nos links abaixo. Como eu disse, não substitui a experiência em si, a presença, nem pretende dar tudo que foi dito na palestra, mas é só pra dar um gostinho e fazer vocês ficarem com vontade de mais, pois estamos sempre produzindo mais. Nestes vídeos, eu estou falando da ótima experiência de produzir e publicar contantemente e de como foi que o Scott Allie entrou em contato comigo e me convidou pra participar do novo projeto na Dark Horse, Umbrella Academy. O escitor da história, Gerard Way (da banda My Chemical Romance), deu uma entrevista sobre o projeto no próprio site da Dark Horse.
Neste sábado, dia 19 de agosto, acontecerá a segunda edição do projeto ENQUADRANDO, encontros sobre Quadrinhos em São Paulo, organizado por Marko Ajdaric, do Neorama dos Quadrinhos, na Gibiteca Henfil (Centro Cultural São Paulo: Rua Vergueiro, 1000, com rampa direta da estação Vergueiro do metrô), de 14 às 18:30 horas, com exposições, vídeos, palestras e muitas outras atividades relacionadas a Quadrinhos. Dentre as atividades, vale o destaque para o lançamento em São Paulo da Juquebox, nova revista dos criadores da MOSH!.
Concomitantemente, acontece neste fim de semana no mesmo Centro Cultural Vergueiro, a Primavera dos Livros, uma grande feira de pequenas editoras, tudo com enormes descontos. Sempre uma boa pedida. Já participamos de algumas Primaveras, tanto aqui quanto no Rio, sempre com resultados positivos.
A todos, um feliz dia dos pais. Já é noite e acabei voltando ao estúdio para fazer umas ilustrações para a Folha. Amanhã, vejam o caderno Cotidiano. Gosto da rapidez do jornal. Minha pincelada está ficando mais expressiva.
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Dia 19 de Agosto tem o lançamento do novo número da revista O Contínuo, a partir das 22h no Paulistão Club (rua Treze de Maio, 402, Bexiga). O novo número tem quatro histórias com arte de Pedro Bottino, Mathé, Alcimar Frazão e Olavo Costa e, nessa edição, eu fiz a capa.
Apareçam, prestigiem e leiam.
E rola o samba.
ENTREVISTA
Saiu uma nova entrevista conosco no site Melhores do Mundo. Ficou bacana. Falamos da nossa história, dos lançamentos, do mercado nacional e de futuros projetos. Pra ler, clique aqui.
Acabei hoje mais uma história para a editora americana Boom Studios para sua próxima coletânea temática. Desta vez: PIRATAS! Ouvi dizer que até a Julia Bax desenhou uma história para a mesma coletânea. Quando sair, eu aviso. Ou não.
Das três histórias que eu desenhei para a editora, essa foi a que ficou mais legal. Pensei que ia ficar horrível, não estava com a mínima vontade de fazer, fiz só pelo dinheiro (que não era muito, mas que foi pago durante a convenção de San Diego e garantiu minha estadia durante a viagem). Acho que ela acabou se beneficiando da mesma empolgação pós-convenção que nos motivou a fazer O Girassol e a Lua há dez anos atrás. Esse ano, voltamos tão empolgados com a produção de quadrinhos e com o clima da convenção, que tudo o que eu queria fazer quando cheguei em São Paulo eram páginas de Quadrinhos. Mais do que isso, eu queria fazer o meu melhor, buscar o melhor para a história, sem cair no piloto automático.
Por mais profissional que você seja, a empolgação é grande parte do trabalho. Ao menos, do meu.
Amanhã, estaremos contando essa e outras histórias sobre Quadrinhos, sobre a convenção de San Diego e sobre as novidades na unidade 1 da Quanta (rua Minas Gerais, 27, em São Paulo), a partir das 20h. Para quem vai para a convenção todo ano e acha que vai ser sempre igual, descobrimos mais uma vez que cada vez é diferente.
O Marcelo Campos, grande quadrinhista e diretor da escola, estará avaliando portfólios a partir das 18h, então leve suas páginas, seu fanzine, sua revista. Apareça e faça perguntas.
Nós adoramos contar histórias. Não só no papel, adoramos contar histórias de viagens, de causos, de coisas que aconteceram e que nos marcaram, passar pra frente as experiências que tivemos e as coisas que aprendemos.
De uns tempos pra cá, a Quanta tem se tornado um ótimo lugar pra contadores de histórias, que podem ir até lá e conversar com um público sempre ávido por informação e novidades. O pessoal da escola tem organizado vários eventos e agitado o mar calmo dos Quadrinhos nacionais.
Sexta agora, dia 11 de agosto, às 20h, estaremos lá contando mais histórias da Comic Con de San Diego, dos nossos 10 anos de convenção, dos lançamentos e novidades.
Levaremos a nova revista, Um Dia, Uma Noite., além de Casanovas 2 e 3 (cada revista é R$5,00, então leve troco).
Além disso, vamos sortear 2 originais do Fábio (na verdade mesmo, é um original e uma surpresa).
Esperamos vocês lá.
QUANTA ACADEMIA DE ARTES - Unidade I Rua Minas Gerais, 27 – Higienópolis, São Paulo, SP, 01244-011, Brazil 0(XX)11 3214-0553 quantaonline@terra.com.br
Em 1997, quando fomos a primeira vez pra Comic Con de San Diego, pegamos várias filas de autógrafos e rascunhos. Muitos destes rascunhos foram parar nas capas de trás do fanzine dos 10 Pãezinhos. Este foi o nosso primeiro relato de uma convenção.
Em 2003, com a chegada da tecnologia (leia "câmera digital"), conseguimos fazer nosso primeiro relato um tanto mais detalhado da convenção, também porque foi nesse ano que as coisas começaram a acontecer pra gente.
2004, com a publicação do Autobiographix, Ursula e com o nosso ROCK'N'ROLL em mãos, começamos a chamar a atenção do público, dos autores e da crítica especializada.
O ano passado, descobrimos a internet sem fio no albergue, o que possibilitou a transmissão diária de notícias e novidades, com imagens fresquinhas e muita empolgação. Quando voltamos, montamos nosso vídeo da Comicon, não com entrevistas, depoimentos e imagens de artistas famosos, mas com um retrato da nossa experiência particular, nossa mesa da Terra Major, nossa alegria de estar fazendo o que gosta rodeado de amigos. Mais do que informação sobre a Comic Con, queríamos passar uma sensação boa que nos contagia, pra que outros tenham vontade de sentir a mesma coisa.
Este ano, muito nos esperava na convenção. Este ano, as coisas que estavam pra acontecer não aconteceriam sozinhas, mas seriam a coroação de tudo que fizemos em todos os outros anos. Pra muita gente, poderia parecer que nós aparecemos do nada. Pra gente, às vezes parece que não é verdade e nós não conseguimos entender direito como chegamos até aqui. Mas é só parar um pouco pra pensar, lembrar destes 10 anos de luta, de tantas histórias, de conquistas e derrotas, que a gente descobre que não é nenhum milagre o que nos esperava na Comic Con este ano.
Este é o sentimento que nos motivou na hora de montar o nosso relato da Comic Con deste ano. Clique na imagem abaixo pra assistir.
PS: pra quem não conseguir assistir no Quicktime, pode assistir no YouTube clicando aqui, ou no DailyMotion clicando aqui.