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Brasileiro - parte 2.
Hoje é o dia do Quadrinho Nacional, data escolhida em homenagem ao Angelo Agostini e sua HQ As Aventuras de Nhô Quim ou Impressões de uma Viagem à Corte, publicada no dia 30 de Janeiro de 1869. No entanto, Agostini não estava pensando nisso quando fez sua página. Nunca criamos uma data e a imortalizamos na História. O que acontece é o oposto. Acontecimentos marcantes ficam na memória e na História, movimentos são nomeados posteriormente, a história é escrita olhando para trás (e não falo isso num tom pejorativo, de maneira alguma).
Li aqui na internet sobre uma "campanha" (se é que se pode chamar assim) para instituir 2007 como O ano do Quadrinho Brasileiro. Foi uma idéia que surgiu com Willer Nepper, de Curitiba, no seu fotolog. Lá ele defende que devemos virar a mesa do mercado nacional, dominado por publicações de material estrangeiro, que devemos nos unir e mandar mais material para as editoras. Ele completa dizendo pra investirmos mais na criatividade, ao invés de usarmos as mesmas fórmulas gastas das publicações que vêm de fora.
Eu até acho uma boa iniciativa, mas não são dois parágrafos num fotolog ou a criação de um selo (como fizeram Michelle Ramos e Erick Artmann) que vai transformar este ano no ano do Quadrinho nacional. Mesmo que todos os sites , blogs sobre Quadrinhos e todos os Quadrinhistas que têm site, blog ou fotolog escrevessem um texto ou fizessem um desenho para apoiar esta idéia, nada seria diferente. Se saísse no jornal uma grande matéria de página dupla sobre o ano do Quadrinho Brasileiro, não faria a menor diferença.
2006 foi um ótimo ano pro Quadrinho Brasileiro, pois publicou-se muito. Claro que a proporção ainda é pequena se comparada ao volume de publicações gringas, mas a produção está crescendo. Muitos artistas estão se auto-publicando, o que mostra que a maior vontade deles é ver sua história impressa, mesmo que uma editora não acredite no seu projeto. A qualidade das publicações independentes nada deve àquelas das editoras. As editoras, que se multiplicaram, também estão sedentas por material nacional. Um nicho restrito à Via Lettera, Devir e Opera Graphica (ou até a heróica Trama) agora se estende a todas elas. Até editoras de livros estão investindo em Quadrinhos.
Vamos produzir Quadrinhos, sem culpar ou desculpar ninguém. Vamos fazer e vamos fazer bem feito, pois sabemos como. Criatividade e talento não faltam, só falta mesmo é a prática. Então pratiquemos.
Lá na frente, quem sabe, poderemos olhar para trás e ver que 2007 foi o ano do Quadrinho Brasileiro.
Escrito por Gabriel Bá às 15h33 [ ]
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Brasileiro.

Pela música, pela literatura e pela paisagem, já vale a pena ser um quadrinhista brasileiro. Não importam os problemas, o Brasil tem tudo isso de maravilhoso que nos rodeia e nos influencia.
Tem ainda as pessoas, diferentes de todas as outras que eu conheço, talvez porque eu seja também brasileiro, mas mesmo assim diferentes, estranhamente interessantes, exóticas na constante capacidade de surpreender, de viver no bom e no ruim, e de procurar o outro ao invés da solidão.
Escrito por Fabio Moon às 14h53 [ ]
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Passeando pela internet.
Saiu uma entrevista com a Becky Cloonan no site HQ Maniacs. Ela não tem nenhuma revista publicada em português (por enquanto), mas faz parte da nova geração de quadrinhistas independentes.
Enquanto isso, do lado de cá do mundo, visitem o sempre divertido blog do Gustavo Duarte que, nesse começo do ano, está colocando alguns de seus desenhos que fogem dos habituais comentários futebolísticos. Deixa em todos uma vontade ainda maior de ver um livro inteiro somente com ilustrações dele, ou quem sabe até um gibi.
Estimulado por um dos desenhos do Gustavo, que tem vontade de se aventurar mais pelas charges políticas, acabei eu também fazendo um desenho sobre o medo dos próximos quatro anos. Ainda acho que não sirvo para esse tipo de coisa, mas às vezes é bom exercitar outros músculos.

Escrito por Fabio Moon às 14h54 [ ]
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Escondido.

As histórias estão todas aí, por toda parte, ao nosso redor. Quando olhamos de uma determinada maneira, com a cabeça inclinada, parece que aquela velha atravessando a rua não é somente uma velha, é ainda a moça que um dia foi, vestindo - como de fato está - o mesmo vestido que vestiu há quarenta anos atrás. Você não consegue deixar de pensar o que esse vestido carrega para que a velha se sinta novamente jovem, novamente viva, como se tudo fosse como um dia ela viveu, nada mudou, nada envelheceu.
Essa juventude congelada atravessa a rua e você olha para o outro lado, procurando outras histórias. Os prédios também colaboram, também são a vida que as pessoas lhes deram. Alguém escolheu aquela cor de parede, aquela janela. Alguém se debruçou naquela janela que, talvez, fosse de outra cor em outra época, e ficou espiando a banda passar.
Talvez fosse uma velha, vestindo um vestido que a fizesse se sentir nova.
Talvez fosse uma moça feia que pensava que a banda tocava para ela.
As histórias estão nos livros que você lê, nos filmes que vê, nas músicas que ouve, nas pessoas que conhece e nos lugares por onde você passa. Não fique parado, escondido, esperando sua musa.
Ela está esperando lá fora por você.
Escrito por Fabio Moon às 12h00 [ ]
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ANGELO AGOSTINI!
AQC-ESP divulgou a lista dos premiados do 23º Prêmio Angelo Agostini.
Melhor Desenhista de 2006: Fábio Moon e Gabriel Bá Melhor Roteirista de 2006: Anita Costa Prado Melhor Cartunista de 2006: Márcio Baraldi Melhor Lançamento de 2006: Katita, Tiras Sem Preconceito (Editora Marca de Fantasia) Melhor Fanzine de 2006: Justiça Eterna de Sérgio Chaves Troféu Jayme Cortez: Edgard Guimarães Mestres do Quadrinho Nacional: Gutemberg Monteiro, Luiz Teixeira da Silva (Tule) e Xalberto
O evento será no dia 10 de fevereiro de 2007, sábado, a partir das 12 horas no SENAC Lapa Scipião, comemorando o dia do Quadrinho Nacional (oficialmente comeorado no dia 30 de Janeiro). Mais perto da premiação, divulgaremos toda a programação do evento.
Muito obrigado a todos que votaram na gente.
Escrito por Gabriel Bá às 12h43 [ ]
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O RESGATE!
Quarta feira, me ligaram da Folha pra fazer uma ilustra sobre o buraco do metrô, pra edição de Domingo. Tenho que entregar o desenho hoje até as 16hs.
Ontem, enquanto fazia o lápis do desenho, me ligaram novamente pedindo outro desenho, pra ontem mesmo, pra edição de hoje, pois estavam retirando a van e essa seria a notícia de hoje. Fiz o desenho abaixo, mandei pra eles e voltei pro outro desenho.

Hoje fui à banca comprar a Folha e o desenho não estava lá. Algumas fotos e uns infográficos. Muito mais informação, com certeza. Afinal, é o que eles fazem, dar a informação.
Hoje vou entregar o desenho pra edição de domingo. Espero que saia, pois estou a 3 dias sem desenhar Quadrinhos por causa deste buraco. É o dinheiro deles e o meu tempo.
Escrito por Gabriel Bá às 10h31 [ ]
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Figueroa Hotel
Uma das melhores coisas que um artista pode fazer é transitar por diferentes mídias e trabalhar com outros profissionais. Seu trabalho pessoal sempre tem a ganhar com a visão dos outros. Sempre que perguntam o que eu faço, digo "Histórias em Quadrinhos", mas eu acabo fazendo um monte de outras coisas relacionadas principalmete com desenho. No final, essas outras coisas acrescentam muito aos meu trabalho com HQ.
De vez em quando, surge um trampo legal que te faz parar tudo por alguns instantes, pra depois voltar ao dia-a-dia das páginas e narrativas. No ano passado, eu fiz um destes trampos convidado pelo Grampá e pelo Denis "CISMA" Kamioka. Era para a ESPN, sobre a NBA.

O Grampá fez os jogadores, eu fiz o cenário, o Denis montou e fez umas mágicas lá, além de dirigir os comerciais de TV. Hoje o trampo está nas paredes do Hotel Figueroa, em Los Angeles.
O engraçado era o Grampá e eu, trabalhando de madrugada aqui, falando com o Denis em Barcelona, pra entregar para o cliente em New York, um trabalho que ficaria nesses prédios em Los Angeles.

Se me pedissem pra pintar um muro, falaria que "não é o que eu faço". O material é outro, a técnica é outra e a escala dos meus desenhos se baseia em movimentos do pulso, quando não somente dos dedos. Raro é o trabalho que eu tenho uma dimensão de braço ou maior que isso. Ver um desenho deste tamanho é um tanto estranho. Deve ser um pouco o que um grafiteiro sente ao fazer um trabalho num prédio bacama, ou num tamanho bem grande. Ou até de um muralista do Renascimento. Arte.
Agora, depois deste instante de viagem, vou voltar pra dimensão da prancheta e para as páginas.
Escrito por Gabriel Bá às 17h52 [ ]
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Novo ano, novas histórias.
O ano passado foi ótimo. Para mim, pro Quadrinho nacional, para todos. Por que foi tão bom? Produção.
Nunca desenhamos tanto. Nunca publicamos tantas coisas num só ano. Da mesma forma, nunca se publicou tanta coisa diferente no Brasil. Surgiram novas editoras e quem acaba ganhando com isso é o leitor.
Os quadrinhos estão mais caros? Sim, mas a variedade do material em banca é o melhor ganho no mercado nacional. Só vendo esse número enorme de possibilidades de histórias que podem ser contadas em Quadrinhos é que o público – e os autores, assim espero – vai entender que a nossa profissão não é coisa de criança, não se limita a tiras de jornal, Mônica, humor ou super-heróis. Podemos produzir histórias engraçadas, mas esse é um trabalho sério e acho que existem muitas publicações no mercado hoje que ajudam a mostrar isso.
As tiragens não são grandes e as vendas são ainda menores. O mais importante é que a editoras continuem publicando novos materiais, diferentes, e que os autores produzam mais. Quando você produz bastante, seu trabalho melhora. Seus textos melhoram, sua narrativa, seu traço.
Queremos produzir novas histórias este ano. Histórias diferentes. Além dos trabalhos com outros autores ou publicados em antologias, queremos fazer mais histórias nossas, mais 10 Pãezinhos.
2007 é um ano muito especial e temos muita coisa planejada para ele. Agora é fazer tudo isso acontecer no papel e fora dele.
Escrito por Gabriel Bá às 14h20 [ ]
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A cor, ou as cores.

No Brasil, o mais importante para o quadrinhista é levar suas histórias ao público, pois sua história só estará completa quando for lida. Sendo assim, sempre considero qual o melhor caminho para possibilitar esse trânsito entre o autor e o leitor, e essa é uma das razões pela qual fazemos a maioria das nossas histórias em preto e branco.
Preto e Branco é barato e, se funcionar em preto e branco, pode quem sabe um dia funcionar colorida também.
Além disso, somos apaixonados por histórias em preto e branco, então nunca foi difícil abrir mão das cores durante a produção dos nossos pãezinhos.
Às vezes, pensamos em projetos coloridos e, nessas horas, é importante se divertir colorindo do mesmo modo que você se diverte desenhando (ou mesmo escrevendo). A cor funciona do mesmo modo que o desenho, criando o clima, direcionando o olhar e informando o leitor sobre o mundo que você está criando.
Nem sempre a história colorida precisa de muitas cores. Às vezes, somente uma já dá conta do recado, como no Casanova. O Matt Fraction, volta e meia, pergunta se a gente podia fazer o gibi colorido (no sentido de várias cores), mas é justamente esse visual "preto e verde" que dá essa identidade própria para o gibi, essa cara estranha, bizarra, como se o gibi pertencesse a uma outra realidade (assim como o personagem, que está vivendo numa outra realidade). Usando somente uma cor, o Bá consegue acentuar o clima da história, e produz um gibi que não se parece com nada que está sendo produzindo mensalmente nos Estados Unidos.

Seguindo a mesma mentalidade, eu sabia que O Alientista não seria um gibi super colorido. Para mim, o mais importante era criar um clima, uma identidade visual, uma sensação de que essa história se passa numa outra época. Ele podia ter sido feito em preto e branco, mas acho que o uso de cores, mesmo poucas (principalmente poucas), ajuda na atmosfera da loucura geral da história.

Ainda em janeiro, tenho uma história curta planejada e, mais uma vez, ela é colorida. Depois disso, quero produzir mais em preto e branco, que é uma delícia, é mais rápido e, dependendo do projeto, é mais legal.
Escrito por Fabio Moon às 09h54 [ ]
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2007.

Eu adoro a cidade, sua complexidade, seu ritmo e sua memória das vidas que por ela passam todos os dias. Talvez por isso a cidade faça parte de grande parte das minhas histórias, ou talvez seja apenas um reflexo da minha própria vida, e da vida que acontece todos os dias na frente dos meus olhos, na cidade em que vivo.
Mas a cidade não tem tudo que eu preciso, principalmente quanto o que eu quero justamente é não precisar de nada. Nessa hora, é preciso sair, buscar outro lugar, longe da cidade, do barulho, do ritmo. Quando chegar lá, pare e escute. A princípio, o silêncio, a falta de carros, de fumaça, de luzes, e então o que há por trás: a tranquilidade.
Nessa virade de ano, levei comigo alguns gibis, mas não li todos. Passei muito tempo olhando para o horizonte, em silêncio, escutando o barulho do mar. Levei alguns livros, mas não li todos. Passei muito tempo andando descalço, sem camisa. Levei meu caderno de rascunho, mas desenhei pouco. Passei muito tempo pensando no futuro, sorrindo à toa e sonhando acordado.
É bom estar de volta.
Temos todos muito trabalho pela frente.
Escrito por Fabio Moon às 17h56 [ ]
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