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então... não?
Escrito por Gabriel Bá às 14h58 [ ]
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Lentamente, o robô caminha.

A história dos robôs caminha lentamente. Não tenho prazo - ou até tenho, mas é longo - e isso acaba me atrasando, me deixando pensativo, e não faço mais do que uma página por dia. Em pensamento, me adianto ao ponto de considerar essa história terminada, pois já está escrita, e fico muito mais tempo pensando na próxima, que lentamente vai tomando corpo, mas que ainda não tem título, não tem nome de nenhum personagem, e ainda não tem fim. Acabo fugindo da prancheta para ficar na cabeça, nos rascunhos, nas palavras.
Mas a prancheta continua lá, me esperando, e a história dos robôs continua caminhando, mesmo que lentamente. Eu sei que não é todo mundo que consegue se envolver em projetos internacionais escrevendo as próprias histórias e, sendo assim, não devo - e não posso - desperdiçar nenhuma oportunidade, principalmente se for boa.
Escrito por Fabio Moon às 15h07 [ ]
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Ballet.

Desenhar é como dançar. Uma arte. E, como dançar, todo mundo pode praticar.
Dançar bem, assim como desenhar bem, vem da prática, mas tem gente que leva jeito pra coisa e aprende mais rápido. A arte está no ponto de vista que cada um traz, carrega, exprime, pode ser o "ponto de vista", a "opinião", o "algo a mais". Alguma coisa chama a atenção e, por algum motivo, você segue esse caminho e continua aprendendo, melhorando, levando jeito e levando a vida.
História em Quadrinhos é mais do que somente desenhar e, seguindo o paralelo, é como um espetáculo de dança. Existe, além da arte, uma extrutura, uma coreografia que percorre um caminho, onde vários elementos, dançarinos, trabalham juntos para compor o quadro que se constrói ao longo da música.
Durante a música da sua história, você vai precisar aprender os passos, vai improvisar em alguns momentos, vai desenvolver a confiança com sua parceira (a arte), com a sua equipe, consigo mesmo. Quando você confia em si mesmo, a preocupação sobre o que você é capaz se torna o desafio de descobrir qual o próximo passo.
Qual é a próxima música?
. . .
Umbrella - Primeiras gotas que caem no guarda-chuva.
 Clique aqui e leia uma entrevista (em inglês) com o escritor e o editor do Umbrella Academy, gibi que o Bá está desenhando esse ano para o mercado americano. As primeiras imagens da "equipe" são reveladas, e os dois cobrem o Bá de elogios. Enquanto isso, na caixa de emails, o Dave Stewart (colorista do Hellboy) mandou as duas primeiras páginas coloridas por email para o Bá aprovar.
Escrito por Fabio Moon às 10h02 [ ]
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CARNAVAL! VEJA! O estado de São Paulo.
Eu costumava dizer que não gostava de Carnaval. Costumava viajar para o maio do mato, escalar montanhas e ficar ouvindo o barulho dos insetos noturnos durante o Carnaval. Costumava ficar irritado com essa festa "Brasil para exportação" que acontece todo ano.
Hoje, as coisas são diferentes. Não posso dizer que sou fã do Carnaval, assim como não sou fã de futebol, mas não posso deixar de admirar a brasilidade de ambos. A alegria geral, o empenho de uma multidão de gente, o espírito alto e a sensação de que o Brasil é o melhor lugar do mundo. Talvez seja fácil pensar assim, o Brasil, para mim, é o melhor lugar do mundo, e o Carnaval, o futebol, as praias e as pessoas acabaram me convencendo de tudo isso.
O samba veio então só para enfeitar o que já era bonito.
Eu espero que todo mundo aproveite o Carnaval da melhor maneira possível. Façam aquilo que gostam, estejam do lado das pessoas queridas, relaxem, festejem e se preparem.
O ano começa mesmo só depois do Carnaval.
 Meu ano (mesmo que só comece depois do Carnaval) já anda cheio. Essa semana, fiz a capa da nova edição da Veja, que sai nas bancas amanhã (dia 16). Segunda-feira, em pleno Carnaval (nem sei se eu vou conseguir ver) sai uma entrevista conosco no Estado de São Paulo, falando sobre quadrinhos e internet, com direito a desenho (que o pessoal do blog já viu) e foto (que ninguém viu ainda).
Enquanto eu continuo fazendo storyboards, a história dos robôs espera. Mas está andando. Devagar. Ainda falta terminar mais uma história de dança (história de dança?) para amanhã, e colorir todos os quadros do storyboard.
Até a semana que vem.
Grande abraço.
E muito samba.
Escrito por Fabio Moon às 20h03 [ ]
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Contratempos contra o tempo.

Eu já devia ter terminado essa página, mas então uma agência de publicidade ligou. Se você é um profissional liberal que fica o mês inteiro correndo atrás de trabalho, você sabe como é raro quando o trabalho corre atrás de você, então você pensa bem sobre quais trabalhos você vai aceitar ou não.
"É simples, é rápido." A conversa começa sempre assim.
"É para amanhã."
Bom, acabei pegando o trabalho. O lápis da página está feito, resolvido, a pior parte - a criação, a concepção e o storytelling - eu já resolvi. Basta finalizar. "Eu posso terminar amanhã, depois de entregar o trampo de publicidade", penso durante o jantar.
Então, o editor da Veja me liga e meus planos mudam novamente.
Escrito por Fabio Moon às 23h56 [ ]
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O robô de hoje.

Você escreve o roteiro, como sempre faz, desenha o rascunho das páginas, resolve o storytelling, e parte para a página. Como das outras vezes, pensa. Quando você fica lá, parado na frente da página em branco, pensando por que o desenho não sai, você percebe a diferença dessa história para as outras que você já fez.
Robôs.
Hoje em dia, eu crio muita coisa direto na página. A pesquisa do mundo cotidiano das minhas histórias já está feita, está sempre em andamento, e o resultado é o que aparece na página, fresquinho. Entretanto, robôs não fazem parte dessa pesquisa, desse pensamento. Resolvi desenhar robôs e, de repente, todo o pensamento mudou.
Era preciso, antes de começar as páginas, criar os robôs, pensar em como criar um robô que seja mais velho do que os outros, pensar em como os robôs fumam (e o que), pensar em o que é diferente no mundo se esse mundo é habitado por robôs.
Então eu fiz alguns desenhos além dos que tinha feito na semana passada. Fiz muito menos do que o Bá quando ele desenhou a história dele (veja os arquivos de12 de Fevereiro de 2006 para ver os rascunhos do Bá), mas o importante é rascunhar até ganhar a confiança que deve transportar para a página.
Obrigado a todos que compareceram no sábado à entrega do Ângelo Agostini.
Escrito por Fabio Moon às 10h19 [ ]
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Hoje, amanhã e os robôs.
Hoje tem lançamento do álbum Folheteen, do José Aguiar, na Quanta (rua Minas Gerais, 27) a partir das 19h30. Lá estaremos, na fila dos autógrafos, para recebermos nossa dedicatória. Se você tem um fanzine, uma pastinha de desenhos ou sua revista, apareça por lá. Todo evento de quadrinhos é uma oportunidade de encontrar, reunidas, várias pessoas que curtem e fazem quadrinhos. Nós teremos nossas revistas pra vender por lá, para os eventuais leitores que ainda não compraram nossos últimos lançamentos (como o número 7 do Casanova, que chegou hoje pelo correio).
Outro evento de quadrinhos acontece amanhã: a entrega do 23º Prêmio Angelo Agostini, no Senac da Lap (rua Scipião, 67). A partir do meio dia, quando o espaço de vendas da Comix começará a funcionar no local, você já pode aparecer por lá e aproveitar a seguinte programação:
-Palestra: “Edição de Revistas Independentes”, às 13 horas, com os editores das revistas: Isso Não é Uma Revista de Terror, Contínuo, A Mosca Num Copo de Vidro, Subterrâneo, Garagem Hermética e a Editora SM -Palestra: “A Mulher no Mercado do Quadrinho Nacional”, às 14 horas, com Anita Costa Prado, Beth Kodama, Elza Keiko e Júlia Bax -Lançamentos dos livros: A Visitante de Issac Huna e Tiras de Letra Todo Dia de Mário Mastrotti, às 15 horas, de Márcio Baraldi, Luigi Rocco, Gilmar e mais 22 autores. -Entrega dos Prêmios Ângelo Agostini no 23º Dia do Quadrinho Nacional, às 16 horas.
Queremos chegar para assistir a palestra das mulheres nos quadrinhos, ou mesmo a sobre as revistas independentes, então estaremos lá bem antes do horário da premiação. Vá, apareça, leve seu fanzine e conheça mais gente que faz parte desse estranho mundo das HQs.
Enquanto isso, na cabeça do quadrinhista:

Lá vamos nós novamente, preparando outra história de robôs para o segundo volume da 24Seven. Dessa vez, eu fiquei com o desenho. Terminamos o roteiro ontem, e agora só falta o desenho. Fiz alguns estudos essa semana, pesquisei na internet, li alguns gibis. Fiz uns desenhos para a Folha nesse meio tempo (para a edição de hoje) e voltei para os rascunhos. Vamos ver se eu termino antes do Carnaval.
Escrito por Fabio Moon às 10h36 [ ]
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Modelo vivo.
Desde o final do ao passado, o Bá começou a participar de umas aulas de modelo vivo. A cada semana, ele me trazia os desenhos que fazia, direto a caneta, de poses que duravam no máximo três ou quadro minutos, sendo a maioria de um minuto apenas. Nesse um minuto, não dá tempo de pensar no estilo, na abordagem, no melhor ângulo. Você somente tem tempo de colocar a caneta no papel e buscar capturar a essência da pose, do movimento. O uso da caneta impede o erro, ou ainda, obriga o desenhista a absorver o eventual erro no desenho. Se você errou, ficou marcado, basta continuar.
 Eu acho que o desenhista aprende muito desenhando modelo vivo, pois observa onde o corpo dobra, onde a nossa extrutura ultrapassa os limites daqueles bonecos de madeira que tantos de nós compramos, onde os riscos indicam um movimento, e onde eles indicam a idade, onde a gravidade atua, como o cabelo se comporta, como o pé se dobra, tudo isso que temos que ficar imaginando quando desenhamos.
 O mais legal do modelo vivo é que você provavelmente se diverte mais com pessoas que fujam do padrão atual de beleza, pois elas tem mais linham, mais curvas, mais dobras, representam um desafio maior, e nos ensinam mais sobre o corpo e o movimento.
 Nem todo mundo precisa de modelo vivo para desenhar, mas esse exercício constante aumenta o repertório visual do artista, que fica ágil no entendimento do corpo, e o ajuda na hora de tentar entender como representar o personagem nas mais diversas situações.
Escrito por Fabio Moon às 10h50 [ ]
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Veja.

Muita gente deve ter visto, mas sempre tem aquele que perdeu. Eu, se não tivesse feito, seria um dos que teria perdido.
Essa semana, tem um desenho meu na Veja, ilustrando a matéria da capa, "Como a fé desempatou o jogo". A imagem aí em cima é um detalhe.
Sempre que eu faço um desenho para uma dessas revistas de grande circulação (a tiragem dessa edição foi de 1.222.538 exemplares), fico pensando em projetos para a publicação de histórias em quadrinhos curtas nessas revistas, ou em páginas inteiras de um jornal. O público leitor precisa descobrir o quadrinhista, pois não o conhece. A tiragem de um álbum nacional de Quadrinhos é mil vezes menor do que a da Veja, e o país tem cem vezes mais habitantes do que revistas Veja. Nem todo mundo lê, e nem todo mundo lê a Veja, mas com certeza mais gente quer ler Quadrinhos, mas simplesmente não os encontra.
Nesses pensamentos, acabo me deparando com a barreira "notícia x literatura", pois os jornais e as revistas (com a sua cota de razão) estão espalhando as notícias (falsas ou verdadeiras) e, como eu não quero ficar fazendo HQ reportagem de duas ou quatro páginas, acabo deixando minhas histórias, completamente inventadas (mesmo que emocionalmente reais), para os álbuns e gibis.
Escrito por Fabio Moon às 17h37 [ ]
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2 de Fevereiro.

Quando você realmente quer alguma coisa, você arranja o tempo.
Você corre, se organiza no trabalho, combina com todo mundo, coloca as coisas no carro e vai. Quando você realmente quer, você arranja tempo.
Você chega antes, mas espera. Não há pressa. O que importa é esperar pelos outros, pois vocês todos combinaram. Vocês todos estarão lá. Só acontece com todo mundo junto, mesmo que aconteça diferente para cada um.
Todos chegam.
Todos sorriem.
Acendemos nossas velas. Velas queridas, velas de amigos, velas de agradecimento. Todo dia, devemos agradecer por poder correr atrás dos sonhos, por poder correr atrás da vida, e por termos pernas para tanta correria. Todo dia, devemos encontrar um modo de agradecer. Nessa noite, agradecemos com as velas.
E as flores, pois ela adora flores.
A lua estava cheia.
A noite estava linda.
Obrigado.
Escrito por Fabio Moon às 21h01 [ ]
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Grampá.
Em 2004, conhecemos o Grampá. Apaixonado por quadrinhos, cinema e animação, com um estilo (vários, na verdade) impressionante e uma vontade enorme de contar histórias. Várias idéias que ele nunca tinha tempo para colocar no papel, um emprego que tomava muito do seu tempo, essa situação comum que vemos em tantas pessoas que querem fazer quadrinhos e acabam não fazendo. Para todas elas, e também para o Grampá, sempre dizemos: se você quer fazer quadrinhos, faça quadrinhos.
Falamos tanto que o Grampá fez.
Em 2005, incentivamos o Grampá a participar do Bang Bang (Gunned Down, em inglês), e ele fez sua primeira história em quadrinhos. DA VIDA. Se você leu o livro, percebe como o talento do rapaz está longe de ser amador, principiante ou mesmo legal. Sua primeira história foi sensacional e, mesmo sem muita invenção no roteiro, mostrava uma originalidade, uma visão muito pessoal e um estilo pronto, maduro e sedutor. E todo mundo ficou com duas perguntas na cabeça:
- Quem é esse Grampá? - Onde eu encontro mais coisa dele?
Pois é. Não tinha mais. Era a primeira e, por muito tempo, a única história do Grampá. Não tinha nem site. Passamos mais um ano colocando lenha na fogueira dele, insistindo pra ele continuar, fazer mais uma, terminar de escrever seus roteiros, se dedicar. Se você tem várias idéias legais e tem um desenho legal, é só querer. Só depende de você. Para o Grampá, bastava querer.
E ele quis.
Esse ano, o Grampá vai lançar mais uma história. E, se ele precisava de uma desculpa para se comprometer (às vezes, ajuda), resolveu ir para a Comicon, em San Diego, para lançar a revista lá. Vai conosco, e fará parte do estande que estamos montando com a artista americana Becky Cloonan e com o artista grego Vasilis Lolos.
Para terminar, para mostrar que ele vai mesmo fazer a história, mostrar o trabalho, o processo e seus pensamentos, e onde todos nós podemos torcer (e talvez cobrar) para que ele continue desenhando, até acabar essa história, ele criou um blog (clique aqui).
E essa é a primeira imagem da sua história.
Escrito por Fabio Moon às 17h56 [ ]
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