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O FIM

O ano acabou. E acabou bem.

Primeiro os outros. Muita gente está fazendo Quadrinhos. Muitos livros novos nas prateleiras, muitas revistas independentes. Muita vontade de fazer. Uma forma de confirmar isto é vendo a lista de lançamentos concorrendo ao Angelo Agostini deste ano. Muitas primeiras edições

As votações ao Angelo Agostini vão até dia 5 de janeiro. Qualquer um pode votar. Preencha a cédula abaixo e mande para angeloagostini@bigorna.net.

Cédula
24º Prêmio Angelo Agostini 2007 AQC-ESP
Melhor Desenhista de 2007
(indique dois desenhistas)
Melhor Roteirista de 2007 (indique dois roteiristas)


Melhor Lançamento de 2007 (indique dois lançamentos)


Melhor Fanzine de 2007 (indique dois fanzines)

Prêmio Jayme Cortez (indique dois nomes)

Melhor Cartunista de 2007 (indique dois nomes)


Mestres do Quadrinho Nacional (indique três nomes)

lista completa de lançamentos e informações sobre o prêmio você encontra aqui.

Ainda sobre os outros, eu voltei a ler Quadrinhos. Liderados pelo Lobo Solitário, os Quadrinhos voltaram para minha rotina, não só como trabalho, mas como lazer e como a descoberta de novas possibilidades, novos mundos, novas vozes. Destaques para Blankets de Craig Thompson , Preto e Branco de Taiyo Matsumoto, Sshhhh! de Jason, Isaac o Pirata de Christophe Blain e Fun Home de Alison Bechdel. Todos trazem uma semelhança na criação de personagens profundos e sensíveis, não importa se é um livro de 600 páginas ou uma história de duas.

Dos lançamentos nacionais, foi muito bom rever as histórias antigas do Laerte dos Piratas do Tietê, pra lembrar (como se precisasse) que ele é o rei. O Relógio Insano do Guazelli também é supreendente. Difícil, mas excelente. E o livro de adaptações dos Irmãos Grimm também manda bem.

Sobre a gente, agora. 2007, dez anos de 10 Pãezinhos. Alienista, 5 e FANZINE. indicação ao Eisner Award, Angelo Agostini e HQ Mix. EW TOP 100. 2ª edição do Girassol e do Meu Coração. O ano foi ótimo. 2008? Será melhor.

Finalmente, sobre mim. Estou exausto. Nunca trabalhei tanto, com tanta pressão, tão pouco tempo. Nunca havia me envolvido em projetos tão grandes. Nunca antes havia vendido 66 mil exemplares de uma revista. Apesar de ter conseguido reconquistar minha vida social, trabalhei nos dois feriados de outubro e novembro, no Natal e estou trabalhando hoje, amanhã e terça. Mas eu acabei o meu trabalho. Fim do dia, trabalho bem feito. Não deixei a peteca cair. E como foi este último dia de trabalho. Confira abaixo.



2008 vem aí. Um ano novo, pra fazer novas coisas. Não vamos fazer outras coisas, como mudar de profissão, mas sim fazer diferente. Inovar. Evoluir.

Em 2008, vamos todos crescer.
Para os que estão na praia, não se esqueçam de pular sete ondas e jogar flores para Yemanjá.
Feliz ano novo para todos.


Escrito por Gabriel Bá às 01h40
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Igual, mas diferente.

No último mês, apesar do ritmo frenético de trabalho, fui a todos os bares e restaurantes que gosto em São Paulo. Me lembrei das histórias que vivi em cada um, as que contei sobre alguns (mesmo as inéditas, como a do São Cristóvão, ou as do Borracharia, bar de rock em 2000, que hoje é um delicioso restaurante francês) e fiquei imaginando as que virão. Dentro da minha cabeça, fiz viagens em cada um desses lugares que alimentam minha barriga e a minha imaginação. Hoje, fico pensando em outras viagens, como a de daqui a pouco, para a virada do ano, ou outras que ainda não tem destino ou itinerário. Hoje, fico pensando nas viagens que quero fazer, aquelas que eu já defini em sonhos, e o que eu preciso fazer para tornar essas viagens reais.

Fazer Quadrinhos é uma eterna viagem. Você precisa percorrer um longo caminho, conhecer um monte de gente, ouvir várias histórias que te contam pelo caminho, e você precisa fazer escolhas a cada encruzilhada. Na viagem dos Quadrinhos, você vai encontrar várias encruzilhadas. Várias das escolhas que você fez podem ter dado em becos sem saída, e você ainda vai escolher alguns caminhos difíceis, mas não existe caminho que se aprenda sem que você saia do lugar. Fazer Quadrinhos, na maior parte do tempo, é viajar sem mapa. Pelo menos, é assim que eu me sinto, buscando uma realidade para a minha vida diferente da que o mercado apresenta. Se, hoje em dia, ninguém faz o que eu quero fazer, isso não significa que o que eu quero é impossível, e alguém precisa dar o primeiro passo para que os outros vejam esse caminho possível na viagem dos Quadrinhos de hoje.

Todo mundo precisa dar algum primeiro passo, fazer, se arriscar, buscar o diferente. Nessa busca, talvez sejamos todos iguais.

Nessa viagem, talvez estejamos todos começando.

No ano que vem, vamos continuar indo para frente.

Abraço grande, e até.



Escrito por Fabio Moon às 18h26
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Umbrella e o fim do ano

O problema de desenhar o Umbrella é a dificuldade de conseguir a revista por aqui. O Grampá me disse que comprou o número 3 na FNAC de Pinheiros novamente. Disse que tinha um monte. Bom, fica aqui a dica.



O número 4 da série chega hoje às bancas americanas e o Gerard e o Scott (Allie, o editor) colocaram mais um bate-papo sobre esta edição na internet. Eles têm feito isso a cada novo número que sai.

Eu estou na metade do último número. Até a semana que vem, eu termino tudo. Música, explosões e mortes, muitas mortes. Onze páginas em 7 dias. Sim, vou trabalhar no fim de semana, na véspera de Natal e no Natal. Mas vale a pena, pra fechar o ano com chave de ouro.

Este ano foi realmente bom para os Quadrinhos e pra mim, pois eu os reencontrei. Fazia anos que eu não lia tanto. Mas esse é o assunto do próximo texto.



Escrito por Gabriel Bá às 11h34
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Do lado de fora, um convite ao olhar.



Chegamos por volta das sete e meia. As luzes do lado de fora do teatro já estavam acesas, mas ainda era dia. Maravilhas do horário de verão, eu pensei, que trazem esses finais de tarde duplamente iluminados, quase azuis e ao mesmo tempo alaranjados. O viaduto, as escadas, as ruas, tudo já se esvaziava, se acalmava. Você podia aproveitar a vista a pé sem ser atropelado pela multidão que transita pelas calçadas largas das ruas do centro.

O Teatro Municipal direciona nosso olhar para cima, para o céu. Cada vez mais interessante, mais rebuscada, sua arquitetura nos convida a admirá-la, e para fazer isso, você não deve ir de carro, pois aí então você olharia somente para frente, para os lados, limitado pela moldura das janelas, e afastando o olhar de todos os olhares que cruzassem o seu, tomado pelo medo de assalto que toma todo motorista de São Paulo. Vá a pé, de metrô, saia na estação Anhangabaú e descubra o Teatro Municipal.

Ele está lá, esperando por você.

Do lado de dentro, São Paulo nos esperava. Uma São Paulo diferente daquela que vemos todos os dias na correria do cotidiano, mas mesmo assim familiar. Real, mesmo imaginária, ou, se não tanto, imaginada. Do lado de dentro, as luzes acesas desenhavam uma história que o lado de fora desconhecia, ainda que personagem de tal trama.

Quando saímos, São Paulo ainda estava lá, esperando por nós. Um grupo de jovens cantando rap nas escadarias do teatro, uma equipe de gravação que capturava a cena, a noite que envolvia as ruas, os postes que iluminavam nosso caminho.

Olhamos uma vez mais, para cima, e fomos embora.



Escrito por Fabio Moon às 00h32
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Os mestres

De todos os Quadrinhistas nacionais, os mais geniais roteiristas são Laerte e Mutarelli. Eles escrevem bem sobre qualquer coisa e contam as histórias mais banais de forma extraordinária, criando personagens cativantes já na primeira página e deixando obras sublimes no hall dos Quadrinhos nacionais. São exemplos a serem seguidos, a estrela dalva do Quadrinho Nacional.

Pra atestar o fato sobre o primeiro, além de acompanhar as tiras diárias na Folha, basta comprar as edições especiais dos Piratas do Tietê que a Devir está lançando. É o tipo de livro que faz a gente querer voltar no tempo e viver em outra época novamente, pois o Quadrinho nacional vivia bons dias. Eu trocaria qualquer HQ que estou comprando hoje pra ver outra história deste tipo feita pelo Laerte, com seu primor no uso de preto e branco, seus cenários rebuscados e com seus personagens. Ah, os personagens. E as referências? A coisa certa na hora certa, o personagem histórico, o local específico, o cenário perfeito.

Sobre o segundo, o que dizer? Ele é foda mesmo. Não acho que seja um ótimo desenhista, mas sim um desenhista obsessivo (boa qualidade, aliás, para desenhistas). Já como roteirista, é o melhor, mais criativo, mais patologicamente genial. A gente começa a esquecer disso pela falta de publicações novas, por esse vazio que ele deixou, mas ele é, sem dúvida, genial. Eu gosto muito dos seus livros. Livros mesmo, só com palavras. Sei que ele se ressentiu um pouco com o sucesso que ele fez com eles depois de tantos anos sofrendo com os Quadrinhos, mas ainda assim não há como negar que os livros são muito bons.
Achei o Cheiro do Ralo muito bom, criativo, autêntico, de uma narrativa inovadora até. Era uma HQ sem imagens, mas você conseguia enxergar tudo, até a Bunda. Mas foi o seu próximo lançamento, tímido e por uma pequena editora que nunca ouvira falar antes nem nunca mais ouvi depois que eu realmente me impressionei. Foi no Natimorto que eu realmente me entreguei a minha veneração do Mutarelli como um escritor sem igual.

Ontem fui assistir à peça baseada no Natimorto, encenada no Sesc Consolação (na verdade, chama Sesc Anchieta) pelo grupo do Mario Bortolotto. A peça fica em cartaz até dia 20 de Dezembro, de terça a quinta às 21h. Vale muito a pena, com atuações muito boas, principalmente do personagem principal. E não se acomodem, comprem o livro e leiam também.

O Laerte já esteve na crista da onda dos Quadrinhos, hoje todos gostariam de ver novas histórias dele, algo que misturasse sua nova fase surreal de tiras com sua soberba arte e narrativa. Ele ensaia fazer uma nova revista há anos, cada vez um projeto diferente com um parceiro diferente, mas ainda não vimos nada, só republicações. Eu, se pudesse, venderia Laerte de porta em porta como uma Bíblia, como a religião que todos deveríamos seguir.

O Mutarelli mudou de remédios, está feliz e anda em novas rodas, circulando entre literatura, teatro e cinema e continua produzindo muito. Onde está esta produção? A caminho, tudo a seu tempo, mas o importante é que ele está produzindo. Hoje as pessoas o chamam e contratam pra escrever histórias geniais para elas e ele o faz, com um pé nas costas, um Lorax e muitos cigarros. O caderno de rascunhos ele ainda mantém e, quem sabe, não volta para os Quadrinhos também?

São estes dois autores que me mostram que é possível fazer muito mais do que se vê por aí.


Escrito por Gabriel Bá às 11h45
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