As histórias e prêmios de hoje, de ontem e de amanhã.
Não deixem de comprar a revista Época deste final de semana, pois vem com a nova edição da Época São Paulo e, dentro desta, mais um capítulo da nossa saga em Quadrinhos, Procurando São Paulo. Estamos tentando fazer algo diferente, específico para o público brasileiro e tendo em vista a tiragem enorme de uma revista como esta. Esperamos atingir as pessoas, mas só o tempo dirá. Quem quiser ver o primeiro capítulo, que saiu na edição passada, é só clicar aqui.
Hoje saiu uma entrevista bacana conosco no Portal Imprensa. Não deixem de conferir.
É com muito orgulho que recebemos a notícia de que O Alienista está entre os 10 finalistas da primeira fase do Prêmio Jabuti, na categoria Melhor Livro Didático e Paradidático de ensino fundamental ou médio. Depois da recente decepção ao descobrir que a Ediouro não havia trazido nenhuma cópia do Alienista para a Bienal do Livro de São Paulo, temos aí mais um suspiro de reconhecimento do nosso trabalho. Agora é aguardar e torcer.
Finalmente, ontem encontrei um vídeo do momento que recebemos o Eisner de melhor antologia pela revista 5. Ainda estamos preparando uma compilação (com legendas) com as imagens que nós gravamos dos outros prêmios, mas quem já quiser ter um gostinho de como foi, é só conferir abaixo.
Quando nos perguntam se temos camisetas com estampas nossas, dizemos que já fizemos algumas, mas que o nosso negócio é Quadrinhos. Quando eu penso em camisetas, nas que eu uso ou nas que eu gostaria de usar, penso em imagens muito diferentes das histórias que eu conto, imagens mais simples, icônicas, que chamem alguma atenção no corpo de alguém.
Imagens como a da camiseta abaixo.
Acabou de ficar pronta essa estampa que eu fiz para o site de camisetas Miink. Achei que a proporção ficou boa, a impressão também, e o tecido é super macio e confortável. Quando eu fico pensando em que camiseta eu usaria, fico imaginando se existia uma camiseta como essa. Agora existe, e eu já estou usando.
Se você quiser, pode adquirir uma também, clicando aqui.
Ah, e um detalhe legal sobre a Miink é que qualquer artista pode mandar sua sugestão de camiseta para entrar em votação. As camisetas mais legais podem virar novas camisetas. Dependendo da aceitação dessa nova camiseta, devo fazer novas estampas.
Amanhã viajamos ao Rio de Janeiro pra dar nosso workshop de Quadrinhos como parte da programação do Ilustrando em Revista. O evento, que conta com uma exposição de vários ilustradores, acontece no Centro Cultural Justiça Federal, na Av. Rio Branco, 241, no Centro.
Aproveitando nossa viagem, combinamos uma noite de autógrafos na Livraria Dona Laura, as 20hs. Levem seus exemplares dos 10 Pãezinhos, ou adquiram novas revistas lá. Além dos livros, eles têm cópias da nossa premiada 5, e levaremos ainda poucas cópias de Um Dia, Uma Noite, CASANOVA e do PIXU (estes últimos em inglês).
A Livraria Dona Laura fica na Casa de Cultura Laura Alvim, Av. Vieira Souto, 172. Tel: 25228362 www.donalaura.com.br
Por que Quadrinhos? repostas de: Matt Fraction (roteirista americano indicado ao Eisner Award, autor de CASANOVA, The Immortal Iron Fist, Punisher War Journal e Uncanny X-Men); Ivan Brandon (roteirista americano indicado ao Eisner Award, autor de NYC Mech, 24seven e Cross Bronx); Grampá (quadrinhista brasileiro, vencedor do Eisner Award por seu trabalho na revista "5", autor do HQ Mesmo Delivery)
Toda criança gosta de brinquedos, de bonecos e bonecas. Algumas crianças gostam tanto que crescem e se tornam contadores de histórias, justamente pra criar mais personagens. Alguns destes contadores de histórias acabam fazendo histórias em Quadrinhos. E todas estas pessoas adorariam ver seus personagens virarem um bonequinho.
Como foi percebido pelo pessoal do site TOYSREVIL's I like Toys, foram vistos na Comic Con de San Diego deste ano protótipos de bonecos de PVC do UMBRELLA ACADEMY.
Eu venho acompanhando e aprovando cada etapa da produção destes bonequinhos e estamos todos muito felizes com o resultado. Muito em breve, todos poderemos ter estes personagens na estante.
Em breve, a criança dentro de mim será uma criança feliz. Mas feliz mesmo eu ficaria se o Umbrella fosse publicado em português.
Lançamos a nossa revista 5 na premiação do HQ Mix do ano passado. Durante a noite, um tanto tumultuada, não conseguimos atenção suficiente pra fazer uma boa venda das revistas. Depois disso, deixamos 300 cópias com a Comix e mais uma 100 com a Devir, estas revistas rodando o país distribuídas por estas duas grandes lojas. Ano passado viajamos muito pelo Brasil e em todas estas viagens, levamos nossa 5 conosco. Agora, depois de ganharmos o Eisner Awards, muita gente tem me perguntado "mas qual revista é essa mesmo? Eu tenho?"
Por essa razão e porque celebrar nunca é demais, faremos um lançamento especial da 5 nesta sexta-feira, na Mercearia São Pedro, a partir das 20hs. O Fábio, o Grampá e eu estaremos lá vendendo o lote do Grampá (300 revistas que ficaram quase paradas durante um ano inteiro, esperando justamente essa oportunidade), assinando cópias e bebendo aquela cervejinha gelada.
Amigos, fãs e curiosos serão todos muito bem vindos.
Para os amantes de Quadrinhos, assim como literatura, a Mercearia é um ótimo reduto, pois seus donos são grandes incentivadores do Quadrinho e nova literatura nacionais. Quem quiser aproveitar, semana passada deixei lá algumas cópias da 5, assim como Um Dia, Uma Noite e, exclusivíssimo, Feliz Aniversário, Meu Amigo!.
Aproveitando o post (como fez o Grampá), já adianto que no programa URBANO desta quinta-feira, no canal Multishow, o tema é Quadrinhos e nós fomos entrevistados numa visita breve ao estúdio.
No blog do Programa, Renata (a sempre simpática e linda amiga e apresentadora do programa) escreve um texto breve introduzindo o assunto, rasga uma sedinha, além de colocar algumas fotos tiradas no dia da visita e um videozinho, que você pode conferir abaixo.
O URBANO vai ao ar às quintas-feiras, às 21:15h, com várias reprises em diversos horários.
Estamos no meio do mês e lembramos do concurso que a FNAC criou para novos talentos. As inscrições só vão até o final do mês de Agosto. Será que as pessoas estão se inscrevendo? Será que os trabalhos são legais?
Quando nós começamos a fazer Quadrinhos, não havia curso específico para aprender HQ. Não havia também muita oportunidade de trabalho na área, ou muitas publicações independentes, ou mesmo editoras publicando material nacional. Uma das razões pela qual começamos o fanzine 10 Pãezinhos foi justamente a falta de interesse ou oportunidade nas editoras nacionais para os autores nacionais em início de carreira. Não queríamos mais esperar, colocamos a mão na massa e começamos a produzir, pois só produzindo as pessoas podiam ver o que é que nós queríamos fazer.
Quando começamos o fanzine, fazíamos histórias de 1 página. Histórias como essa:
Tá bom, essa história vai continuar mais pra baixo, mas acho que você entendeu. Não é impossível fazer uma história de uma página. Talvez você não seja o melhor escritor do mundo, mas uma boa idéia você sempre tem. Talvez você não desenhe bem, ou talvez nem saiba desenhar, mas para uma história de uma página, se você quiser, dá para dar um jeitinho.
Qual o seu jeitinho? Qual a sua idéia?
Qual a sua história?
Fazer histórias em Quadrinhos é muito bom. Se é o que você gosta de fazer, não existe coisa melhor do que quando você faz uma história, desenha uma página e depois sua história está lá, com outra pessoa, sendo lida.
Nada é impossível em Quadrinhos. Nenhuma idéia é pequena ou grande demais, só dependendo do autor. E o autor não depende de ninguém. Está nele a história, a voz, a vontade de fazer mais, a visão do mundo que é registrada no papel. Mais do o prêmio (que é muito bom) e a publicação (o que é ótimo), o que esse concurso tem de melhor a oferecer é a chance de conhecermos mais autores, mais artistas, e a oportunidade de colocar o trabalho desses autores na mão nas pessoas e nos olhos do mundo.
Quando nós começamos a fazer Quadrinhos, não havia concurso para novos talentos.
De volta ao ritmo frenético de trabalho, motivados pela boa receptividade do PIXU lá fora, estamos a todo vapor produzindo o segundo número. Quando a história estiver completa, começamos a correr atrás da publicação em português.
O terror parece estar em voga. Pelo menos, nos rodeia nesse mês do cachorro louco. Semana passada foi a semana do Zé do Caixão, pois vimos o filme novo e compramos o álbum de Quadrinhos feito pelo Samuel Casal. O filme e o livro são duas criaturas bem diferentes e cada um alimenta uma faceta do terror. Saimos dessa semana pensando no nosso próprio terror, no que podemos ainda melhorar na conclusão da nossa história, e partimos para mais uma rodada de produção intensa.
É bom fazer Quadrinhos e o melhor de se ter um ritmo diário de trabalho é que a produção do dia te inspira e te impulsiona com energia para o dia seguinte. Poder fazer isso todos os dias é incrível.
Na preparação para a próxima edição da Época São Paulo, dei uma rabiscada nesses gatos siameses. Tive mais espaço aí no rascunho do que na história mesmo, então acho que ainda vou inventar outras histórias pra esse gato aparecer novamente.
Já voltamos pra loucura, aquela que deixa olheiras escuras e um sorriso estampado no rosto.
Acabamos de terminar o o roteiro de mais um capítulo do Daytripper e estamos pegando pesado no segundo capítulo do PIXU, enquanto o primeiro do BPRD ainda não chegou. Vou começar mais um número do Umbrella e o Fábio está desenhando a HQ pra Época SP. Por que tanta coisa ao mesmo tempo? O que nos leva a querer abraçar o mundo? O que nos motiva a passa noites em claro, sacrificar finais de semana, passar horas sentado na prancheta?
Estivemos pensando nisso e aproveitamos pra perguntar por aí.
Pra quem não conseguiu acompanhar o bate papo de ontem no UOL, leia o texto completo aqui.
Hoje, na Folha de São Paulo, Gilberto Dimenstein fala um pouco da nossa história e você pode ler no seu site. Ele também falou ao vivo no seu programa da CBN.
Finalmente, venha comemorar consoco a conquista do Eisner, amanhã no Audio Delicatessen, Mourato Coelho 651, às 23h.
Hoje, às 17h participaremos de um Bate Papo no UOL, falando sobre nossa carreira, nosso trabalho, sobre a premiação no Eisner e sobre Quadrinhos em geral. Uma hora passa muito rápido e espero que consigamos abordar temas importantes e esclarecer dúvidas.
Estamos de volta. Finalmente posso pensar em português, relaxar em português, dormir em português. Voltamos pra casa depois de mais uma viagem, mais uma convenção, mais uma batalha. É de se esperar que, depois de doze anos, a Comicon tenha se tornado chata e repetitiva, mas a cada ano ela nos traz algo novo, uma nova lufada de energia e paixão pelos Quadrinhos, que nos alimenta e nos faz querer fazer sempre mais e melhor.
Quando você vai a algum lugar que gosta, espera voltar algum dia no futuro. Quando faz um livro, espera fazer outro e seus leitores também esperam que você faça outro. Esperam, inclusive, que seja tão bom ou melhor que o primeiro. As pessoas esperam muito de nós, o Fábio e eu, pois já fizemos muito. Mas nós, o Fábio e eu, esperamos ainda mais e acreditamos que ainda há muito a se fazer. Nós sempre tentamos fazer diferente do que já fizemos, fazer mais e melhor. Se não fosse assim, acho que já teria perdido a graça.
Quando nos juntamos pra fazer o 5, queríamos mostrar o que os Quadrinhos têm de melhor, sem frescuras, sem enganação, no seu âmago, mas nunca esperávamos que ele fosse tão fundo. Pra você ser indicado ao Eisner, é preciso mandar sua revista dizendo qual categoria ela se encaixa e fui eu que decidi que deveríamos mandar a revista pra concorrer a melhor antologia, mas nunca esperava que fôssemos indicados. Foi um momento de enorme alegria pra todos nós, foi o empurrão que faltava pra decidirmos ir mais uma vez à Comicon, a fazer o PIXU com a Becky e o Vasilis. Compramos nossas passagens e reservamos o hotel somente depois disso. Esperávamos voltar a San Diego mais uma vez, mas nunca imaginávamos que estaríamos concorrendo a 3 Eisners.
Quando você está concorrendo a tantos prêmios, as pessoas esperam mais de você e do seu trabalho. As pessoas que não o conhecem vão atrás do que elas esperam que ele seja e muita gente veio atrás do 5. Eles esperavam levar uma revista, acabavam levando várias, pois sempre tínhamos mais a oferecer do que as pessoas esperavam de nós.
De todos os que leram o PIXU (acho que em português a pronúncia correta mereceria um acento no Í, sendo então Píxu), de todos que vinham nos dizer que gostaram e se espantaram, nós mesmos não esperávamos que a revista ficasse tão legal. O conjunto das diferentes visões de terror de cada um deram ao livro uma tensão muito maior, uma inquietude, uma qualidade que nenhum de nós esperava.
Todos que vinham ter conosco nos perguntavam "e o que podemos esperar agora?". Depois de tantos meses segurando segredos dentro do peito, finalmente pudemos anunciar novos projetos que estamos envolvidos. Eu sempre adorei o trabalho do Mignola, isso não é segredo, mas nunca esperava trabalhar com ele, muito menos numa série relacionada ao Hellboy e, o melhor de tudo, junto com o Fábio. E depois de tantos projetos onde somos somente os desenhistas, não acho que as pessoas esperavam que nós também faríamos uma série na Vertigo, onde nós escrevemos e desenhamos tudo. Nós mesmos nunca imaginávamos que seria tão difícil escrever nossa própria história, ou desenhar nossa própria história, mas a gente nunca disse que era fácil.
Concorrer a prêmios também não é fácil. Estávamos muito otimistas, mas tínhamos dentro de nós aquele medo enorme, aquele pavor que cala e obscurece as almas, aquela sensação de que poderíamos, uma vez mais, perder. Por mais forte que fosse nossa vontade de ganhar, não esperávamos que acontecesse. Quando relembro, ainda não acredito. Nenhum de nós acredita. Um sorriso nasce no meu rosto só de pensar:
Nós ganhamos.
E não há melhor maneira de ganhar do que ganhar tudo. Ganhamos tudo, todo mundo saiu feliz e vou parar por aqui, porque você pode achar que sou presunçoso, metido, convencido. Também paro antes que você pense "é isso que eu quero! Também quero publicar nos EUA! Também quero ganhar o Eisner!", pois isso não vai te levar a lugar algum. Foi o Azarello que me disse há alguns anos atrás "não faça pelos prêmios, não faça pra agradar as pessoas, não faça porque é esperado de você. Faça porque você acredita, porque você quer fazer". Quando eu olho o trabalho de outros autores, eu não procuro a técnica, mas a chama de quem ama o que faz. E isso é o mais raro de se encontrar.
É difícil encontrar pessoas que tenham essa chama, mais difícil ainda que a chama deles queime tão forte quanto a sua. É pedir muito que se espere que outra pessoa se empenhe tanto quanto você, sacrifique tanto quanto você, queira tanto quanto você. Destes encontros, grandes obras sempre surgirão e nós queremos estas pessoas sempre próximas, pois nossa profissão e muito solitária. O Fábio e eu sabemos o quanto é importante compartilhar sua paixão, seu trabalho, mas sabemos que cabe a cada um trilhar seu caminho, desenvolver sua linguagem, sua técnica, seu estilo. Não esperamos trabalhar sempre juntos, mas esperamos que juntos façamos o nosso melhor trabalho.
Ninguém é um ilha, ninguém consegue nada sozinho. Obrigado a todos que sempre acreditaram, todos que não acreditavam. Obrigado ao Laerte, por colocar sempre novos patamares de grandeza para a profissão. Ao Tak, Bruno, Franco e Freitas por estarem lá desde o início e continuarem conosco até hoje. Ao Jotapê, Monica, Douglas, Mauro, Leandro e outros editores que sempre esperam mais de nós, assim como esperamos muito mais deles. Ao meu pai por nos ensinar a correr atrás de dinheiro, à minha mãe por nos ensinar a pensar no outro, à minha irmã por apreciar o que é belo nas pessoas. Ao Shane, por compartilhar nossa ingenuidade e por seus esforços épicos. À Diana, ao Bob, Scott, que nos ensinam a olhar com mais atenção aos detalhes do nosso trabalho. Ao Gerard, Matt e Joss, por nos obrigarem a desenhar melhor do que faríamos sozinhos.
Obrigado ao Will Eisner, por nos dar morada no seu Edifício Hammond.
Obrigado à Becky, Vasilis e Grampá pela nossa maior conquista, que não foi o prêmio. Foi mostrar que sempre há esperança.