Estamos bem felizes com a nossa tira na Folha, Quase Nada, que sai todo domingo na Ilustrada. É um formato diferente, uma proposta diferente, feita para um público diferente. Mas nós continuamos os mesmos.
Sabemos que o jornal atinge milhões de pessoas, mas depois que ele sair da banca, ninguém mais verá aquela tira (a não ser que seja assinante da Folha ou do UOL).
A partir de hoje, vamos começar a colocar a tira também aqui no blog, toda semana, esperando atingir gente de todo país, ou até do mundo todo.
Acabei de ser informado que o Quanta Produção, que aconteceria nesta sexta, foi cancelado e deve ser remarcado somente para o ano que vem. Sobra então somente o bate-papo no sábado com o Rafa, o Grampá e o Laerte, a partir das 15h na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, como nossa última aparição do ano. Relembrando, o debate é gratuito e, devido à lotação do auditório, senhas serão distribuidas a partir de meia hora antes do evento começar.
Quatro anos depois, um evento na sexta e um debate no sábado
Quatro anos atrás, estávamos dando um passo importante na nossa carreira, dando um "upgrade" no nosso trabalho.
Em novembro de 2004, inauguramos nosso novo site no UOL, o que alavancou nossas visitas e a exposição que o site e, principalmente, o blog tinham. Muita gente só nos conhecia pela internet, nunca havia lido um livro nosso sequer. Quatro anos depois e isso não mudou muito de figura.
Em novembro de 2004, lançamos o CRÍTICA, nosso primeiro álbum dos 10 Pãezinhos pós-internet, o primeiro com a Devir também. O livro contém 10 histórias (11, contando uma HQ de uma página que serve de abertura do livro, entitulada "Crítica"), feitas no correr de 3 anos, entre um trabalho de ilustração e um storyboard, entre um relacionamento e outro, histórias curtas sobre os assuntos que nos afligiam na época, histórias que gostaríamos de ver em outras revistas. Crítica era nossa mensagem para o mercado nacional de Quadrinhos e, olhando para o cenário atual, eu acho que ela foi ouvida.
Depois de quatro anos, algumas coisas continuam as mesmas, mas muitas mudaram, o mercado como um todo mudou. Semana que vem, participaremos de dois eventos distintos de Quadrinhos, para públicos bem diferentes, que evidenciam bem algumas destas mudanças.
Na sexta, dia 28 de novembro, às 19h, estaremos no Quanta produção, organizado pela Quanta Academia de Artes. O evento reune vários artistas, entre desenhistas de HQ, escultores, animadores e ilustradores, e organiza grupos de visitantes que ficam até 20 minutos com cada artista vendo como é seu trabalho, fazendo perguntas e esclarecendo dúvidas. Um evento imperdível com a participação de Roger Cruz, Ivan Reis, Renato Guedes e muitos outros. Levaremos nossas páginas que estamos fazendo hoje pra trabalhar por lá, tanto do Umbrella ou o BPRD:1947, quanto do Daytripper, nossa HQ na Vertigo. A Quanta fica na rua Dr. José de Queirós Aranha, 246, Vila Mariana. É preciso se inscrever, então os interessados em participar poderão obter mais informações aqui e se inscrever pelo e-mail quanta@quantaacademia.com ou pelo telefone: (11) 3214-0553.
No sábado, dia 29 de novembro, ás 15h, participaremos do Vira Cultura, um evento que acontece durante todo o final de semana na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na Paulista. No meio de uma programação cheia de música, literatura, teatro e dança, nós participaremos de um debate sobre Quadrinhos acompanhados de Laerte, Rafa Coutinho e Grampá, mediado pelo Paulo Ramos. Deus, Jesus (o filho de Deus), Moisés (dois, no caso) e... qual boa analogia bíblica para o Grampá? Passado, presente e futuro? O lado genial, o artístico, o "business" e a balada dos Quadrinhos nacionais. Enfim, se eu não estivesse no palco, não perderia a chance de estar na platéia. O debate acontece no auditório e está sujeito à lotação do mesmo. A entrada será por ordem de chegada e senhas serão distribuídas meia hora antes do evento começar. A Livraria Cultura fica no Conjunto Nacional, Av. Paulista, 2073 - Loja 153.
Finalmente, quatro anos depois, será lançada em dezembro uma segunda edição do CRÍTICA. Vencedor do HQ Mix de melhor edição especial de 2004, foi a porta de entrada de muita gente para o nosso trabalho, pode vir a ser de muito mais. Será um ótimo jeito de fechar um ano maravilhoso, mostrando que o mais importante de tudo não são as festas, nem os lançamentos, nem os prêmios, mas continua sendo o trabalho, as histórias que temos pra contar.
Foi emocionante a entrega do Prêmio Jabuti ontem à noite, evento que aconteceu na Sala São Paulo. Mesmo continuando fazendo parte "nova geração de Quadrinhistas", sendo ainda ligeiramente jovem perto de nomes como Laerte, Angeli, Mutarelli e, certamente, Ziraldo, posso já me considerar quase veterano no ramo dos Quadrinhos, já conheço muita gente, mais velhos e mais novos. Em eventos de Quadrinhos, encontro conhecidos e amigos, cumprimento e sou cumprimentado. Ontem, me senti um menino no meio de adultos estranhos.
A literatura é uma arte muita mais antiga que os Quadrinhos, mais conceituada – principalmente no Brasil – e o Jabuti completa 50 edições. Da mesma forma que existe o estereótipo do Quadrinhista nerd, dentuço e espinhento, haviam muitos novos estereótipos na premiação de ontem: os intelectuais de blazer e camisa com gola alta, gravatas borboleta, muitos ternos de vários tipos, dos mais alinhados ao de veludo marrom com calça jeans. Muitos cabelos brancos. Durante toda a premiação, uma festa de cabeças alvas, mostrando o triste reflexo de que a literatura ainda é mais forte em gerações passadas do que nas novas. Os premiados mais jovens, ao meu ver, fomos o Fábio e eu e as três ilustradoras que venceram na categoria de ilustração de livro infantil.
Não sei por quê, mas estava muito nervoso ontem. Minha mão suava, minha perna estava mole, sentia que ia chorar a qualquer momento. Fiquei mais tranqüilo quando vi que ninguém faria discurso, só receberia o troféu e pronto. Quando ouvimos vaias para um dos premiados com livros de Direito, o Fábio ficou receoso de nós seríamos vaiados por fazer Quadrinhos. Mas não foi nada disso. Foi ótimo, lindo, mágico.
A TV Cultura transmitiu a premiação ao vivo pela internet e disponibilizará todas as categorias durante essa semana. Mas nós estávamos lá.
Ao recebermos os parabéns dos representantes do Estado e da Cultura, da presidente da CBL e do curador do evento, sinceros parabéns vieram em nossa direção. E quase um desabafo: "Que bom. Gente nova."
As pessoas lêem pouco, cada vez menos. As novas gerações escrevem pouco, vêem mais futuro em outras mídias como animação, filme, internet. O livro, assim como o gibi, é dado como moribundo. Nesse sentido, meu cabelos são tão brancos quanto dos mais velhos na noite de ontem ao achar que a leitura é fundamental e a experiência de leitura de livros de papel é insuperável.
Muitos acham que quadrinhistas são sempre apenas desenhistas, mas a história é a parte mais importante de uma HQ. Somos, nós também, escritores. É preciso cuidar e se esforçar também nesta parte dos Quadrinhos, mostrar que não fazemos livros com bonitas figuras, mas com histórias, reflexões sérias, profundidade.
Nessa nossa profissão solitária, cada um trabalha isolado do outro, com produções lentas, pequenas e esporádicas, não sabe o que está sendo produzido por outras pessoas em outros lugares e isso limita a todos, cada um ilhado eu seu próprio trabalho. Só depende de nós mudar esta figura. Usando uma das melhores frases do Alienista como metáfora, a idéia que as pessoas têm dos Quadrinhos é apenas uma ilha. Nós queremos mostrar que é um continente.