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Quase Nada 100

 



Categoria: tiras
Escrito por Gabriel Bá às 13h32
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Na mesa

mesas

Enquanto o Bá mergulha nas novas páginas que estamos produzindo para o CASANOVA, eu supervisiono as novas cores que a Cris Peter faz para as edições que republicam o segundo arco de histórias, que eu desenhei. Ao mesmo tempo, finalizamos o projeto gráfico do encadernado americano do DAYTRIPPER, escaneando rascunhos, escolhendo imagens, aprovando o texto da capa de trás. Eu ainda preciso escrever um texto de comentário para o encadernado de LUXURIA sobre as novas cores e sobre as letras feitas à mão, e imagino que tudo isso precise estar pronto ainda essa semana.

Estamos conversando com a Comix, com a Devir e com outras lojas pra deixar exemplares da ATELIER para vender. Assim que estiver tudo certo, coloco os detalhes aqui. A HQ Mix Livraria já tem suas cópias.

Estamos de volta à prancheta. Novas histórias, novos projetos, novas surpresas, tudo sem data definida, sem hora marcada. Chegou a hora de ter paciência, a virtude do bom quadrinista, e aguentar essa longa e indefinida espera entre o início e o fim de um novo projeto, um projeto ainda sem nome, sem corpo e sem conteúdo, um projeto que só existe pela simples vontade do artista de criar novamente, de fazer algo novo, de sair do lugar.

Eu ainda não sei o que eu vou desenhar no ano que vem, mas estou louco para descobrir.



Escrito por Fabio Moon às 10h51
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Quase Nada 099

 



Categoria: tiras
Escrito por Gabriel Bá às 19h47
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RIO COMICON: O retrato do Quadrinho nacional hoje

A Rio Comicon foi o máximo.

 

Nosso Estande na Rio Comicon

O evento:

Já disse antes e volto a repetir: convenções de Quadrinhos são muito importantes para formar público e consolidar o mercado de Quadrinhos no Brasil. Se tivéssemos mais eventos (não precisam nem ser tão grandes, pode ser só com autores nacionais) espalhados pelo país, teríamos um público mais bem informado e profissionais mais reconhecidos.

As bancas de jornal não nos representam mais, somente eternizam o preconceito e mantém a inércia de produtos licenciados. Seria ótimo se tivéssemos produções mensais regulares, mas esta não é mais nossa realidade. Os autores e o público têm que aceitar isso e seguir adiante. O material vendido na banca é descartável e os Quadrinhos deixaram de ser.

A mídia não informa o público, pois ela mesma não sabe do que está falando. Repetem o que vem no press release (quando há um) ou traduzem o que é dito no exterior. Os jornalistas não conhecem nada de Quadrinhos, querem ser nossos amigos, acreditam estar nos fazendo um favor, dizem apreciar nosso trabalho, mesmo não o conhecendo. As perguntas são sempre as mesmas, o clima sempre é descontraído (quando não embaraçoso), tudo é sempre muito divertido no mundo mágico dos Quadrinhos. O jornalismo especializado, raro e esforçado, também é quase inteiramente formado por fãs que escrevem para fãs. Se misturassem os teóricos com os jornalistas, talvez tivéssemos melhores críticas, resenhas, matérias. Não existe crítico de Quadrinhos. Não existe crítica.

As editoras não são nem mocinhas nem vilãs, fazendo papel duplo de ajudar e atrapalhar o Quadrinho nacional. Não sendo mães, não cuidam de cada rebento como se fosse o único. Não sendo babás, não cuidam do filho de outros como se seu trabalho dependesse disso. Mais como parteiras, jogam nossos livros no mundo e já têm outro parto pra fazer. O importante é colocar revistas no mundo. Nunca fui tão negligenciado como neste ano de 2010, onde me senti sozinho, esquecendo que tenho livros premiados publicados com 3 editoras, sem ter nenhum contato com nenhuma delas, a menos que eu as contactasse. Se eu não levantar a mão, é como se eu não existisse.

 

Neste cenário encantador em que vive o Quadrinho Brasileiro, somente o contato direto entre o autor e o público é que realmente consolida um inexistente mercado nacional de Quadrinhos. Quem foi à Rio Comicon presenciou e pôde se espantar com a voracidade e o acolhimento do público, pessoas que foram ao evento buscando uma foto com o Manara ou o Maurício de Souza e descobriram um vasto mundo de possibilidades, de autores, de novidades não tão novas assim, esperando para serem redescobertas uma vez mais por esse público que só não gosta dos nossos Quadrinhos porque não os conhece, não os encontra, não os procura porque não sabe nem por onde começar a procurar.

 

Convidados: 

Gostei muito da variedade de convidados da convenção que, como já ocorre no FIQ, trouxe autores pouco conhecidos no Brasil, mas de tremenda qualidade e relevância, o que beneficia muito o Quadrinho nacional. Não fosse o FIQ de 2003, eu não conheceria o Toppi, que não tem nada publicado em português. Cabe às editoras nacionais buscar mais autores, de dialogar mais com os organizadores de festivais e tentar sincronizar lançamentos e trazer trabalhos novos para o público. Existe uma gravíssima falha (falta) de comunicação entre diferentes setores da nossa profissão. Todos deviam agir mais conjuntamente.

O Rio de Janeiro é uma moeda fortíssima na hora de organizar um evento internacional e chamar atenção tanto da mídia quanto de autores. Todo mundo quer vir ao Rio. Por este motivo isolado, creio que poderemos ver muitos autores importantes em próximos anos de festival.

 

Não importando quantos passeios e baladas eles fizessem, pois opção de festa não faltou no Rio de Janeiro, todos os convidados foram sempre super solícitos com o público, o que na verdade não é de se estranhar. Mais próximo dos eventos europeus, a Rio Comicon foi uma grande celebração dos Quadrinhos e os autores abraçam este clima de festa. Ficaram horas fazendo rascunhos elaborados, autografando livros, tirando fotos. 

 

Quanto aos convidados nacionais, achei a seleção excelente. Claro, chamaram as estrelas, mas é importante isso também. Ter Ziraldo, Maurício, Angeli, Laerte, Mutarelli, Zimbres, Lelis, Sieber, Arnaldo Branco, OTA no mesmo evento é reunir todo cenário da HQ nacional.

 

Concordo que faltou fornecer mais atrações voltadas às crianças, que tiveram a presença do Ziraldo no primeiro dia e do Maurício de Sousa no último, mas nenhum estande dedicado a elas, nenhuma exposição. Só porque lutamos pra mostrar que Quadrinhos não são só coisa de criança não se pode extinguir a presença desta produção num evento deste porte. Quadrinhos para crianças são de suprema importância para o público e o mercado como um todo.

 

Espaço:

A Estação Leopoldina é um espaço incrível, mas apesar de sua localização central na cidade e de fácil acesso, fica um pouco longe de outras áreas mais "turísticas", assim como em uma região um pouco "erma" no período noturno. Apesar disso, é um prédio lindo, com as plataformas e seus trens que formavam um cenário exótico e cheio de planos incríveis. As opções de alimentação até que foram boas, com lanches para todos os gostos e não muito caros (mesmo que alguns tenham aumentado o preço de sexta pra sábado).

A área central do evento contava com exposições dos convidados montadas em biombos que formavam um certo labirinto, obrigando o público a circular pelas laterais, ou tomar seu tempo olhando as obras (reproduções) expostas. Gostei muito das exposições, mesmo tendo somente 10 obras de cada artista. Um espaço maior e mais dedicado, mais silencioso, poderia ter ajudado muito. 

Ao redor das exposições ficaram os estandes dos autores independentes que tiveram a coragem de colocar suas revistas à venda. Os estandes foram caros, sim. O preço assustou muita gente e mostrou o lado mais comercial da Comicon com o qual o autor brasileiro ainda não sabe lidar. É preciso muito dinheiro pra fazer um evento deste porte, assim como foi preciso um bom investimento por parte dos autores, muitas vezes agrupados para conseguir as quantias, para que tivéssemos a presença do Quadrinho nacional atual. Sim, esta é a realidade do Quadrinho hoje, onde os autores têm que bancar suas publicações, cavar seu espaço, assumir o risco. Mais uma vez repito que os custos são grandes, mas nada que seis dias de convenção não resolvam. Eu tenho certeza que nenhum dos participantes de qualquer estande tenha se arrependido de estar ali, mesmo que por um dia, vendendo seu gibi, sua camiseta, seus posters, ou somente assinando livros.

 

Li hoje esta matéria sobre uma pesquisa que aponta que o brasileiro acha o preço um obstáculo à cultura. Eu concordo que ir ao cinema está caro, ao teatro, aos proibitivos shows de música. Os quadrinhos, aqueles livros que vão para as livrarias, também são caros, mas eu nunca vi tanta gente comprando gibis como neste evento. Vendemos tudo que levamos. Gustavo Duarte vendeu todos TAXIS e CÓS que levou. O pessoal da Samba e Beleléu vendeu muito gibi. Rafa e Grampá venderam serigrafias de R$200,00. E a grande campeã do evento foi a livraria da Travessa, com seu estande espaçoso e organizado, além de muito bem sortido. Eles investiram muito dinheiro no seu espaço, mas somente nos 3 primeiros dias do evento, os mais vazios, já haviam pago esta quantia e tido lucro, pra não dizer o final de semana infernal que tivemos. A revista campeã de vendas na Travessa foi Bando de Dois, de Danilo Beyruth. Um autor que quase ninguém conhece, uma revista de R$36,00. É preciso ressaltar que no sábado a situação ficou bem caótica na Travessa, formando filas pro público entrar, filas pra pagar, filas pra pegar autógrafo, pois não cabia tanta gente naquele espaço. 

 

As editoras?

"Onde estão as editoras?" Uma convenção deste tamanho contou somente com o estande da Barba Negra, com um incrível polvo e poucos lançamentos, mas que foram do independente "DRINK", de Rafael Coutinho, ao Killoffer com seu gibi grande e elaborado. A Panini teve de sexta a domingo um estande que, ao invés de vender milhões de revistas (pois venderia), vendia assinaturas. 

E as outras? A Conrad publica todo o catálogo do Manara, tinha a obrigação de estar presente. Só com o que vendeu de Bando de Dois, a Zarabatana, editora de um homem só, pagaria o preço do estande e ainda poderia vender os outros gibis incríveis que publicam. Quase todos autores presente no evento têm algum livro publicado com a Devir. Nem a Companhia das Letras deu as caras (depois de fazer bonito ano passado no FIQ). Existem muitas outras editoras nacionais, mas pra quem foi ao evento, parece que o Quadrinho Nacional é feito somente de autores independentes.

 

A Organização:

Temos que aplaudir os organizadores do evento, simplesmente pelo fato de, uma vez mais, terem feito uma convenção internacional de Quadrinhos neste país. Como acontece no FIQ, conseguiram reunir uma gama bem variada de autores e ofereceram uma experiência única ao público, deixando a vontade de que isso se repita todos os anos. Apesar disso tudo, ainda falharam na parte de comunicação do evento, tanto com o público e imprensa, quanto com os próprios autores e convidados. O site estreou um mês antes do evento, dificultando muito o planejamento e programação de quem queria comparecer. O site é muito bem feito, mas poderia estar no ar meses antes, mesmo com pouco conteúdo, se completando ao passar do ano. Isso ajudaria muito na divulgação. Eu fiquei sabendo que haveria este evento no começo do ano, mas tive as mesmas informações do público, na mesma velocidade. A página do Facebook também estreou somente no segundo semestre, dialogou até que bem com o público, mas de forma muito informal. A voracidade da internet ( e do público de hoje) é muito grande para os organizadores, apaixonados por Quadrinhos, mas que, vindos de outras gerações, ainda estão se acostumando a usar esta ferramenta em toda sua magnitude.

 

O contato com o público:

De hoje em diante, quando me perguntarem se meu trabalho está mais reconhecido no Brasil, vou lembrar da Rio Comicon, pois começo a ver um pouco mais de confiança e procura por parte do público. Tenho certeza que a tira "Quase Nada" na Folha tem quase tudo a ver com este crescimento de público, não só numérico, mas de identificação. A publicação regular da tira, assim como seu alcance, formou um público fiel que faz questão de mostrar sua opinião sobre o trabalho. Não que nosso trabalho se resuma à tira, como muitos nos provaram levando cópias de todos nossos livros pra autografar. Sei que muita gente parou pra pedir um rascunho ou um autógrafo sem nem ao menos saber que somos nós, mas é justamente por causa disso que vamos aos eventos. Infelizmente, publicar um livro no Brasil não basta para mostrar o trabalho ao público. É preciso mostrar a cara, se fazer presente. Antes da sua obra falar por si só, é preciso que você fale por ela.

Gostei também de ver muitos aspirantes e apaixonados mostrando seus fanzines, suas pastas, seus desenhos e roteiros. Pessoas que viram ali a oportunidade de mostrar seu talento, seu trabalho para profissionais, pessoas que já conseguiram e poderiam opinar ou mostrar os caminhos. Prontos ou não, receberam atentos meus conselhos, minhas críticas, meus sorrisos e meus nãos. O mundo dos Quadrinhos precisa de mais nãos para melhorar. As pessoas não gostam de receber nãos e, como é costume dos Brasileiros, levam muito pro lado pessoal. Eu me importo muito com os Quadrinhos, são minha vida, não só minha profissão, mas acho fundamental passar mais profissionalismo às novas gerações de Quadrinhistas. Produzir quadrinhos não é tão divertido e prazeiroso quanto ler Quadrinhos. Eles precisam deixar de ser fãs pra se tornarem autores. Precisam crescer.

 

Conclusão:

O evento foi incrível, mágico, surpreendente. Beja, Porto, San Diego, La Paz, Nova Iorque, Rosário. De todos os festivais que fomos este ano, este foi o que nos deixou mais felizes, pois foi aqui no Brasil. Os Quadrinhos vivem uma grande fase. Só depende de nós mesmos levantar a cabeça e saber valorizar isso.

 



Escrito por Gabriel Bá às 11h41
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Espaço Aberto sobre a Rio Comicon

Saiu uma matéria sobre Quadrinhos com várias entrevistas e momentos da Rio Comicon no Espaço Aberto, do canal a cabo Globo News. Bem bacana.



Escrito por Gabriel Bá às 15h16
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Quase Nada 098

 



Categoria: tiras
Escrito por Gabriel Bá às 21h42
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Alô, torcida do Flamengo!

Semana que vem vamos ao Rio de Janeiro.

 

Na terça feira, 9 de novembro, daremos uma palestra sobre Quadrinhos na 6ª Bienal do Livro de Campos dos Goytacazes, às 15h na Arena Cultural.

 

Na quarta feira, 10/11, chegaremos na cidade maravilhosa pra a tão esperada Rio Comicon, que acontece do dia 9 a 14 de Novembro. Participaremos de duas palestras, uma no sábado às 14h sobre Quadrinhos Brasileiros, e a mesa de encerramento no domingo. Teremos uma exposição com 20 obras do nosso trabalho selecionadas a dedo. Acima de tudo, teremos nosso estande FODA juntamente com Gustavo Duarte ("TAXI" e "CÓ"), Rafa Coutinho ("Cachalote"), Grampá ("Mesmo Delivery") e Danilo Beyruth ("Necronauta" e "Bando de Dois").

 

 

É muita gente talentosa junta, cheia de coisas legais, entre livros, bonecos, camisetas, posters e muitos Quadrinhos. Então vamos a eles.

 

Nosso grande lançamento deste ano é ATELIER, nossa revista independente que já conquistou NY e Rosário e agora chega ao Rio com o melhor que os Quadrinhos têm a oferecer. E só custa R$5,00!

 

ATELIER

 

Nossas outras publicações nacionais presentes no estande serão:

 

 

- GIRASSOL E A LUA - R$20,00

- FANZINE - R$30,00

- O Alienista - R$40,00

- Um dia, uma noite - R$5,00 

- Rock'N'Roll - R$ 5,00

 

Além disso, temos algumas poucas cópias de alguns de nossos trabalhos no exterior:

 

 


 

 

- Umbrella Academy: DALLAS - R$35,00

- Sugarshock! - R$10

- BPRD: 1947 - R$ 35,00

- Liberty Comics - R$ 10,00

 

Estaremos todo o tempo no nossos estande. Apareça, compre uma HQ, converse sobre Quadrinhos, ganhe um rascunho e tudo mais que se pode fazer de divertido numa convenção.

 

Se você quiser algum dos nossos outros livros e não encontrar no nosso estande, a Livraria Travessa terá tudo que você quiser na sua loja presente na Rio Comicon. E pra mostrar nossa gratidão, teremos uma sessão de autógrafos no estande da Travessa no Domingo, 14/11, das 14h às 15h.

 

Além disso tudo, todos os participantes do nosso estande farão um painel coletivo durante o evento, que será rifado. Outros estandes também farãos seus próprios painéis e rifas, todos os dias! Colocaremos mais informações sobre o painel e a rifa durante a semana.

 

Venha para a Rio Comicon! Conheça seus autores preferidos, novas pessoas e novos trabalhos. Esperamos encontrar muita gente disposta a descobrir e se maravilhar com o mundo dos Quadrinhos.

 


 



Escrito por Gabriel Bá às 21h59
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Pegunta aos fãs do Umbrella Academy que vão à Rio Comicon



Escrito por Gabriel Bá às 17h45
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Quase Nada 97

 



Categoria: tiras
Escrito por Gabriel Bá às 12h57
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Quebrando com as convenções

Uma peça fundamental em um mercado ativo de Quadrinhos é uma convenção, um evento que reune editoras, autores, vendedores e público no mesmo espaço. Se tivéssemos mais eventos destes, poderiam até ser pequenos, espalhados por todo o país, ficaria mais fácil divulgar o traballho, vender as revistas, criar público. Todo mundo sai ganhando com convenções de Quadrinhos.

NYCC (New York Comic Con)

Hazel and Cha Cha at NYCC

"New York Comic Con is the new San Diego". Este foi o comentário que escutamos por dois anos seguidos de várias pessoas ligadas aos Quadrinhos americanos nas duas últimas vezes que fomos à San Diego. Este comentário se fundava em algumas questões chaves:

1- A convenção de Nova Iorque era focada somente em Quadrinhos, ao contrário de San Diego que tem ganhado um foco em Hollywood muito grande nos últimos anos.

2- Por sua localização, ela é mais prática e barata de chegar para os autores que vêm da Europa (pra gente também), além de ter toda uma NY como atrativo turísco a seu favor. Todo mundo quer ir pra NY.

Realmente, tem muito mais gente na NYCC que foi lá interessada em Quadrinhos. Nós estávamos numa área chamada "Artist's Alley" (ou beco dos artistas), junto com muitos outros artistas dos Quadrinhos e, ao contrário de San Diego, onde o mesmo espaço é muito mal localizados e deixado às moscas, muita gente circulava por lá, parava nas mesas, comprava material pra descobrir novos autores ou ia diretamente na mesa de seu autor favorito atrás de seu novo projeto (este foi o nosso caso).

Porém, não é só de HQ que vive a NYCC, pois haviam muitos estandes gigantes de jogos e video games que aglomeravam milhares de pessoas e entupiam as vias de passagem por todos os lados. A maior parte destes estandes ficavam na mesma área dos estandes das editoras, o que dificultou nossas idas até lá quando tínhamos sessões de autógrafo. Este lado do evento, aliás, estava insuportavelmente cheio. Foi muito bom não estar ali.

Em 3 dias de eventos, mal tivemos tempo de deixar a mesa pra comer. Quando chegávamos de manhã (sempre uns 15 minutos atrasados, pois estávamos a 3 estações de metrô de distância e o centro de convenções fica a 5 quarteirões do metrô), já havia gente nos esperando em frente da mesa. Era largar a mochila, pegar umas canetas e o dinheiro trocado e começar a vender e assinar revistas. Ter um lugar fixo onde o público pode te encontrar sempre nos agradou. Podemos vender nossas revistas, conversar com os fãs, sentar e descansar de tempos em tempos. Muita gente elogiando o Daytripper, o que nos deixou inflados de emoção. Nossa história, sem personagem famoso, sem colaborador famoso, tocou as pessoas mesmo assim.

Encontramos amigos como Becky Cloonan, Craig Thompson, Jamie McKelvie, Ivan Brandon, Terry Moore, Brea Grant. Pessoas que só vemos em convenções, uma vez por ano, já há muitos anos. Conversamos, almoçamos e jantamos com nossos editores. Todos querem trabalhar conosco novamente, querem novos projetos. Com ótima resposta do público, sucesso total de vendas e com a cabeça borbulhando, partimos de Nova Iorque sem ter certeza se ela é realmente a "nova San Diego", mas sabendo que voltaremos lá mais cedo ou mais tarde.

CRACK BANG BOOM!

Parque España

Em novembro de 2009, fiz uma viagem de jipe pela Bolívia, Argentina, Uruguai. Um dos pontos que eu queria passar (e parar) na Argentina era Rosário, por um único motivo: Eduardo Risso. Nessa visita que fiz ano passado, ele me contou que estava tentando organizar uma convenção de Quadrinhos ali para o ano de 2010 e que teria convidados internacionais de peso, entre eles Jim Lee e Brian Azzarello, além de muitos argentinos. Com muitos anos de profissão, ele fez várias amizades e tem uma boa reputação para ajudá-lo na sua empreitada. Eu disse a ele que se fizesse essa convenção, o Fábio e eu faríamos questão de comparecer.

Assim, um ano depois, lá fomos nós pra Rosário, na província de Santa Fé, a 4 horas de Buenos Aires, pra CRACK BANG BOOM!. Fomos direto de NY, direto da loucura de consumo do mercado americano. Neste evento, muito mais parecido com os europeus (da mesma forma que o FIQ em Belo Horzonte), as atividades só começavam a partir das 14h. Assim como as convenções na Europa, o foco ali é celebrar os Quadrinhos com exposições dos autores convidados, além de palestras e sessões de autógrafos, onde a parte da feira, de estandes e de venda de revistas existe, mas fica em segundo plano. O mais importante é ver seu autor preferido, ouvir ele falar, pegar um autógrafo e depois sair pra beber e comer e festejar.

Assim como nos Estados Unidos (e como no FIQ do ano passado), decidimos que só faria sentido ir a este evento se tivéssemos nosso estande, nossa lojinha, um ponto para as pessoas nos encontrarem. Nosso esforço de desbravar a Argentina só seria bem sucedido se conseguíssemos disseminar nossas revistas por lá também.

Apesar de termos ido por iniciativa e recursos próprios, estávamos listados como convidados internacionais do evento, representando o Brasil juntamente com o Rafael Albuquerque e o Grampá (que acabou não indo). O Albuquerque ainda levou um batalhão enorme de artistas de Porto Alegre, com revistas e livros pra mostrar o trabalho. Demos duas palestras, "os brasileiros". Mesmo assim, é compreensível que sejamos mais conhedios por lá pelos trabalhos que publicamos nos EUA do que pelo que fazemos no Brasil.

Tínhamos alguns exemplares do CASANOVA recém trazidos da NYCC, que vendiam rápido e fácil, pois o público argentino já ouvira falar do gibi, conhecia o Matt Fraction, ou somente por ser colorido. Também levamos uma coletânea que participamos para a CBLDF. Tinha uma capa (feia) do Conan, um pinup do Frank Miller, um outro do Liefeld. Isso já era suficiente pras pessoas quererem comprá-la. Tínhamos a TAXI, do Gustavo Duarte e tivemos que segurar pra sobrar até o sábado. E tínhamos o ATELIER, nossa nova revista independente que fizemos, entre outras coisas, justamente pra ter algo novo pra vender pros Argentinos que não conhecem nada do nosso trabalho. Acabou tudo no sábado.

Os artistas argentinos estavam ávidos pela chance de mostrar seus portifólios para o Will Dennis, o editor da Vertigo presente no evento. Todas as noites, ele voltava pro hotel para pilhas de 50 a 80 portifólios para escolher os 10 melhores com quem ele iria realmente conversar no dia seguinte. Muitos dos "rejeitados" passavam no nosso estande e pediam dicas, conselhos. Já é sabido que os artistas argentinos são muito bons, mas foi bom ver que lá também existem os iniciantes, os amadores, os perdidos. A Argentina tem a tradição de criar escolas, de formar artistas. Todo mundo que eu vi que copiava mangás ou queria desenhar super heróis mostrava os mesmos defeitos, as mesmas fraquezas de outros aspirantes que eu já vi no Brasil ou em qualquer outro lugar. Desenhos vazios e sem personalidade, personagens estáticos, cenários inexistentes, pinups.

Dos autores argentinos profissionais presentes, foi uma alegria conhecer os talentosíssimos Lucas Varela, Gustavo Sala e Juan Bobillo, rever o jovem monstro Juan Sáenz Valiente, "descobrir" o trabalho maravilhos do veterano Horacio Altuna. A exposição da Fierro estava excelente, assim como a do Mandrafina (que veio ao FIQ em 2007). Foi ótimo finalmente conhecer e estreitar laços com os artistas que, como a gente, publica no mercado americano: Leandro Fernández, Marcelo Frusin, Ariel Olivetti, Francisco Parozini (Pancho) e Alejandro Aragon. Só foi uma pena não ter podido conversar mais com o Carlos Trillo.

Não vou nem falar do Jim Lee, nem precisa. O cara é um monstro, uma estrela (no melhor sentido), o cara mais simpático e atencioso dos Quadrinhos americanos. Quando estava no evento, estava sempre indo de lá pra cá, pois a cada sentada, alguém lhe pedia um desenho (que ele fazia com prazer, se esmerando). Capa de todas as matérias sobre o evento nos jornais da Argentina, ele fez seu papel chamando público e atenção da mídia e realizando o sonho de vários fãs.

A seguir: RIO COMICON!

Semana que vem acontece a RIO COMICON, uma convenção de Quadrinhos organizada pela Casa 21, os mesmos responsáveis pelo FIQ em Belo Horizonte. Sua maior estrela: o italiano Milo Manara. Assim como a NYCC, todo mundo quer ir ao Rio de Janeiro. Assim como o evento de Rosário, o forte serão as palestras, exposições e a celebração dos Quadrinhos.

Estaremos lá nos dias 11 a 14 de novembro. Temos uma palestra no sábado às 14h, além de participarmos da mesa de encerramento com os outros convidados. E é claro que teremos nossos estande, nossa padaria pra vender pãezinhos, nosso ponto de encontro com o público. Vamos dividir este espaço com Gustavo Duarte ("TAXI" e "CÓ"), Rafa Coutinho ("Cachalote"), Grampá ("Mesmo Delivery") e Danilo Beyrut ("Necronauta" e "Bando de Dois"). Teremos livros, bonecos, camisetas, posters e brindes.

O Rio Comicon 2010 estará aberto à visitação de 09 a 14 de novembro de 2010 das 13:00 às 22:00 horas. O público visitante terá acesso ao evento adquirindo ingressos (R$ 10 para o público geral. Estudantes pagam R$ 5, mediante a apresentação de carteirinha. Portadoras de deficiência física estão isentas de pagamento.) através da Ingresso Rápido pela internet, pontos físicos de venda e calls centers a partir de outubro e na bilheteria da Estação Leopoldina a partir do dia 09 de novembro.

As palestras e oficinas também precisam de inscrição e as vagas estão acabando. Todas as informações sobre o evento estão no site ou na sua página no Facebook.

Até o fim da semana, colocaremos mais informações sobre nossa participação no evento. Até lá, veja mais fotos da NYCC e da CRACK BANG BOOM no nosso Flickr.

Fábio, Bá e Jim



Escrito por Gabriel Bá às 18h04
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