Acredito que exista uma diferença monumental entre descobrir que sua mulher está grávida e segurar seu filho pela primeira vez. Acho que eu sinto isso toda vez que lançamos um novo livro, que seguramos o livro na mão, que assinamos os exemplares das várias pessoas que esperam sua vez na fila. O livro existe, nasceu e agora está aí para o mundo todo descobrir. Pra mim, todo lançamento é uma alegria, como se fosse a primeira vez. Ótimo rever os amigos, conhecer novos leitores, pensar em dedicatórias e rascunhos, ou até somente desabafar um "obrigado" no papel. Mesmo que já tenha sido lançado em outros lugares, ganhado prêmios, agora é aqui no Brasil, em São Paulo, na minha casa. Daytripper é nossa casa e é ótimo poder finalmente receber as pessoas nela.
O lançamento de ontem na Saraiva do Shopping Ibirapuera foi muito legal, mesmo que eu não tenha visto muito dele, tendo ficado sentado assinando durante todas suas três horas de duração. Mas há um relato muito completo do Rubens Junior, com fotos e textos. Valeu pela cobertura. Ainda deve entrar também algo no site da Saraiva Conteúdo, é só aguardar.
Ontem também recebemos a incrível notícia de que a primeira tiragem do Daytripper foi toda vendida e que o livro voltou pra gráfica pra primeira reimpressão. As livrarias e lojas estão todas abastecidas, então procure o livro em sua cidade ou pela internet.
Muita gente vem dizendo que a edição nacional é cara. Ela realmente não é barata, mesmo com os descontos das livrarias e sites, mas quem segura o livro na mão vê que ele é lindo. É impossível agradar a todos, tendo em vista que a edição americana é em capa cartonada e papel bem barato e por lá eles reclamam não haver uma edição em capa dura. Espero um dia haver uma edição de luxo lá e uma edição mais acessível aqui. E de todas as formas de encontrar o livro, a digital é a mais nova, ainda a mostrar pra que veio, qual seu alcance, o grande mistério que paira sobre os autores, editoras e livrarias. O Daytripper já estava disponível (em inglês) para iPad e agora entrou numa nova leva de Graphic Novels da DC disponíveis para o recém lançado Kindle Fire, da Amazon.com. Eu não acredito que mudará a forma que eu escrevo e desenho meus Quadrinhos, mas espero que as plataformas digitais tragam mais leitores que não conseguem ou não querem ter os livros em mãos, mas querem ler a história.
Seguimos em frente com nossos lançamentos e eventos pelo Brasil. Neste sábado estaremos em Curitiba com nossos amigos da Itiban, depois vamos pra Salvador dia 8 conhecer a RV Quadrinhos e o caloroso público baiano, seguido do Fest Comix e Pixel Show de volta a São Paulo, chegando nas grandes convenções, Rio Comicon e FIQ. Espero conhecer muita gente, ver novos autores e seus trabalhos e fazer os Quadrinhos chegarem em todos os cantos do Brasil e, por que não, do mundo.
Dia 28 de Setembro, a partir das 19h, estaremos na Livraria Saraiva do Shopping Ibirapuera no coquetel/festa/lançamento do Daytripper, assinando todos os livros que nos trouxerem, comemorando com vocês esse dia tão especial. Para uma história que discute os dias especiais da vida de um personagem, a presença dos leitores é essencial para ajudar a tornar o dia do lançamento o dia inesquecível que ele deve ser.
Conversamos hoje à tarde com a Tania Morales sobre o Daytripper e sobre possibidades de tramas mais complexas e profundas em Quadrinhos, e essa conversá irá ao ar neste Domingo na rádio CBN, no program Revista CBN por volta das 14h30. Também no Domingo, às 21h30, estaremos no programa Entrelinhas da TV Cultura falando de Quadrinhos, do Daytripper e desse momento todo.
Ouvi dizer que o Daytripper já chegou à livrarias e lojas especializadas e, segundo alguns relatos internéticos, às mãos de alguns leitores. Espero que continue assim, cada vez mais, e que semana que vem muita gente apareça no lançamento em São Paulo. Estou aquecendo o nanquim e o pincel para as dedicatórias com desenhinhos.
Foi uma noite linda. Protegidos do frio, que ainda atacava a noite paulistana embora nos desse a todos uma elegância e pompa que somente roupas de inverno podem dar, nos reunimos no teatro de arena do Sesc Pompéia, nos esparramando pelas cadeiras da platéia de maneira a que leitores se sentavam ao lado de autores, e editores se sentavam entre jovens artistas, e todos estávamos lá para comemorar a entrega do 23º troféu HQMix.
A cerimônia sempre é longa e não desejo prolongá-la mais narrando o que aconteceu. Saimos todos felizes, fãs dessa arte maravilhosa de contar histórias em quadrinhos, arte que só cresce, prontos para comemorar. Se, na saída, ainda nos demoramos mais do que o esperado, foi para o benefício do momento, pois existe uma força que é transmitida ao artista iniciante que aborda outro artista para, além de parabéns, lhe dar seu fanzine e mostrar um pouco do seu trabalho. Existe uma janela aberta para o mundo exterior sempre que a arte é celebrada, seja em premiações, lançamentos ou eventos, e devemos aproveitar as entrevistas e conversas e idéias que possam surgir dessas janelas, pois do outro lado podemos ver um futuro melhor (ainda melhor) para os Quadrinhos.
Se minha terra tem palmeiras onde canta o Sabiá, nada mais propício que o bar Sabiá, na Vila, para coroar o final da noite. A comemoração entre os amigos aconteceu lá, regada a cachaça, cerveja e white russians. Conversamos sobre o bom momento, sobre a vida e as escolhas de todo artista, e voltamos todos para casa cheios de energia, embora exaustos, e cheios de idéias, embora bêbados.
Passado o furor do final de semana, nos deparamos com a responsabilidade de manter, senão melhorar, esse bom momento que estamos difundindo a cada evento, a cada encontro, e começamos a pensar o que esperar das convenções de Quadrinhos que vem por aí ainda esse ano espalhadas pelo Brasil. Esperar dá a impressão que estamos parados sem fazer nada, e isso é justamente o que não pode acontecer. Não podemos esperar.
Tenho perguntas, sem resposta única, ou mesmo resposta certa, para os artistas que estão se preparando para o resto desse nosso ano cheio de eventos:
1- Quem vai à Rio Comicon, que acontece de 20 a 23 de Outubro no Rio de Janeiro?
2- Quem vai ao FIQ, que acontece de 9 a 13 de Novembro em Belo Horizonte?
3- Quem, dos que vão, terá algum material novo, seja fanzine, revista ou álbum de Quadrinhos?
4- Você, que quer ser roteirista mas não sabe desenhar, acha que pode encontrar um desenhista para possíveis parceirias numa convenção cheia de gente querendo fazer Quadrinhos?
5- Você, que quer ser desenhista mas não sabe escrever, acha que pode encontrar um roteirista para possíveis parceirias numa convenção cheia de gente querendo fazer Quadrinhos?
6- Se você quer fazer Quadrinhos e participar desse mundo, o que o impede?
Como eu disse, nehuma dessas perguntas tem uma só resposta e, se eu conseguir várias respostas (deixem as suas nos comentários), talvez consigamos, a partir daí, continuar pensando nesse nosso mundo melhor, que já sei de antemão que não será mais fácil, embora possa ser sempre muito mais legal.
Para terminar, nada melhor do que um desenho fresquinho para lembrá-los que o grande Pug ama vocês.
Alguns dos nossos trabalhos saem primeiro nos Estados Unidos. Outros, primeiro no Brasil. Pensar que os dois são feitos ao mesmo tempo e serão lidos por uma mesma pessoa em momentos completamente diferentes, às vezes com anos entre um e outro, é um pouco desconcertante. Hoje, tive essa impressão enquanto o Bá desenhava o rascunho de uma nova página do terceiro livro do Casanova, que deve sair esse ano (nem o primeiro foi ainda publicado no Brasil), e eu terminei a tira Quase Nada que sairá aqui no Brasil no sábado na Folha (mas que não tem ainda nenhuma previsão de sair em outro país).
Pensar nesses tempos loucos não é essencial, mas necessário para que o autor se organize entre vários projetos. Fazer uma tira toda semana nos mantém produzindo, exercitando o desenho mesmo se estivermos passando meses somente trabalhando num novo roteiro longo (como é o caso da adaptação do Dois Irmãos, do Milton Hatoum, cujo roteiro está levando um tempão). Ter um prazo final para a adaptação nos dá foco e nos motiva a continuar produzindo mesmo durante esse longo período. Ao mesmo tempo, os desenhos para o livro Cidades Ilustradas: São Luis, sendo feito ao mesmo tempo que todos esses projetos, vai nos manter produzindo do mesmo modo que a tira, mas em formatos maiores e maior variedade de técnicas. O Casanova, que o Bá está desenhando agora, é a terceira história da série, e eu volto a desenhar o personagem para a quarta história, então em algum lugar nesse meu tempo futuro, provavelmente no ano que vem, eu sei que tenho páginas do Casanova esperando por mim. Além de tudo isso, ainda estamos começando a escrever outras histórias que ainda nem tem previsão de sair e estão longe da parte em que serão desenhadas, mas de alguma forma elas precisam ser postas dentro de um cronograma imaginário, em algum momento dos próximos dois ou três anos, o que nos faz pensar, nos dias de hoje, em histórias que só vamos começar a produzir em 2015.
No final de semana, buscando esquentar a mão, abri o caderno de rascunhos e comecei a rabiscar. Sabia que queria fazer um desenho relacionado ao Daytripper, cujo lançamento em São Paulo se aproxima cada vez mais, mas principalmente pela divulgação, na última sexta-feira, de que eu e o Bá ganhamos o troféu HQ Mix de Destaque internacional pela ótima "carreira internacional" que o livro teve no ano passado, chamando a atenção do público, da mídia, dos outros autores e nos levando para vários festivais ao redor do mundo.
Rabisquei três dos personagens principais da história, pensando comigo que eu, que sempre tive mais facilidade para desenhar mulheres, sempre acabo desenhando, em rascunhos, autógrafos e dedicatórias, os personagens masculinos da maioria das minhas histórias.
Saiu assim o desenho:
O processo que resultou no projeto que virou o Daytripper começou em 2007 quando mandamos a ideia principal da série (uma ideia que já estava flutuando na cabeça do Bá desde 2002) para o Bob Schreck, um editor que conhecemos em 2001, mas que somente em 2006 passou a editar a linha Vertigo e pôde, assim, aceitar ideias originais para histórias autorais. Durante esses seis anos iniciais em que conversamos, escrevemos e mostramos páginas e histórias para o Bob Schreck, aprendemos com ele muito sobre o mercado de Quadrinhos. Nesse período, ele passou de editor do Arqueiro Verde (escrito pelo Kevin Smith, cineasta adorado dos fãs de quadrinhos, autor de filmes como O Balconista e Chasing Amy, que já havia trabalho com Schreck antes quando o editor o chamou para publicar na Oni Press HQs de seus personagens "Jay e Silent Bob") para editor das revistas ligadas ao Batman, época em que, entre outros projetos, foi um dos responsáveis da volta de Frank Miller ao universo do morcego, chegando finalmente a editor das séries "Grandes Astros" do Batman (com Frank Miller e Jim Lee) e do Super-Homem (com Grant Morrison e Frank Quitely), escritas e desenhadas por grandes nomes do mercado. Nesse caminho dentro da DC, para cuidar cada vez mais de projetos especiais, possibilitou que Paul Pope realizasse sua história com o homem morcego, a mini-série futurista Batman-Ano 100, e acabou se transferindo, aos poucos, para a parte da DC onde os projetos mais autorais são criados: a Vertigo.
Em 2006, já instalado na Vertigo, Bob nos disse durante nosso encontro anual na convenção de San Diego: "Chegou a hora, rapazes. Comecem a me mandar ideias". Ficamos extremamente entusiasmados pela oportunidade de finalmente propor uma história nossa e voltamos ávidos por começar de imediato, mas na realidade estávamos envolvidos em vários projetos, com o Bá desenhando o Casanova e eu O Alienista (entre outras várias ilustrações e storyboards), e isso acabou atrasando um pouco esse início da troca de emails que resultou no Daytripper. Um pouco frustado, mas sem perder o bom-humor (característica que eu sei que Bob também tem e aprecia) ainda fiz esse desenho no segundo semestre de 2006 e mandei para ele:
Aprendemos muito com Bob antes de trabalharmos no Daytripper, e aprendemos outro tanto trabalhando na história com ele como nosso editor. Ele te faz as perguntas certas, te estimula e te pressiona na medida certa, e busca sempre ajudar o autor a contar a melhor história possível. Recentemente, anunciaram no site da Rio Comicon que o Bob Schreck é um dos convidados desse ano da convenção, e eu fico incrivelmente entusiasmado com o quanto os autores nacionais podem aprender com Bob enquanto ele estiver aqui durante o festival.
Saiu a lista de premiados do Troféu HQ Mix, maior prêmio de Quadrinhos do Brasil, e ficamos imensamente felizes ao saber que ganhamos a categoria Destaque Internacional pelo Daytripper. O livro realmente vem tendo uma ótima aceitação internacional e espero que isso repercuta aqui também, agora que a edição nacional foi lançada. Além disso, aquele troféu do Geraldão é incrível.
Parabéns a todos os premiados, em especial ao Danilo Beyruth, que levou 3 prêmios por seu Bando de Dois e ao Gustavo Duarte, que fez bonito novamente com o TAXI e já desponta pra repetir a façanha ano que vem com sua recém-lançada Birds.
Você encontra a lista completa de vencedores no blog da premiação. A cerimônia de entrega do prêmio será sexta-feira, dia 16 de Setembro, às 19:30h, no teatro do SESC Pompéia.
Daytripper está concorrendo ao SCREAM AWARDS, na categoria "Melhor HQ ou Graphic Novel". Pra votar, basta clicar aqui.
Este ano tem sido incrível, nos deixando com mais vontade de criar outras histórias que viagem mais longe ainda. Por enquanto, estamos super animados com a chegada do Daytripper no Brasil, com nossa presença na Bienal do Rio e o vindouro lançamento na Saraiva do Shopping Ibirapuera em São Paulo no dia 28 de Setembro, seguido de perto do lançamento na Itiban, em Curitiba, no dia 1º de Outubro.
Este ano ainda está longe de acabar, precisamos trabalhar muito e esperamos ver muita gente no Fest Comix, na Rio Comicon e no FIQ. Pra ver uma lista de eventos que participaremos, clique aqui.
Aos poucos, logo cedo, a caminho do aeroporto, com uma cópia da edição americana de Daytripper na mochila. Sabia que ia precisar dela para alguma coisa, mesmo se fosse para me fazer companhia, para carregar comigo essa história em mais uma viagem - a viagem inaugural. No café do aeroporto, o Bá me disse:
- Putz, esqueci de pegar uma cópia do livro.
Eu trouxe, disse. Pensamos logo na mesma coisa, peguei o livro e abri na página da história onde aparece nosso destino nesse dia: o aeroporto Santos Dumont com a vista do Pão de Açucar. O Bá tirou uma foto e colocou na internet. Avida, hoje em dia, parece estar sendo compartilhada a todo tempo com todo mundo, para o bem e para o mal, mas estranhamente este era um momento que, há tanto esperado, merecia ser compartilhado. Um momento de um dia inteiro.
Chegando no Rio, outra foto, tentando, da melhor maneira possível, registrar essa estranha fusão de realidade e ficção, olhando desenho e vista do rio ao mesmo tempo, mas a experiência real tem muito mais nuances, muito mais cores, muito mais emoções. Emocionados, rumamos em direção à Bienal do Rio para o lançamento oficial do Daytripper em edição nacional.
Começou.
Agora, como eu disse durante o dia numa entrevista, está fora das nossas mãos. O livro começa agora uma viagem que eu não controlo mais, que irá a mais lugares do que eu já fui, e que, eventualmente, se cruzará novamente com as nossas viagens. Feliz, animado e - por que não? - aliviado, assinei e desenhei em todos os livros que me trouxeram, relembrando como se desenha um personagem que passou comigo os últimos dois anos e que agora vai passar mais tempo com vocês.
Muita gente foi ao lançamento. Mais nomes do consigo lembrar (mesmo pedindo constantemente para que cada um repetisse seu nome mais de uma vez durante o desenho e dedicatória), mais rostos do que eu consigo guardar. Ainda assim, eu me lembro de quando eu ficava em filas de autores que admirava e o autor se lembrava de mim de outras filas e outros momentos, e isso, enquanto Quadrinista iniciante, apaixonado pelo que eu sonhava ser o meu futuro, foi um estímulo que eu sempre nutri durante minha carreira. Me dava vontade de produzir mais, pra ter sempre algo novo pra mostrar. Sendo assim, alguns recados: Denis Mello, autor de "Saidêra", disse que teria material novo pra próxima Rio Comicon. Quero ver, Denis. Quero ver também qual a próxima história do Jopa, 20 anos mais novo do que eu, que já leva esse negócio de contar histórias em quadrinhos muito a sério. O FIQ é em Novembro, Jopa. Dá tempo. E ainda tem o Guilherme, que espera ter seu roteiro desenhado pra próxima vez que for falar comigo. Vamos lá, moçada, se vocês continuarem produzindo, não serei só eu que vou me lembrar de vocês.
Obrigado a todos que foram ao lançamento, pelo carinho e atenção.