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Um longo dia do Quadrinho Nacional

Hoje é comemorado o Dia do Quadrinho Nacional, mas este post começa no sábado, enquanto eu e o Bá trabalhávamos. Meu telefone fez o barulho de mensagem recebida e fui checar. Era o Michele, editor da Bao, nossa editora italiana. Na mensagem, um vídeo do Michele, em pleno Festival Internacional de Angoulême (maior festival de Quadrinhos da Europa), juntamente com o François, nosso editor francês na Urban Comics. Aparentemente, ambos estavam reunidos naquele sábado frio para discutir o nosso futuro. "Planos estão sendo feitos", eles disseram, sorrindo, transbordando mistério.

Pegamos o celular e fizemos um vídeo de resposta, transmitindo nossa ansiedade e, de quebra, dando um pouco do sabor tropical àquele dia de inverno no festival francês. Enquanto em Angoulême fazia 9ºC, em São Paulo o verão nos presenteava com 30ºC no meio do dia.

 

Mas vamos voltar para o Quadrinho Nacional. Recebi duas mensagens pelo facebook no final de semana. A primeira, do site Meninas Geek, era um pedido para falar um pouco mais sobre a capa que eu fiz para a revista do Adventura Time. Direcionei as meninas para um site americano que tinha feito a mesma pergunta, onde eu mostrava os rascunhos feitos antes da capa, e respondi duas perguntinhas mais. O resultado você confere aqui.

A segunda mensagem foi do Érico Assis, jornalista e tradutor de Quadrinhos, perguntando no que eu trabalharia no dia de hoje, para uma matéria que ele estava fazendo sobre o Quadrinho Nacional. Respondi:

"Oi Érico. Estou escrevendo uma história, trabalho nela no período da manhã. À tarde, tenho um roteiro de uma HQ para desenhar. Amanhã, provavelmente só lerei o roteiro e farei anotações sobre o layout das páginas. Tenho um bate-papo às 19h com o Bá e o Rafa Coutinho na livraria Tapera Taperá, no centro, com mediação do André Conti, para celebrar o dia do Quadrinho Nacional. Depois da palestra, faremos sessão de autógrafos."

Dia cheio.

O Rafa vai lançar um livro novo este ano, o Mensur. Espero que ele fale um pouco sobre ele no bate-papo. O Bá e eu lançaremos este ano a versão brasileira do nosso livro com o Neil Gaiman, o How to Talk to Girls at Parties (ainda precisamos decidir como será o título final em português). Os detalhes sobre o bate-papo podem ser encontrados aqui.

Falando em Neil Gaiman, seu livro mais aclamado, o Deuses Americanos, que está prestes a virar série de TV, vai também virar uma série em Quadrinhos. O site the Hollywood Reporter tem uma prévia de mais de 10 páginas no primeiro número, além de divulgar com exclusividade a capa variante que eu fiz para essa edição. Você pode ver as páginas, e a capa, clicando aqui.

Aos que estão em São Paulo e pretendem ir ao bate-papo, até mais tarde. Para o resto, a pergunta que o Érico fez: No que você vai trabalhar hoje, no Dia do Quadrinho Nacional?



Escrito por Fabio Moon às 09h26
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Premiações, publicações, inscrições, evoluções.

Uma das maneiras de dar mais visibilidade ao seu trabalho é ganhando prêmios. Eles não são um atestado de qualidade, não representam a verdade universal, mas ajudam a destacar seu trabalho dentre tantos outros. O mercado Nacional de Quadrinhos é pequeno e atinge pouca gente, mas quando uma publicação é indicada ou vence um prêmio, geralmente é gerada uma atenção maior sobre ela, um interesse da imprensa, do público. Uma fagulha de curiosidade que pode resultar em novos leitores, assim como também ajuda a mostrar o seu trabalho aos colegas de profissão, que podem não conhecê-lo. Um prêmio não deixará seus próximos trabalhos mais fáceis, mas ajudará o seu caminho, como um carimbo no passaporte dessa viagem que nos leva a vida inteira.

Neste sábado, dia 28 de Janeiro, acontecerá a entrega do Troféu Angelo Agostini. O evento acontece no Memorial da América Latina, Auditório da Biblioteca Latino-americana - Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664 (ao lado do Metrô Barra Funda), tem entrada franca e começa às 13h, com uma programação cheia de palestras e debates. A entrega dos prêmios será às 16h. Os premiados foram:

Melhor desenhista: Mariana Cagnin ("Black Silence")

Melhor roteirista: Alex Mir ("Segundo tempo", editora Draco)

Melhor cartunista: Guabiras (Jornal O povo - Fortaleza CE)

Melhor lançamento: "Spectrus, paralisia do sono" (Thiago Spyked, Ed. Crás)

Melhor lançamento independente: "Protocolo, a ordem" (vários autores)

Melhor WEB Quadrinho: "Marco e seus amigos" (Tako X e Alessandra Freitas)

Melhor Fanzine: "Café ilustrado" (Thina Curtis e Fabi Menassi)

Prêmio Jayme Cortez: Ivan Freitas Da Costa (Chiaroscuro Studios)

Mestres: Arthur Garcia, Gualberto Costa, Sérgio Graciano e Sidnei L. Salustre

O Angelo Agostini é um prêmio controverso, com votação aberta ao público, onde alguns acreditam que os vencedores são simplesmente aqueles que fizeram mais campanha entre os amigos, independente de sua real qualidade ou mérito. Todos os anos ele traz surpresas, rostos novos e trabalhos que muita gente nem viu (sendo este um problema do nosso mercado fraco e rarefeito). Independente da sua opinião sobre o prêmio, ele é um dos mais tradicionais e traz, sim, um retrato da produção de Quadrinhos no Brasil.

E 2017 traz mudanças no outro grande prêmio do Quadrinho Nacional, o HQ MIX. Esse ano, para concorrer ao 29º Troféu HQMIX, as editoras, autores e produtores de quadrinhos no Brasil deverão inscrever suas obras no site da premiação, de acordo com as categorias, no período de 16 de Janeiro a 28 de Fevereiro. Junto com a inscrição, deve-se enviar um PDF com a história ou tese (ou fotos e descrição de um evento, no caso de exposição), para garantir que a comissão julgadora veja seu trabalho. Com isso espera-se acabar com os problemas de divulgação e relevância de uma escolha de candidatos sem o real conhecimento de todos os trabalhos produzidos. Fica então a cargo dos autores e editoras se mobilizarem para que sua publicação chegue à organização do prêmio para poder ser indicada.

Há um desconto progressivo para grupo de inscrições de uma só entidade:

Até 5 inscrições – R$ 15,00 cada

De 6 a 10 inscrições – R$ 12,00 cada

Acima de 10 inscrições – R$ 10,00 cada

O pagamento poderá ser realizado através de PayPal ou PagSeguro. Ao final da inscrição, um email com o seu número de inscrição e instruções sobre o pagamento será enviado.

Sim. É isso mesmo. Você paga pra inscrever seu livro, assim como muitas outras premiações e festivais competitivos. Essa outra novidade dá um peso maior à inscrição, exige maior comprometimento por parte dos autores e editoras e também ajuda a financiar o prêmio, que é feito a duras penas pelos organizadores, com pouquíssimo patrocínio. 

Todas as dúvidas e informações sobre as inscrições e categorias do HQMIX podem ser encontradas no site da premiação.

 



Escrito por Gabriel Bá às 16h32
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Capas e máscaras

Estou aqui pensando em máscaras , o que elas representam, o que encobrem e o que revelam. Costumávamos refletir sobre as máscaras que às vezes usamos quando estamos entre as outras pessoas, quando queremos tentar prever, ou controlar – ou até manipular – a impressão que as pessoas tem de nos conhecer pessoalmente. Nos dias de hoje, as máscaras do dia-a-dia se multiplicaram e nos deparamos também com as máscaras que usamos no âmbito virtual. A internet abriu uma segunda chance para as pessoas interagirem, se comunicarem, e ao invés de revelar o verdadeiro lado das pessoas, que costumava ficar escondido, o que a internet tem criado é apenas mais um lugar onde podemos usar mais máscaras para tentar pre-definir a impressão que as pessoas terão de nós. Se a máscara acabava nos distanciando uns dos outros, nos afastando da nossa essência, nada mais adequado do que a internet, onde a distância é o ponto de partida.

Minha arte é a minha máscara. Ela é a cara que eu mostro ao mundo, nela estão o que eu penso, o que eu sinto, ela é o registro das minhas ações.

Essa máscara é a capa de um novo caderno, que marca o início – início físico, ao menos, pois esse projeto já começou há alguns anos – de uma nova história. O caderno, para a escrita do estudo, das ideias e do texto final, veio com uma capa vagabunda. É um caderno vagabundo, o mais barato que tinha na papelaria. O importante era o número de páginas – muitas –, não a qualidade da embalagem. Ainda assim, colei uma folha em branco na capa para diferenciar esse caderno dos outros, e aproveitei restos de tintas que ainda repousavam no godê ao lado da minha mesa, de uma pintura que terminei essa semana, para dar ao caderno uma cara mais apropriada ao novo projeto.

Pensei nas máscaras, e pronto. Nos Quadrinhos, a capa é a máscara do objeto físico. Ela nos olha nos olhos, nos seduz e nos convida para dançar.

A capa abre essa janela para dois lados de dentro: o de dentro da história, e à algo onde essa história se reflete dentro das pessoas, dos leitores.

 

- - -

 

Fiz uma capa para uma edição especial dos Quadrinhos do Adventure Time, numa parceria entre a Boom Studios ( editora que publica os Quadrinhos nos EUA) e a Comixology ( plataforma de leitura digital de quadrinhos mais utilizada por lá) para promover uma linha de conteúdo produzida originalmente para a plataforma digital exclusiva para o Kindle. Quando recebi o convite, não sabia nada sobre as histórias, sobre a exclusividade digital, sobre quando a edição seria lançada. Sabia somente que o foco seria nesse vampiro músico Marshall Lee. Tinha acabado de ver um episódio do desenho animado focado nele na semana em que fiz a capa, então já estava em sintonia.

A aventuria então começou.

Nunca sabemos para onde o nosso trabalho pode nos levar. Essa capa quase me levou para a França, para a edição deste ano do Festival de Quadrinhos de Angoulême (que acontece agora, no final do mês).

Quase.

O volume de trabalho deste mês, incluindo o projeto do novo caderno, e outros que também caminham em ritmos próprios, falou mais alto. São máscaras mais apropriadas para como eu quero que meu ano comece.

Ainda assim, alguns dias acordo com saudades do festival de Angoulême, dos Quadrinhos que só descubro por lá, e de falar francês, mas eu sei que tudo isso vai continuar lá, me esperando para quando as histórias me levarem de volta. Un jour.


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Mais uma capa.

Semana passada, peguei uma capa para fazer, uma versão variante exclusiva a uma loja de gibis (nos mercado americano, algumas lojas fazem acordos com as editoras para terem uma capa diferente da regular) para o primeiro número de uma nova série. Recebi os pdf das primeiras duas edições da história, para entrar no clima, embora essa história eu já conheça bem. Fiz alguns rascunhos, mandei três ideias. O editor está em Portland, o autor está na Austrália, e o feedback em dois fusos diferentes do meu demora ao menos um dia do trabalho. Fiquei colorindo páginas do Casanova enquanto esperava.  Recebido o feedback do editor, rascunhei um pouco mais, cheguei na ideia que eu queria. Todo mundo gostou. O desenho da capa, do lápis à arte-final e à cor, levou mais dois dias para ficar pronto.

Essa eu ainda não posso mostrar.

Uma máscara ao avesso, que se esconde enquanto mostro o que há por trás da sua criação.



Escrito por Fabio Moon às 19h35
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Que o novo ano seja criativo

Mais de uma vez essa semana, me peguei pensando que o ano começou, que já estamos no dia 12, e eu ainda não fiz nenhum desenho este ano. Olhei para o meu caderno de rascunhos, um caderno novo que comecei no mês de Dezembro, logo depois da CCXP, e fiquei observando os desenhos, os rascunhos, as brincadeiras visuais que eu fiz, a maioria sem propósito, sem motivo profissional – embora dois dos desenhos tenham sido feitos durante duas reuniões que fizemos em Dezembro sobre novos projetos –, e de fato o último dezenho foi feito no dia 31, na praia.

Na parte de cima da folha do caderno, pensando no ano que estava terminando, rabisquei uma ode às personagens femininas que desenhei em 2016. Embora eu tenha lido muita Mulher-Maravilha nos anos 80 e 90 (forte na lembrança, ficaram a fase do George Pérez e do John Byrne), nunca me imaginei desenhando uma história com ela. Mais ainda, nunca me imaginei escrevendo uma história dela. 2016 me trouxe essa surpresa, essa ideia que brotou na minha cabeça na semana em que recebi o convite para participar da antologia de aniversário da Mulher Maravilha. Já recebemos convites para desenhar super-heróis da Marvel e da DC antes, e normalmente acabamos agradecendo mas recusando o convite, mas essa ideia – que logo se transformou em vontade – acabou sendo mais forte.

Igualmente surreal foi a chance de adaptar uma história do Neil Gaiman para os Quadrinhos, e o resultado dessa oportunidade mágica, o livro "How to Talk to Girls at Parties", é o que minha Mulher Maravilha está folheando nas últimas horas do ano, descobrindo as "poetry girls" que passei tantos meses desenhando e pintando com aquarela. Recentemente, foi noticiada a editora que publicará esse novo livro por aqui, o que me lembra que ainda preciso fazer o título em português para a capa (os títulos na capa foram feitos à mão, e em Dezembro fiz as versões francesa e italiana).

Na parte de baixo da mesma folha, antes do ano acabar, resolvi fazer alguns desenhos que também carregam significados específicos à 2016, como o aniversário de dez anos do Casanova, nosso gibi de espionagem interdimencional criado e escrito pelo Matt Fraction. Pelas nossa contas, levando em consideração que fazemos o Casanova entre tantos outros projetos, calculamos que precisaremos de ao menos mais dez anos para chegar ao fim dessa saga. No começo, quando somente o Matt escrevia e somente o Bá desenhava, eu era o primeiro leitor, um privilegiado que podia ler o roteiro, ver o Bá desenhando e depois ainda ver o produto final. Eu era o maior fã do Casanova, e talvez eu ainda seja, o que me faz querer ler essa história até o final para descobrir como termina, e isso testa minha paciência já que eu sei que ainda precisaremos esperar anos até chegar à última página.

A última imagem do ano registrada no meu caderno foi esse coelho e esse fundo alaranjado cujo desenho geométrico repete o do chão de taco do apartamento onde vivi nos últimos três anos. A quatro pequenas quadras de distância do estúdio, o apartamento mudou minha rotina de vida, incluindo no meu dia-a-dia uma vida pedestre que há muito tempo eu não tinha em São Paulo. Enquanto eu observei a cidade pelas janelas amplas do meu oitavo andar, observei muito mais pelas ruas caminhando do que minha visão periférica permitiria se eu estivesse ao volante. Fui feliz no apartamento, e esse chão de estrelas me trouxe a tranquilidade que eu precisava nestes três anos para poder correr atrás dos desafios profissionais. Agora, meu tempo no apartamento terminou, e é hora de ir em busca de novas aventuras tendo outro endereço como pouso.

Também chegou ao fim em 2016 nossa tira Quase Nada, e o último desenho do ano traz meu último animal simbólico, desejando fertilidade para 2017. Que esse ano que está começando traga novas pessoas para nossas vidas, novos amigos, assim como novas oportunidades de reencontrar os amigos de longa data. Que traga novas ideias, novas histórias, e a força e determinação necessárias para que a criatividade e a arte perseverem diante de um mundo cheio de problemas (e cheio de gente que se consome ao enxergar somente esses problemas).

O ano começou, já estamos no dia 12, nada mais acrescentei ao caderno ainda, e a ilusão de que ainda não fiz nenhum desenho esse ano continua, mesmo sendo falsa. Já desenhei uma página de um novo projeto (o lápis foi digital, e essa falta do papel pode ter ajudado na minha confusão, mas ontem fiz a arte-final com nanquim no papel), e colori duas páginas do Casanova do número que  o Bá está desenhando. Meu caderno está aberto na prancheta, pois preciso rabiscar algumas ideias para uma capa. A primeira página do ano, em branco, me encara enquanto fico pensando na capa, no que fazer, no que desenhar, perdido naquele papel vazio tão cheio de possibilidades, pensando nesses primeiros trabalhos do ano.

"Começou", digo em silêncio, sorrindo.



Escrito por Fabio Moon às 21h02
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